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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

30 de set de 2011

Ordos Art and City Museum, no deserto da Mongólia Interior

O desafio de criar algo sem referências arquitetônicas

O Ordos Art and City Museum, na Mongólia Interior, fica em uma colina inclinada, um gesto que imita as dunas ondulantes do deserto ao redor
(crédito: Iwan Baan)
O Museu de Arte da Cidade de Ordos fica nesta nascente cidade, em pleno deserto da Mongólia Interior, e é o primeiro edifício público projetado pelo MAD Architects, estúdio que reúne alguns dos mais promissores jovens arquitetos da China. O estúdio de Pequim é dirigido por Ma Yansong, um chinês que estudou arquitetura em Yale e trabalhou para mestres como Zaha Hadid e Peter Eisenman antes de estabelecer seu próprio negócio em 2004.
“No início, os funcionários da administração municipal não tinham uma idéia clara do que pretendiam. Eles nos deram uma idéia de qual o tamanho que eles queriam que fosse e, em seguida, disseram: ‘Queremos um museu’. Tínhamos que tomar inúmeras decisões por conta própria. Com o tempo, veio a decisão de transferir os artefatos do Museu de História, existente na parte antiga da cidade, para o novo edifício”, diz Yansong. A proposta dos arquitetos é que o Museu incorpore acervos de arte moderna também, como forma de fornecer ao povo de Ordos um sentido de sua própria evolução.
O museu de Ordos é, junto com o Absolute Towers, que está sendo finalizado em Mississauga, Ontário, o primeiro de uma série de grandes projetos do MAD. Antes disto o escritório desenvolveu pequenos projetos, como a Hutong Bubble 32, em Pequim, e o Meadow Clubhouse, também na Mongólia Interior. Aliás, graças a este último o MAD ganhou o projeto do Ordos Museu.
Atualmente a equipe dirigida por Yansong  está em vias de entregar uma torre residencial de 100 metros de altura no sul da China e trabalha em dois grandes projetos residenciais em Roma e Amsterdam.
O arquiteto Ma Yansong
O museu destaca-se pela sua forma incomum, como um feijão. Yansong  diz que a ideia  surgiu na primeira vez que visitou o terreno onde iria ser implantado o museu. “A primeira vez que visitei o local, eu tomei um microônibus na cidade velha em direção a este deserto vazio. O ônibus parou de repente e eu perguntei ao motorista onde estávamos. Ele disse que este era o lugar onde o governo estava construindo a nova cidade. Desci do ônibus e vi apenas um edifício e mais nada. Então eu subi para o telhado e olhei em volta. O sistema viário já estava no lugar, mas não havia prédios. Não havia nada. A Mongólia Interior é marcada por paisagens horizontais: as dunas de areia, a terra varrida pelo vento, e um céu imenso. Eu decidi fazer um edifício que iria ser definido pelo deserto. Mesmo que o museu se situe dentro de um contexto urbano, eu queria que ele se conectasse diretamente com o deserto. Nós o projetamos como se fosse parte dessa paisagem intemporal.”
Duas galerias em ambos os lados do lobby são acessadas por uma série de passarelas que se entrecruzam
A Mongólia Interior possui uma área muito extensa, com apenas quatro cidades. A região de Ordos é extremamente rica em termos de recursos naturais, com muitas minas de carvão e vastos suprimentos de gás natural. A riqueza atrai o crescimento e tanto o governo local quanto os investidores privados estão correndo para construir uma cidade para tirar proveito da região. Mas, ao contrário de outras regiões onde a terra foi tomada pela especulação, em  Ordos a população local foi bem paga por suas terras. Isso criou um novo problema. Os novos ricos locais estão comprando casas, carros e bens de consumo a um ritmo tal que a inflação regional está explodindo. O custo de vida em Ordos está ficando alto e já é quase impossível para as pessoas de fora se mudarem para lá.
Yansong foi obrigado a criar praticamente do zero. Ordos não pode ser considerada ainda uma cidade. Não há qualquer referência arquitetônica. Os arquitetos tiveram que trabalhar com outras influências, buscadas na história local. A cultural mongol foi construída a partir de um passado guerreiro. Isso determina seu modo de vida atual, eles têm disposição e coragem para experimentar o novo, permitindo que o edifício do museu fosse algo completamente diferente de qualquer outro no mundo.
No intuito de complementar a horizontalidade da paisagem, foram utilizados painéis curvados de alumínio retangular. As linhas onduladas do museu passam uma sensação de movimento e o paisagismo, sem vegetação, evoca o deserto, com tão somente uma pedra amarela em forma de onda. O edifício ganha um aspecto de concha protetora a partir do exterior.
A sensação de caminhar por uma paisagem abstrata é reforçada por janelas com formas orgânicas ao longo dos espaços interiores
No interior, um lobby central une duas grandes galerias, num espaço acolhedor onde se sente como se estivesse em um canyon. Neste espaço a luz natural entra pela clarabóia destacando as pontes que conectam as galerias. A luz torna difusa as fronteiras internas, mas cria a impressão de que é acentuada pela forma orgânica das pontes. Os espaços das galerias, devido à falta de conhecimento prévio do caráter das exposições, foram concebidos para ser bastante flexíveis.
Yansong diz que desde a concepção do projeto os funcionários municipais que o aprovaram, e mesmo o público em geral, o vêem como algo vindo do espaço, um elemento alienígena. “Foi algo que eu gostei,” diz ele. “Não gostaria que as pessoas pensassem que tomei algum estilo de arquitetura emprestado para o projeto, eu queria criar um tipo diferente de arquitetura. Se querem chamá-la de alienígena, eu acho ótimo. Estou orgulhoso com o espaço, ele funciona porque tem uma escala humana. Minha impressão é que com o tempo , quando a cidade amadurecer, o museu passará a fazer parte de uma nova cultura integrada à história local, mas inspirando algo novo.”
Cercado por pedra amarela, o paisagismo sem vegetação do museu se tornou um lugar popular para os moradores que apreciam o seu silêncio.

Fonte: Azure Magazine     Via: e/a