Translate

Google Translate
Arabic Korean Japanese Chinese Simplified Russian Portuguese
English French German Spain Italian Dutch

Fale Conosco

- Deixe seu comentário ou envie um e-mail: celinalago@gmail.com
- Se desejar receber as novidades do site seja um seguidor que o envio é automático.
- A sua participação é muito importante. Só assim, unidos conseguiremos reverter o processo de destruição planetária pelo qual estamos passando e encontrar um equilíbrio saudável.

Muita Luz e Amor,

Celina Lago

18 de abr de 2019

Elegante casa de adobe capta energia solar que quase zera conta

O caldeirão cultural repleto de histórias ricas compõem Santa Fé, a capital do Novo México, nos Estados Unidos. Por lá, as construções em adobe são comuns e os moradores encontram maneiras criativas de manter certas tradições sem perder a contemporaneidade. Exemplo disso é uma casa de adobe super interessante que está à venda na cidade.
  
Localizada a apenas 10 minutos do centro, a casa é enorme: possui quatro quartos e quatro banheiros. Os ambientes são amplos, possuem muita madeira, lareira, tons amarronzados e neutros e alguns toques de azul. Eles combinam perfeitamente com adobe, que é uma mistura de argila, areia, água e outros componentes naturais para a criação de tijolos crus. Para um leigo em arquitetura, ao uma olhar uma foto da residência seria fácil acreditar que trata-se de uma construção instalada em algum país do Oriente Médio.
Não bastasse a beleza interna, há um espaçoso pátio de entrada e uma vista para os famosos Montes Sangre de Cristo. A construção ressalta a entrada abundante de luz, que proporciona mais conforto e menos consumo de energia. Aliás, foi instalado um sistema solar eficiente que garante aos moradores contas de energia elétrica que não chegam a dez dólares -, algo impensável para os padrões do país. 
   
Em geral, todos os ambientes são compostos por móveis que aparentam ser antigos -, ainda que não sejam ou tenham sido reformados. Os ambientes que menos seguem este padrão são a cozinha e sala, que acabam sendo mais modernos. E a casa está à venda por US$ 918 mil dólares, pelo site dá para conferir mais fotos da residência.





Fonte: Ciclo Vivo


Designers criam coleção de móveis com fibra de bananeira

O sol, a natureza, a cidade. Esses elementos servem de inspiração constantemente na concepção dos móveis para áreas externas que levam a assinatura da Plantar Ideias, estúdio de arquitetura e design urbano comandado por Luciana Pitombo e Felipe Stracci. Pesquisadores ávidos por novos materiais e tecnologias, eles encontraram na fibra de bananeira e no concreto a combinação perfeita para a coleção Trópicos, recentemente apresentada na SP-Arte 2019, o maior festival de arte da América Latina.
  

Com linhas bem limpas, a coleção é composta por cadeiras, banquetas, módulos de estar, poltronas e mesas. “Usamos fibras ecológicas estruturadas com elásticos, o que resulta na resistência e no conforto de assento e encosto”, explica o designer e arquiteto Felipe. “Não há espuma nas peças, evitando que o móvel retenha água e molhe a roupa de quem sentar”, completa a designer e arquiteta Luciana.
  

Enquanto a fibra ecológica de bananeira oferece a elasticidade, o conforto e a durabilidade essenciais para que os móveis possam aguentar a exposição direta de sol e chuva, o concreto, com sua plasticidade, ajuda a dar forma nas peças que ganham status de esculturas no ambiente. A criação desses mobiliários só foi possível graças à experiência e da Lovato Móveis, fábrica de vanguarda no Brasil.
    

A Plantar Ideias celebra o início da parceria entre a L’oeil, marca com 25 anos de história na área de decoração que cuidará da comercialização das peças, e a Lovato Móveis. “O objetivo é unir as três pontas da cadeia produtiva em busca de oferecer um produto com design bem cuidado, alta durabilidade e fácil de ser encontrado”, explica Felipe.
    
    
Fotos: @sebastienabraminfotografo

Fonte: Ciclo Vivo



15 de abr de 2019

A cidade de Bruxelas e a sustentabilidade

Imagem: Anamaria Rossi

Capital da Bélgica e conhecida também como a capital oficial da União Europeia, Bruxelas é uma linda cidade que, muitas vezes, acaba sendo ofuscada por sua proximidade com Paris e Amsterdã, cidades muito procuradas pelos turistas. Embora a concorrência seja grande, Bruxelas tem seus encantos, com destaque para sua arquitetura diversificada, que engloba desde construções medievais até prédios pós-modernos. A Grand-Place, localizada no centro de Bruxelas, é considerada uma das praças mais bonitas do mundo e nela é possível encontrar algumas delícias mundialmente conhecidas da região, como os chocolates, os waffles e os inúmeros tipos de cervejas. Além de todos estes diferenciais, Bruxelas também vem se destacando em outro quesito: a sustentabilidade.

Bianca Debaets

Durante o evento Connected Smart Cities 2016, o Blog Condomínios Verdes teve a oportunidade de conversar com a Secretária de Estado de Bruxelas, Bianca Debaets, que lhes contou algumas medidas que o governo tem tomado para tornar a cidade mais sustentável. Bruxelas tem um dos piores trânsitos de toda a Europa, por isso, a questão da mobilidade urbana é bastante discutida por lá. Nos últimos anos, o governo tem feito várias campanhas e ações para diminuir o número de carros nas ruas. Vamos conferir algumas delas:

– Caminhões:

Cobrança de uma taxa por km percorrido para todos os caminhões;

– Automóveis a diesel:

Por serem muito poluentes, terão que pagar uma taxa por essa poluição;

– Bicicletas:

Investimento pesado na construção de ciclovias;

– Compartilhamento de carros elétricos:

A cultura do compartilhamento tem crescido muito em Bruxelas, principalmente entre os jovens. Sites especializados em compartilhamento de carros são muito populares e autorizados por lei. Segundo Debaets, compartilhar é o futuro!

– Utilização dos canais:

Bruxelas está localizada no interior do país longe do mar, porém, alguns canais da região são usados para transporte de pessoas e cargas, o que ajuda a retirar os caminhões das ruas.

Além dos investimentos em mobilidade sustentável, que tem como meta, até 2018, transformar Bruxelas em uma zona de baixa poluição, a cidade tem avançado nas políticas de tratamento de água, que retorna tratada aos canais. Outra medida bacana envolve os novos prédios construídos, que precisam ter consumo passivo de energia, ou seja, além de produzirem parte de suas necessidades energéticas via fontes renováveis, o sistema de aquecimento dos edifícios, que terá como base um excelente isolamento térmico, deve ser feito através do reaproveitamento do calor interno.

O esforço para tornar Bruxelas uma cidade mais sustentável é notório, porém, como qualquer cidade, ela também possui muitos desafios e, talvez, o maior deles é encontrar soluções para a utilização de energias renováveis. Ao contrário de outras regiões, que possuem grandes áreas para a colocação de moinhos de vento, na cidade, existem poucos espaços disponíveis. De qualquer forma, esperamos que os exemplos de Bruxelas sirvam de inspiração para que outras cidades repensem sua relação com o meio ambiente para que possam melhorar a experiência dos turistas e a qualidade de vida dos moradores.


Empresa produz pratos e talheres de farelo de trigo comestíveis

Os pratos e talheres feitos de farelo de trigo são descartáveis, biodegradáveis e comestíveis.


Uma empresa polonesa produz pratos e talheres a partir de farelo de trigo. Os utensílios são descartáveis, biodegradáveis e comestíveis: se a barriga estiver vazia mesmo depois de comer a refeição, coma o prato e os talheres, sem ter um problema de má digestão.

O produto não deixa ninguém com fome

Os produtos da Biotrem, de Varsóvia, são uma alternativa às peças descartáveis feitas de plástico ou papel, pois são compostáveis – demoram apenas 30 dias para se decompor.

A fabricante já produziu mais de 10 milhões de utensílios usando uma matéria-prima abundante, presente em várias regiões do mundo, segundo o SóNotíciaBoa.

Os pratos da Biotrem servem refeições quentes e frias, sólidas e líquidas. Eles podem ser usados em fornos convencionais, micro-ondas, em restaurantes e eventos ao ar livre.

Os utensílios são descartáveis, biodegradáveis e comestíveis

O fundador da Biotrem, Jezzy Wysocki, teve a ideia de utilizar farelo de trigo para produzir louça entre o final dos anos 90 e o início dos anos 2000. A família de Wysocki administrava um pequeno negócio de moagem de grãos de trigo que não conseguia competir com as grandes usinas.

Foi quando ele começou a procurar usos para um subproduto da moagem, além de ração animal. Wysocki resolveu apostar todas as suas fichas no novo empreendimento. A Biotrem investiu um montante de 5 milhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento dos produtos ecológicos.

Eles só perdem para os concorrentes de plástico e papel no quesito preço – um problema principalmente para empresas pequenas. Um conjunto de 10 unidades custa 5 dólares (18 reais), enquanto um de 100 unidades é vendido a 30 dólares (110 reais), por exemplo.

Mas, o responsável pelo marketing da empresa, Artur Bednarz, adverte que os valores não devem ser comparados aos de utensílios de plástico ou papel, mas com preços de outras peças de mesa, com os quais a Biotrem está “praticamente no mesmo nível”.

A empresa acredita que os preços irã diminuir à medida que aumentar sua produção. Não deve demorar muito tempo para que isso aconteça.


Bednarz destacou que grandes atacadistas da República Tcheca e Eslováquia estão encomendando “quantidades realmente grandes”. Os produtos têm sido usados em lanchonetes, restaurantes e por organizadores de eventos e bufês.

Recentemente, a Biotrem comprou sua primeira distribuidora americana, a Veri Food, de Coral Gables, no estado da Flórida.

“Estamos vendendo tudo o que a Biotrem produz. Está indo bem”, disse Roberto Cavallini, gerente de marketing da Veri Food. “É como o cereal [de Kellogg] que você come no café da manhã”, acrescentou.

Dá play no vídeo e descubra como é feita a louça de farelo de trigo:

crédito das fotos: Biotrem/Reprodução

Fonte: Razões para Acreditar

14 de jan de 2019

Embalagem Biodegradável: vantagens, desvantagens e exemplos

Entenda prós e contras de embalagens de cogumelo, leite, milho e até mesmo as feitas a partir de bactérias

A embalagem biodegradável é um verdadeiro alívio na consciência de quem se preocupa com o meio ambiente, ao menos em um primeiro momento. Mas esse tipo de embalagem também tem desvantagens. Entenda os usos, os prós e contras de cada tipo de embalagem biodegradável.
Embalagem biodegradável

Uma embalagem é considerada biodegradável quando é possível realizar a sua decomposição naturalmente, ou seja, sua biodegradação. A biodegradação é realizada por micro-organismos como bactérias, algas e fungos, que convertem o material em biomassa, dióxido de carbono e água. A vantagem da embalagem biodegradável é que a sua permanência no ambiente é menor do que a permanência das embalagens não biodegradáveis, o que diminui as chances de efeitos nocivos como sufocamentos, entrada na cadeia alimentar, contaminação por disruptores endócrinos, entre outros.
Tipos de embalagem biodegradável

Embalagem de plástico PLA


O plástico PLA, ou melhor dizendo, plástico de poliácido láctico, é um plástico biodegradável que pode ser utilizado como embalagem alimentícia, cosmética, na produção de sacolas, garrafas, canetas, vidros, tampas, talheres, entre outros.

No processo de produção do plástico PLA, as bactérias produzem o ácido lático por meio do processo de fermentação de vegetais ricos em amido, como a beterraba, o milho e a mandioca.

Além biodegradável, a embalagemfeita de plástico PLA é reciclávelmecânica e quimicamente, biocompatível e bioabsorvível; é obtidas de fontes renováveis (vegetais); e, quando descartada corretamente, transforma-se em substâncias inofensivas porque é facilmente degradada pela água.

Quando pequenas quantidades do PLA passam da embalagem para os alimentos e acabam indo parar no organismo, não trazem danos à saúde, pois ele se converte em ácido lático, que é uma substância alimentar segura e naturalmente eliminada pelo corpo.

A desvantagem da embalagem biodegradável de plástico PLA é que, para ocorrer a degradação adequada é preciso que os descartes de plástico PLA sejam feitos em usinas de compostagem, onde há condições adequadas de luz, umidade, temperatura e quantidade correta de micro-organismos e, infelizmente, a maior parte do resíduo brasileiro acaba indo parar em aterros e lixões, onde não há garantias de que o material se biodegrade 100%. E pior, normalmente as condições dos lixões e aterros fazem com que a degradação seja anaeróbia, ou seja, com baixa concentração de oxigênio, gerando a liberação de gás metano, um dos gases mais problemáticos para o desequilíbrio do efeito estufa.

Outra inviabilidade é que o custo de produção de embalagem biodegradável de PLA ainda é elevado, o que torna o produto um pouco mais caro que os convencionais.

E as normas brasileira, europeia e estadunidense permitem a mistura do PLA com outros plásticos não biodegradáveis para melhorar suas características e, ainda assim, se enquadrarem como biodegradáveis.

Para saber mais sobre esse tema dê uma olhada na matéria: "PLA: o plástico biodegradável e compostável".

Embalagem de milho e bactérias


De acordo com um artigo de pesquisadores da Universidade de São Paulo e de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), esse tipo de embalagem biodegradável é um plástico orgânico feito por meio da biossíntese de carboidratos da cana-de-açúcar, do milho, ou de óleos vegetais de soja e palma.

Assim como a embalagem biodegradável de PLA, a embalagem feita a partir do milho e da biossíntese pela bactérias é biocompatível (não promove reações tóxicas e imunológicas) e biodegradável. Entretanto, esse tipo de plástico não pode ser utilizado como embalagem alimentícia, pois pode contaminar alimentos. Outra desvantagem desse tipo de embalagem é que ela é, em média, 40% mais cara do que as embalagens convencionais. Para saber mais sobre esse tema dê uma olhada na matéria: "Bactérias + milho = plástico".

Embalagem de cogumelo

Imagem: Wine Shipper por mycobond, licenciado sob CC BY-SA 2.0

Essa embalagem biodegradável feita a partir de cogumelos é uma invenção da Ecovative, uma empresa de design.

O produto é feito a partir de raízes de cogumelos crescidas em folhas mortas, húmuse uma variedade de substâncias, que levam a materiais de diferentes texturas, flexibilidade e durabilidade. Além de biodegradável, o material é comestível (mas não é aconselhável ingeri-lo).

As desvantagens da embalagem biodegradável de cogumelos são seu elevado custo e o fato de ser potencialmente competitiva com recursos que poderiam ser utilizados para produzir alimentos. Grandes empresas como a Nestlé dizem não investir em embalagem biodegradável feita de cogumelos por não quererem que sua demanda de embalagens reduza o suprimento de alimentos, principalmente em um contexto de fome global. "Não é bom empacotar nossos produtos em uma embalagem que, em vez disso, poderia ter sido usada para alimentar as pessoas", disse Strauss, chefe de operações da Nestlé dos EUA.
Embalagem de plástico de leite

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) desenvolveu uma embalagem plástica biodegradável, feita a partir de uma proteína do leite capaz de proteger os alimentos da ação degradante do oxigênio. A embalagem pode ser usada em caixas de pizza, queijos ou até mesmo como pacote para sopa solúvel - e pode ser dissolvida junto com o alimento em água quente.

O produto poderia até servir como um substituto para o açúcar usado para revestir flocos de cereais para evitar que eles murchem muito rápido e, além de biodegradável, é comestível. A engenheira química Laetitia Bonnaillie, pesquisadora do USDA, acredita que essa modalidade de embalagem plástica comestível tem potencial para ter sabores ou micronutrientes adicionados a ela.

Entretanto, cabem aqui os mesmos questionamentos feitos em relação às embalagens de fungos: altos custos e empasses sobre destinar recursos para embalagens comestíveis em vez de investir diretamente em alimentos. Além disso, pessoas com alergia à proteína do leite e aquelas preocupadas com os direitos animais, como os veganos, têm se manifestado contra a utilização do produto em larga escala. 
Embalagem de camarão

O Wyss Institute for Biologically Inspired Engineering, em Harvard, extraiu chitosan, um polissacarídeo do camarão e das lagostas, para desenvolver a embalagem biodegradável chamada shrilk. A embalagem pode substituir caixas de ovos e embalagem de verduras. Entretanto, o material é caro e carrega os mesmos impasses de todas as embalagens comestíveis feitas a partir de animais: concorrência com alimentos e questionamentos sobre os direitos animais.
Revestimento de casca de tomate

Cascas que sobram de tomates processados podem servir como revestimento biodegradável de enlatados. Apesar da lata não ser biodegradável, o revestimento é, e a vantagem principal é que ele não é nocivo para a saúde como os revestimentos atuais, de bisfenóis, que são disruptores endócrinos e causam danos à saúde humana e do meio ambiente. Entenda mais sobre esse tema na matéria: "O que são bisfenóis? Conheça os diferentes tipos e os riscos que proporcionam à saúde e ao ambiente".

Chamado Biopac Plus, o revestimento biodegradável está sendo desenvolvido por uma grande empresa agrícola familiar italiana e pode ser utilizado para embalar tomates, ervilhas, azeitonas e todos tipos de alimentos enlatados.
Embalagem oxiobiodegradável

A embalagem oxibiodegradável é feita a partir de plástico comum (derivado do petróleo) com aditivos pró-degradantes, que aceleram a fragmentação do material com ajuda da ação do oxigênio, da luz, da temperatura e da umidade. A biodegradabilidade do material, entretanto, gera controvérsia, pois o tempo de biodegradação (pelos micro-organismos) do plástico fragmentado, ou microplástico, após a degradação química, será o mesmo. 

Francisco Graziano, engenheiro agrônomo, mestre em economia agrária e ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, afirma se tratar de um erro a opção pelo consumo dos oxibiodegradáveis e questiona os riscos da fragmentação do composto em partículas invisíveis a olho nu e das emissões de gases de efeito estufa associadas à degradação, além da contaminação do solo por metais e outros compostos: 

“A tecnologia permite que o plástico se esfarele em pequenas partículas, até desaparecer ao olho nu, mas continua presente na natureza, agora disfarçado pelo reduzido tamanho. Com um sério agravante: quando vier a ser atacado pela ação dos microrganismos, irá liberar, além de gases de efeito estufa, como CO2 e metano, metais pesados e outros compostos, inexistentes no plástico comum. Pigmentos de tintas, utilizados nos rótulos, também se misturarão ao solo”.
Muito além da biodegradabilidade

Combater o desperdício de plástico atualmente envolve mais do que apenas procurar novos materiais. 

Mesmo com o uso de uma embalagem biodegradável, ecológica ou compostável, o descarte e a má gestão desses resíduos não deve ser encorajado. 

Em artigo sobre polímeros publicado na Scielo Brasil, José Carlos Pinto, professor integrante do quadro do programa de engenharia química da COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, questiona, com relação aos plásticos, a crença de que o ecologicamente correto é ser biodegradável. Ele aponta para a urgência da percepção de que se o material plástico se degradasse do modo como ocorre com alimentos e dejetos orgânicos, o resultante da degradação (por exemplo, metano e gás carbônico) iria parar na atmosfera e em mananciais aquíferos, contribuindo para o aquecimento global e para a degradação da qualidade da água e dos solos. Ele acredita na reversão da poluição gerada pelo material por meio da educação ambiental e de corretas políticas de coleta de resíduos e rejeitos. Descreve também que o fato dos plásticos não se degradarem facilmente se caracteriza em um diferencial que lhes dá a possibilidade de reutilização por muitas vezes, sua reciclabilidade, fator determinante ao enorme potencial de contribuição para a redução no consumo de matérias-primas, energia e racionalização do uso dos recursos naturais disponíveis, que se aproxima do conceito de Economia Circular.

Fonte: Ecycle

17 de out de 2018

Receitas de Adubo Natural

Para manter suas plantas saudáveis não adianta apenas molhar, é preciso também adubá-las. Você pode adubar suas plantas sem uso de nenhum aditivo químico, vejas as receitas e mãos a obra, as plantas agradecem.

1- Borra de café

A borra de café é um dos melhores adubos caseiros, especialmente para plantas de solo ácido como as roseiras, azaleias e mirtilos. Para utilizar você deve dissolver uma colher pequena de borra de café em 2 litros de água e aguar as suas plantas com essa solução. Evite o excesso; suas plantas devem receber essa mistura no máximo a cada 3 semanas.


2- Casca de ovo

Por conter altas doses de cálcio, a casca dos ovos é um dos excelentes adubos caseiros que ajudam a evitar pragas, especialmente em tomateiros e pimenteiras. Também é indicado para árvores frutíferas, rosas e ervas. Basta lavar bem as cascas e deixar secar. Depois, triture-as no liquidificador até formar um pó. Espalhe esse pó, em pequena quantidade, em torno da planta.

E para aplicar no seu jardim, basta uma colher de café em vasos pequenos, e duas ou três nos vasos maiores, que já é suficiente para beneficiar suas plantas. E a adubação pode ser repetida a cada 40 dias, caso seu jardim ainda necessite de uma boa adubação.


3- Casca de banana

O potássio encontrado na casca da banana é muito nutritivo para as plantas, pois facilita o processo de fotossíntese, da osmorregulação da água e também da formação de tecidos mais resistentes na planta. Para utilizá-la, faça um chá da casca de banana: ferva a água e adicione pequenos pedaços da casa, depois abafe. Espere esfriar e molhe suas plantas com esse chá. Você também pode cortar em cubinhos e distribuir junto aos arbustos, árvores, nos xaxins e vasos.


4- Ervas daninhas

A maioria das pessoas pensa que as ervas daninhas são somente prejudicial às plantas, mas elas podem funcionar também como um excelente adubo caseiro. Os nutrientes variam de acordo com a espécie. Por exemplo, a consuela possui altas doses de potássio; a urtiga possui ferro e nitrogênio e o dente de leão é rico em cálcio e magnésio. Para utilizar basta pegar uma bandeja, cobrir com um pano (que funcionará como peneira), colocar as ervas daninhas em cima do pano e então despejar água por cima, o suficiente para cobrir as ervas. Deixe em imersão por 10 dias para fermentar, mexendo um pouquinho todos os dias. Depois desse tempo, aplique as ervas como adubo.


5- Cinzas de madeira

As cinzas de madeira são também um dos ótimos adubos caseiros que podemos oferecer às nossas plantas pois são ricas em potássio e fósforo. Esses nutrientes contribuem para aumentar o aroma e o sabor das flores e frutos. São excelentes também para afastar pragas. Mas cuidado, pois as cinzas de madeira não são recomendadas para plantas de solo ácido. Para utilizar esse adubo você deve diluir a cinza em água e utilizá-la para regar as suas plantas.


6 – Adubo de legumes

As cascas de cenoura, chuchu, batata, abóbora, entre outros também é um excelente adubo caseiro. Corte-as em cubinhos e distribua-os nos vasos e xaxins. Podem ainda ser espalhados em canteiros e jardineiras. Os legumes são ricos em vitaminas e são excelentes para nutrição e beleza das plantas.


7 – Água de jarro

Sabe aquelas flores que estavam no jarro e murcharam? Pois bem, assim que se desfizer das flores, aproveite a água para regar as plantas. Como as flores ficaram na água por alguns dias, a água ficou rica dos nutrientes e estes servem para as plantas.


8 – Água de legumes

Quando for cozinhar legumes, evite colocar sal e gordura na água, assim ela poderá ser utilizada, depois de fria, para regar as plantas. Durante o cozimento, os legumes soltam seus nutrientes na água, são estes vitaminas e sais minerais, que são de fundamental importância para as plantas.





Permacultura - Princípios de Planejamento


Permacultura é um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza. Surgiu da expressão em inglês “Permanent Agriculture” criada por Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970. Hoje propõe uma “cultura permanente”, ou seja uma cultura que visa a nossa permanência neste planeta em harmonia com a natureza.

A permacultura possui três princípios éticos e alguns princípios de planejamento que são baseados na observação da ecologia e da forma sustentável de interação, produção e de vida das populações tradicionais com a natureza, sempre trabalhando a favor dela e nunca contra.

Os Princípios Éticos
Cuidar da terra
Cuidas das pessoas
Compartilhar excedentes

Os permacultores trabalham o viver através dos seus princípios que são uma aplicação prática da ecologia. Todo permacultor tem função de criar solo e armazenar água: que são a base da vida como conhecemos.
Princípios de planejamento

Em seguida estão apresentados os doze princípios de planejamento, que devem sempre estar de acordo com os princípios éticos, pois são guiados por esses.

Os doze princípios de planejamento permacultural foram desenvolvidos ao longo de mais de duas décadas e publicados em 2002 por David Holmgren através do livro “Permacultura: princípios e caminhos além da sustentabilidade”, publicado em português no Brasil em 2013. Segundo Holmgren (2013, p.12),

Os primeiros seis princípios consideram os sistemas de produção sob uma perspectiva de baixo para cima dos elementos, organismos e pessoas. Os demais seis enfatizam a perspectiva de cima para baixo dos padrões e relações que tendem a emergir por meio da auto-organização e coevolução dos ecossistemas.

São eles:

1. Observe e interaja – Sugere que as respostas sejam buscadas a partir da observação de eventos e objetos que se interconectam no desenvolvimento de um fenômeno. Muitas vezes as soluções são encontradas na visualização e correlação com padrões da natureza. Deve-se observar o sistema como um todo – de cima para baixo, relacionando a interdependência dos objetos. A interação deve se dar de baixo para cima – focando pontos que podem influenciar na mudança do sistema como um todo. Por exemplo, algumas plantas que podem ser consideradas como pragas, podem ser indicadores de falta ou excesso de algum nutriente no solo. Em vez de focar o trabalho na retirada dessas plantas, ou pior ainda no uso de herbicidas, pode-se tentar corrigir o solo com composto ou algum pó de rocha. Uma solução mais saudável para quem planta, para quem come e ainda não causa dependência do produtor precisar comprar um produto externo à propriedade – no caso do herbicida. Outra solução, seria observar se a planta “em excesso” pode ser consumida, e interagir dando outro uso para ela através da alimentação ou como planta medicinal.

2. Capte e armazene energia – No atual estado da sociedade industrial, a questão energética é um ponto chave a ser discutido e repensado. A permacultura considera que a sociedade precisa partir para um modo de produção de baixo consumo energético, principalmente externo. Isso perpassa pela questão do que se consome e do quanto e que tipo de energia foi utilizada na produção. Holmgren (2013, p.85) coloca que

Conceitos inapropriados de riqueza nos levaram a ignorar oportunidades de nos valer de fluxos locais e formas renováveis (…), fontes importantes de energia são atualmente pouco utilizadas, mas estão geralmente disponíveis para produzir uma maior autossuficiência pessoal ou local.

É necessário entender como a natureza capta e armazena energia para poder reconstruir o capital natural energético nas paisagens, nas regiões e microbacias, no ambiente doméstico, na cultura e pensar no seu uso apropriado. Não basta somente trocar o uso de combustíveis fósseis por energias renováveis, é necessário, antes reavaliar o nível de consumo. Reduzir para produtos ou serviços que durem mais tempo e repensar a utilidade de cada coisa antes de consumir.

3. Obtenha rendimento – Além de pensar em soluções a longo prazo que melhorem as condições de vida no planeta, é necessário obter um rendimento a curto prazo. As necessidades humanas diárias de alimentação, abrigo, disponibilidade de água, precisam ser supridas. Em nossas práticas cotidianas, devemos “desenhar sistemas e organizar nossas vidas de modo a obtermos rendimento através de meios que otimizem a potência de trabalho útil de tudo o que fazemos” (HOLMGREN, 2013, p.126). Esse rendimento pode ser buscado de uma maneira que seja saudável para as pessoas envolvidas e em harmonia com a dinâmica natural local e regional. Para isso há alguns itens que podem ser considerados:
conservar a energia no sistema – pensando a questão da água por exemplo, pode se criar maneiras de se aproveitar a disponibilidade de água local através da captação de água da chuva, uso das águas provenientes do uso doméstico em banho e cozinha para nutrição de bananeiras através do sistema de tratamento de água com círculo de bananeiras. Em relação ao aquecimento de águas para banho ou pias, em locais ou períodos de frio intenso, pode-se utilizar calor solar ou calor produzido em fogão à lenha;
produzir alimentos de base (bem adaptados ao ambiente local) – é comum em diferentes tipos de ambientes que algumas espécies sejam bem adaptadas, sejam elas nativas ou não, e produzam alimentos que podem servir como base da dieta da população local, como mandioca, batatas, milho, feijões e outros cereais para os povos nativos na América do Sul;
cultivo de espécies rústicas, que trazem rendimento e não precisam de muito cuidado, como forrageiras (para alimentação de animais e/ou uso na compostagem), plantas alimentícias espontâneas, algumas espécies medicinais e madeireiras;
aumentar a fertilidade dos solos para uma maior produção de alimentos com melhor qualidade nutricional. Dentre os itens de consumo humano, os alimentos estão entre os mais primordiais. Investir em um solo fértil é investir em segurança alimentar.

Com os excedentes, pode se pensar em alternativas de consumo ou de comercialização. Por exemplo, as árvores frutíferas costumam trazer uma abundância de frutificação em um período concentrado do ano. O beneficiamento dessas frutas através do feitio de conservas, geleias, chás, frutas secas, sucos e polpas podem trazer um aproveitamento da produção por mais tempo e também uma diversidade maior de alimentos ao longo do ano. Esses excedentes, desde a fruta in natura, até os produtos beneficiados também podem ser comercializados em forma de venda ou troca. Assim como sugere Holmgren, “os excedentes e os excessos podem ser um incentivo para encontrar novos modos criativos de se obter um rendimento” (2013, p.133).

4. Pratique a autorregulação e aceite conselhos (feedbacks) – A autorregulação é um dos objetivos do planejamento de um sistema, ainda que jamais seja totalmente alcançado. Como não temos controle dos inúmeros fatores que envolvem cada processo, por vezes são necessárias interferências ou manutenções. A interação com a natureza pode fornecer feedbacks positivos que contribuem para ampliação da produção ou feedbacks negativos, que podem diminuir a produção, por algum motivo, evitando que o sistema todo entre em colapso. Quando uma população está construindo uma autossuficiência, ela está mais próxima de receber feedbacks que são importantes para a humanidade como um todo, mas que devido ao estilo de vida da sociedade moderna, ficam ocultados para a maioria das pessoas, ou só ganham visibilidade quando ocorre uma catástrofe ou um evento de grande proporção. Holmgren (2013) dá o exemplo do cultivo de um bosque para produção de lenha e consequentemente energia. Uma comunidade buscará utilizar a madeira de maneira adequada para que sempre haja lenha disponível. Já no modelo moderno, o consumidor de energia elétrica que é gerada a muitos quilômetros de distância, fornecida pelas empresas privadas e estatais, não consegue ter noção das consequências que esse sistema trás a curto, médio e longo prazo, como comunidades atingidas pelas barragens, desflorestação, diminuição da fauna, desequilíbrio de ecossistemas inteiros, consequentemente causando êxodo rural, perda de saberes tradicionais, descontrole climático e perda da biodiversidade.

5. Use e valorize os serviços e recursos renováveis – Segundo Holmgren (2013, p.173), o designpermacultural deve ter por objetivo fazer o melhor uso de recursos naturais renováveis para o manejo e a manutenção das produções, ainda que seja necessário lançar mão de alguns recursos não renováveis no estabelecimento do sistema.

Para isso, é necessário anteriormente ao uso dos elementos, se há outras possibilidades de atender a demanda através de estratégias que não consuma elemento algum. Por exemplo quando plantamos arbóreas caducifólias próximas a uma edificação, diminuímos a demanda por energia. Porque no período de verão elas projetarão sombra na edificação, ajudando a manter o ambiente mais fresco e no inverno as folhas caem, proporcionando mais calor solar no ambiente no período frio. Tornando-se assim menos necessário o uso de energia artificial para o controle térmico do ambiente. “É apropriado fazer uso diário relativamente efêmero do sol, das marés, da água e do vento, pois são energias diárias ou sazonalmente renováveis” (HOLMGREN, 2013, p. 175).

6. Não produza desperdícios – A minimização de desperdícios pode se dar através de cinco atitudes: recusar, reduzir, reaproveitar, reparar e reciclar. Vê-se que na sociedade moderna, o discurso ambiental é absorvido somente quando se vê nele uma possibilidade de criar mercados, com produtos e serviços com rotulagem “ambientalmente correta”. Nesse sentido as empresas pouco ou nada falam das quatro primeiras atitudes mencionadas e focam apenas na reciclagem, que sozinha não é capaz de superar os problemas socioambientais gerados pela sociedade de consumo. Um bom exemplo a esse respeito são os produtos gerados com reciclagem de garrafas PET. O consumidor compra, considerando que está fazendo sua parte para a conservação da natureza, quando na realidade todos as quatro atitudes deveriam ser ponto de reflexão antes da compra de qualquer produto. Ao invés da compra de uma camiseta de PET ou qualquer outro produto industrial, o consumidor pode investir por exemplo na compra de produtos em feiras orgânicas, ou em alguma oportunidade que estimule a autossuficiência. Devemos buscar dimensionar nosso consumo e optar sempre por produtos e serviços não industrializados, de produtores locais. Certamente a questão do desperdício e do consumo perpassam por questões de valores sociais e individuais relacionados ao que uma sociedade precisa para ser saudável e ao que os indivíduos precisam para serem felizes. Com a grande mídia induzindo a compra aliada a prazer e felicidade, as pessoas tendem a viver e trabalhar para aumentar o poder de consumo. Ainda que uma readaptação da indústria para modelos menos ofensivos e poluidores seja algo positivo, deve-se aceitar esse momento apenas como uma transição para uma sociedade de baixo consumo e em harmonia com os ciclos naturais. O reaproveitamento dos produtos abundantes é necessário atualmente, mas apenas como medida transitória.

7. Design partindo de padrões para chegar aos detalhes – Esse princípio remete ao desenvolvimento de “uma linguagem de padrões de planejamento em permacultura ao focalizar exemplos de estruturas e organizações que parecem ilustrar o uso equilibrado de energia e recursos” (HOLMGREN, 2013, p. 219). Na busca por uma sociedade adaptada aos ciclos naturais, nossos esforços estarão mais no sentido de adaptar-nos aos padrões naturais locais, que buscar inovações tecnológicas para reparar nossos erros. Dentro disso entram as escalas de planejamento, que na permacultura estão organizadas basicamente através de zonas conforme a intensidade de uso, inclinação do terreno e também na observação dos setores de sol, vento, umidade, água, fogo, dentre outros.

8. Integrar ao invés de segregar – Tanto entre seres humanos, quanto nas relações entre elementos naturais e outros animais, as relações estabelecidas são importantíssimas para a vida e a dinâmica desses grupos. A permacultura acredita que relações cooperativas e simbióticas tendem a contribuir mais do que relações meramente competitivas, na construção de uma sociedade com práticas adequadas em harmonia com a natureza. Holmgren coloca que “nas sociedades tradicionais estáveis, nas quais todos os recursos estão totalmente alocados papéis definidos, obrigações mútuas, contribuições, impostos e outros mecanismos sociais prevalecem sobre os competitivos” (2013, p.269). Um dos grandes exemplos que pode ser utilizado para esse princípio é o uso da criação de galinhas dentro de um sistema agroflorestal, onde a ave pode viver livremente e tem alimento disponível em abundância, bem como fornece adubação do solo através do esterco desse animal.

9. Use soluções pequenas e lentas – A sociedade moderna valoriza a velocidade, seja no transporte, seja na produção, seja nas relações de consumo. Holmgren (2013, p.296) diz que

A ideia de que o mais rápido é melhor na produção agrícola e industrial, no transporte, na comunicação e nas viagens, na alimentação e em quase todos os aspectos da vida está profundamente enraizada como uma norma cultural.

Pequenas e certeiras estratégias de manejo, trazem resultados lentos, mas que podem ser eficazes e duradouros. Esse princípio pode ser aplicado em escala doméstica e pessoal quando buscamos soluções que interfiram em pequena escala, mas que trazem um resultado a longo prazo. Também em escala local e regional quando, por exemplo, o comércio é voltado à produção local de pequenos produtores, que demandem menos deslocamento e velocidade no transporte.

Holmgren, coloca ainda que “a natureza inapropriada da tecnologia moderna deve-se a sua larga escala, a sua natureza centralizada e tecnicamente complexa e a sua inflexibilidade quando aplicada em diferentes ambientes e contextos culturais” (2013, p.296).

10. Use e valorize a diversidade – O planeta que habitamos é composto por uma imensa variedade de espécies animais e vegetais, culturas, solos, que formam diversos biomas e paisagens. Já se conhece as consequências que tem as monoculturas induzidas pelos seres humanos, seja em nível de saúde – em decorrência da baixa variabilidade de nutrientes na dieta alimentar e o alto nível de agrotóxicos, seja em nível de relações entre povos – com guerras e atos violentos que trazem uma imposição de uma cultura sobre outra, principalmente por questões de poder nos territórios. A diversidade é intrínseca naturalmente à nossa vida, e devemos desfrutá-la, aprender com ela e cultivá-la, seja na produção alimentícia, seja no convívio humano. Somente através de um caminho que aceite e proporcione a diversidade, é que se pode garantir segurança alimentar e harmonia nas populações humanas.

11. Use os limites e valorize o marginal – Na natureza, as zonas periféricas – limites e conexões entre um sistema e outro, seja um ambiente, um ecossistema ou um bioma – são pontos ricos em diversidade e energia. É no contato entre a atmosfera e a crosta terrestre que está contida a vida e diversos processos energéticos presentes no planeta Terra. Por exemplo, “os limites terrestres sustentam um número maior de espécies de aves do que qualquer sistema de vegetação, pois os recursos de ambos os sistemas estão disponíveis” (HOLMGREN, 2013, p. 341). Este princípio funciona com base na premissa de que o valor e a contribuição das bordas e os aspectos marginais e invisíveis de qualquer sistema deveriam não apenas ser reconhecidos e preservados, mas que a ampliação desses aspectos pode aumentar a estabilidade e a produtividade do sistema. Por exemplo, aumentando-se a borda entre o terreno e a margem de uma represa pode-se aumentar a produtividade de ambos. Um design que percebe o limite como uma oportunidade e não como um problema tem maiores chances de sucesso e adaptação (HOLMGREN, 2007).

12. Use a criatividade e responda às mudanças – Por mais que o planejamento aconteça de forma mais ampla antes da execução ou no começo, é necessário que ele seja constantemente reavaliado conforme os resultados obtidos. Holmgren (2013) afirma que a permacultura se refere à durabilidade dos sistemas vivos naturais e da cultura humana, mas essa durabilidade depende paradoxalmente em grande medida de flexibilidade e mudança. Alguns fatores que estão fora de previsão podem influenciar em resultados não esperados. Por isso a criatividade se faz necessária para conseguir superar mudanças inesperadas.

Referências Bibliográficas

HOLMGREN, David. Permacultura: princípios e caminhos além da sustentabilidade. / David Holmgren; tradução Luzia Araújo. – Porto Alegre: Via Sapiens, 2013. 416p.

Texto: Leticia dos Santos e Marcelo Venturi

Fonte: Permacultura        Via: Recriar com Você