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Como criar espaços confortáveis e sustentáveis sem desperdiçar recursos

A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...

Ciclo de Vida dos Edifícios

Desde o projeto, passando pela construção, até ao seu desmantelamento, o edifício, tal como um organismo vivo, nasce e morre. Seria no entanto preferível que esta obra do homem também pudesse seguir a regra dos 3R’s: reduzir, reutilizar e reciclar. Assim, mais do que uma análise económica, a observação do Ciclo de Vida de um Edifício é um balanço de custos e recursos ecológicos, sociais, humanos e energéticos.

A Avaliação do Impacte Ambiental (AIA) de uma construção e a sua Análise do Ciclo de Vida (ACV) estão interligadas, já que a AIA é um inventário analítico dos fluxos (consumos e emissões) de energia e matéria (inputs eoutputs de serviços e características de conforto) ao longo do Ciclo de Vida do Edifício.
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Fonte: Peuportier

A AIA serve-se de ferramentas científicas bastante elaboradas para o seu cálculo, pois são muitos os intervenientes no empreendimento de um Edifício.

/Observemos as diversas fases desta complexa avaliação:

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Podemos, então, falar de AIA a nível local (região, biótopo – urbe, paisagem), do edifício (consumos, emissões, energia incorporada, qualidade do ar interior, eficiência no desempenho) e do projecto (antecipação e flexibilidade funcional, et altre), p. e. 
Por outro lado, podemos falar de ACV de produtos e serviços (energia, infra-estruturas, construção, cidades).

O edifício deixa uma pegada ecológica desde a extracção dos seus materiais, à reciclagem dos mesmos ou até à reciclagem dos elementos e componentes construtivos (portas, vidros, …). A construção de cidades e edifícios podem ajudar a regular a poluição e o impacto ambiental como o efeito de estufa, a depredação de recursos naturais, o smog (nevoeiro), a acidificação, a eutroficação, a radiação e em geral as emissões poluentes. Cabe ao projectista, ao construtor, ao dono de obra e aos utentes do edifício que diminuam os seus impactos. 

Analisemos, primeiramente, o seu Ciclo de Vida:

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Atentemos às boas práticas ao longo do seu Ciclo de Vida:

Durante a fase de Projecto, além de todas as considerações com o contexto do lugar (clima, topologia, ecologia, cultura, história, etc.), quando o projectista considera o layout, i.e., a organização funcional, formal e tipológica do edifício, deve antecipar possíveis modificações com vista a uma reutilização ou ampliação e pensar a longo prazo. Assim, seria favorável se a grelha estrutural fosse simples e que os serviços fossem estrategicamente distribuídos de modo a que o restante espaço possa ser o mais flexível possível. Deve também ser ponderada uma boa acessibilidade a reparações, manutenção ou remoção de elementos. Ainda a serem pesados são o risco, segurança e impactos na especificação de materiais e técnicas de construção. 

Durante a construção, devem ser tidos em conta a energia incorporada e os impactos ambientais dos métodos e técnicas de construção e dos materiais utilizados. Deve ser favorecido o uso de elementos pré-fabricados (de preferência estandardizados) e/ou desmontáveis e, ainda, evitar a inter-penetração de materiais e elementos, adoptar juntas secas, e também usar componentes e materiais duráveis, ecológicos e recicláveis. Deve ser levada a cabo a reciclagem de desperdícios e outros poluentes de obra.

A certificação vem viabilizar a utilização do edifício, monitorizando a sua eficiência energética (performance térmica e de climatização) e ainda a qualidade do ar interior. Para facilitar a uso eficiente do edifício, dever-se-ia idoneamente facultar um guia de utilização na sua recepção, onde se indicaria o uso adequado de equipamentos, energia e recursos e ainda alertar para a diminuição de emissões poluentes da água, solo e ar. Ainda, durante a utilização, a manutenção e a reparação devem ser mínimas, e a limpeza deve ser feita com materiais ecológicos e de baixo impacte ambiental.

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Ari Ilomäki - Design includes service life planning

No caso de reutilização esta só será viável se o edifício tiver sido projectado para ser flexível e adaptável. Se o edifício for considerado obsoleto, é levado a cabo o seu desmantelamento, em que é assegurada a separação e reciclagem de materiais, componentes e restantes desperdícios, sendo aqui evidente o risco de materiais e elementos compósitos.

No Ciclo de Vida de um Edifício Sustentável, tenta-se diminuir o seu impacte ambiental e energia incorporada desde a escolha de materiais e técnicas de construção até à sua reciclagem, sendo deste modo preferido um processo ‘cradle to cradle’, ou seja um processo fechado e interminável quanto possa, do que um ‘cradle to grave’.

É impressionante como poderíamos infinitamente esboçar ciclos de vida, aplicando as regras da ecologia, desde a escala dos materiais e componentes, passando por equipamentos e construções, até às urbes e o próprio planeta.
Você sabia?

A construção absorve 50% dos recursos materiais, sendo destes 45% da energia, 40% água, 60% do solo e 70% da madeira mundiais?

Os edifícios com critérios sustentáveis reduzem 40% do consumo de água, propagação e emissão de resíduos e extracção de materiais naturais?

Os edifícios sustentáveis reduzem 40% a 50% das emissões de CO2?

Os urbanistas despendem 80% do seu tempo dentro de edifícios trabalhando, convivendo, vivendo…?
Fonte: Quercus

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