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Pesquisadora nas áreas de sustentabilidade e saúde da habitação. Tem como objetivo projetar e prestar consultoria a clientes com interesse na busca pelo Viver Saudável, uma interação equilibrada entre meio ambiente, pessoas  e o Lar em que habitam.

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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

12 de set de 2011

Bons exemplos de arquitetura bioclimática


Meus amigos, a arquitetura bioclimática está diretamente ligada a adaptação do edifício ao clima local, condições topográficas, uso de energias renováveis e não poluentes junto a materiais termicamente aceitáveis às condições do lugar. Os bons exemplos dessa arquitetura vocês podem ver nas imagens abaixo.
Três propostas para uma estética ecológica na América Central
Elementos sombreadores empregados para proteger da radiação solar direta.
Ao adotar as tradições locais, tanto as da arquitetura colonial como as das edificações agrícolas construídas nos bananais da United Fruit, Bruno Stagno elaborou uma expressão estética como alternativa formal àquela obtida em outras áreas da América Latina - o que chamou a atenção de críticos e profissionais do continente. É a partir daí que se explicam sua participação no grupo gestor dos Seminários de Arquitetura Latino- Americana (SAL) e sua associação teórica com os professores da Universidade de Delft (Holanda) Alexander Tzonis e Liane Lefaivre, responsáveis pela categoria conceitual do regionalismo crítico, difundido posteriormente pelo inglês Kenneth Frampton. Essa colaboração amadureceu a tese do sincretismo ambiental caribenho, identificado pela mistura de influências de diferentes países e raças, pelas superposições entre tradição e modernidade e pela interação entre os saberes cultos e populares da América Central e das Antilhas.

  
No Banco San José, solução sustentável e ecológica permite poupar energia elétrica e reduzir ao mínimo o uso de ar condicionado

Nos anos 1990, Stagno dedicou-se ao desenvolvimento de estudos científicos sobre a influência do clima e das condições ecológicas naarquitetura dos trópicos. Seu objetivo era superar as limitações de uma aproximação superficial e intuitiva baseada principalmente nos atributos formais e na reinterpretação da herança histórica. Com a criação do Instituto de Arquitetura Tropical, em San José, capital da Costa Rica, estabeleceu uma rede de contatos internacionais a partir da organização de seminários que contaram com a participação de críticos e especialistas de diferentes regiões: Hugo Segawa, Roberto Segre e Severiano Porto, do Brasil; Gerardo Mosquera, de Cuba; Ken Yeang, da Malásia; Rahul Mehrotra, da Índia; Geoffrey Bawa, de Sri Lanka; Tang Hok Beng, de Cingapura.

Vista Lateral
sucesso da iniciativa culminou com a publicação de dois livros: Bruno Stagno. An architect in the tropics, de Alexander Tzonis, Liane Lefaivre e Ken Yeang, 1999; e Tropical architecture. Global regionalism in the age of globalization, de Stagno, Tzonis e Lefaivre, 2001. Trouxe também o reconhecimento, por parte de instituições importantes, das pesquisas desenvolvidas pelo instituto, com a concessão do Prêmio Príncipe Claus, da Holanda, e a bolsa da Fundação John Simon Guggenheim, dos Estados Unidos.
Nas obras do início dos anos 1990, percebe-se significativa mudança na linguagem arquitetônica de Stagno. Na primeira etapa, ele se ancorou nasmetáforas formais da arquitetura popular da Costa Rica e numa transcrição moderna das estruturas de ferro e vidro utilizadas nas plantações da United Fruit no começo do século. Essa postura foi assumida não só como resposta à adequação climática, mas como rejeição ao modismo invasor do pós-modernismo e aos excessos formais do brutalismo local. O tijolo, a madeira e as estruturas metálicas caracterizam as obras daquele período, seguindo a herança corbusieriana presente na utilização dos materiais naturais nas casas Jaoul - lembre-se que Stagno trabalhou no escritório da rue de Sévres com o herdeiro do Mestre, José Oubrerie, no projeto da igreja de Firminy-Vert, que está prestes a ser concluída.
  
Placas protegem as aberturas de vidro na agência bancária          Na parte central do espaço interno fica a área de atendimento 

No edifício de escritórios Pérgola, Stagno assume a importância dos componentes ecológicos na imagem formal

A superação da antítese artificial entre regionalismo e cosmopolitismo, além da crítica ao nacionalismo restrito que alguns teóricos e arquitetos da América Latina defenderam, levou Stagno a acatar o discurso do novo sistema formal e conceitual criado pelo minimalismo e pelo high tech, adaptado às condições econômicas e técnicas locais, sem abandonar o imaginário estético e cultural da América Central. Essa abertura criativa permitiu-lhe participar de eventos internacionais com soluções imaginativas, expressando a universalidade de seus princípios. Em 1995, foi um dos dez selecionados - de um total de 225 - em um “anticoncurso” para elaborar alternativas à proposta esquemática de reconstrução, em Berlim, do prédio da Bauakademie, de Friedrich Schinkel. Stagno apresentaria um monumental e transparente volume de tijolos inserido em um manguezal com árvores latinas, introduzindo o trópico na cidade. Em 2004, na 9ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza, cujo tema era Metamorfose, dividiu com Frank Gehry o espaço Identidade Tropical, explícita na sua obra e no Museu da Biodiversidade, projeto de Gehry para a entrada do Pacífico, no canal do Panamá. As três obras aqui apresentadas demonstram com clareza as mudanças nas concepções estéticas de Stagno.
 
A caixa de concreto é envolvida externamente por uma leve estrutura metálica modulada, que serve de suporte para o crescimento de plantas trepadeiras. A limitada disponibilidade de recursos econômicos levou à opção por uma caixa retangular
  
com estrutura pré-fabricada de concreto e fachada de vidro com as plantas criando um filtro climático que diminue
significativamente a temperatura interior dos locais de trabalho.
Fonte: ArcoWeb