Pular para o conteúdo principal

Como criar espaços confortáveis e sustentáveis sem desperdiçar recursos

A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...

Sustentabilidade para quem?


Não basta seguir à risca a legislação ambiental para ser sustentável. Ser eco-eficiente nos meios de produção atenua impactos, mas não resolve a questão. A obtenção de selos e certificações confirma o compromisso de fazer o melhor possível, mas fazer o melhor possível nem sempre é o suficiente. É dura a constatação de que a [...]
Não basta seguir à risca a legislação ambiental para ser sustentável. Ser eco-eficiente nos meios de produção atenua impactos, mas não resolve a questão. A obtenção de selos e certificações confirma o compromisso de fazer o melhor possível, mas fazer o melhor possível nem sempre é o suficiente. É dura a constatação de que a sustentabilidade – entendida como conceito central de um modelo econômico, político, social, cultural e ambiental equilibrado, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades – ainda é uma utopia.
Estamos à procura de um novo modelo econômico que assegure ao mesmo tempo a produção de riqueza bem como a geração de emprego e renda. Uma alternativa ao sistema hegemônico no mundo, e descrito há quase 18 anos no relatório final da Rio-92 como um modelo de desenvolvimento “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto” -
Mas enquanto as ciências econômicas não perceberem o óbvio – os limites estabelecidos pela capacidade de suporte do planeta e os riscos inerentes ao colapso dos ecossistemas, amplamente denunciados pelas comunidades científica e acadêmica – continuaremos privilegiando o velho e surrado mantra do capitalismo que elege o melhor negócio como sendo aquele que promove a maximização dos lucros no menor intervalo de tempo possível. Evidentemente que isso não é sustentável. O “business as usual” preconiza horizontes sombrios no longo prazo em detrimento de uma pretensa altíssima taxa de retorno do capital investido no curtíssimo prazo. É preciso fazer uma escolha, como adverte o economista Eduardo Giannetti da Fonseca no excelente livro “O Valor do Amanhã” (Companhia das Letras, 2005). Trata-se de uma escolha ética, capaz de inspirar novos modelos de planejamento onde a justa pretensão do lucro se adeque aos novos tempos. Como nos adverte o professor Ladislau Dowbor, da PUC/SP, “crescer por crescer é a filosofia da célula cancerosa”. As críticas consistentes ao produtivismo abrem espaço para novos rumos de investigação científica na direção de expressões bastante sugestivas como “decrescimento” ou “retirada sustentável”.
Qual a civilização que queremos? A que reforça as expectativas de que para sermos felizes precisamos consumir, um dia, o que um americano médio possui (mesmo sabendo de antemão que não há planeta suficiente para isso)? Ou podemos almejar outro modelo civilizatório, onde todos tenham direito a uma vida digna e plena, com a satisfação de suas necessidades básicas – alimentação, saúde, moradia, educação, lazer, etc  – e a chance de cada um poder desenvolver suas potencialidades? Nessa civilização, os meios de produção seriam capazes de satisfazer necessidades demarcadas por uma realidade inexorável: ou a economia se ajusta aos limites do planeta, ou não haverá planeta para suportar a economia.
Os impressionantes recordes do PIB chinês, incensados por quem insiste em perceber a situação econômica de um país a partir de um indicador estreito de percepção da realidade, não embutem externalidades que começaram a preocupar o próprio governo daquele país. A péssima qualidade do ar, a exaustão dos nutrientes do solo, a escassez de recursos hídricos e um regime de trabalho que suprime direitos assegurados na maioria dos países desenvolvidos configuram um mosaico que levou o Congresso do Partido Comunista chinês a reconhecer em 2007 a  importância da “Perspectiva Científica para o Desenvolvimento” e da proposta de desenvolver uma civilização “ecológica”. Como resumiu Fei Yunliang, delegado do PC chinês na ocasião : “O crescimento às custas do meio ambiente e da ecologia violou as normas de desenvolvimento, prejudicou a produtividade e certamente poderá gerar um retrocesso”. O gigante chinês é hoje o mais fiel retrato desse momento de transição entre dois modelos de desenvolvimento.
Se a China já ultrapassou os Estados Unidos nas emissões globais de gases estufa (tal como os EUA, a principal fonte de energia dos chineses é o carvão mineral), também é verdade que o país lidera os investimentos em energia eólica, solar e no chamado “carvão limpo” (clean coal). O que está por trás de toda essa nova cadeia de investimentos na China é o risco de o país perder mercado num futuro próximo onde a economia de baixo carbono ganha prestígio e escala, e também o desejo de reduzir o desperdício e a dilapidação do capital natural já expressos numa conta feita em 2004 pelo regime : naquele ano, a poluição custou à China mais de 3% de seu PIB, algo em torno de U$ 64,3 bilhões.
Como se vê, mudar a cultura gerencial, o jeito de fazer negócios e de se planejar os rumos de uma empresa não são uma opção, uma alternativa ou um capricho. Esta nova dimensão ética já é realidade onde exista a compreensão de que aquilo que não for bom para todos, não será bom para ninguém.
André Trigueiro
(artigo escrito para a Revista Opiniões em 12/10/2010).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CALFITICE

Beleza e harmonia são características intrínsecas desta técnica Calfitice é uma mistura para diferentes aplicações. O próprio nome explica a técnica: Cal + Fibras + Tierra + Cemento (em espanhol). Sua origem é colombiana, onde foi aprimorada pelas mãos de Luis Carlos Rios, Engenheiro especialista em Geobiologia. Diferente das misturas de solo-cimento ou solo-cal onde a mistura é em estado semi-úmido no calfitice o a mistura é em forma de pasta, a fibra é o elemento que evita a trinca. Sua versatilidade em seus diferentes traços permite vários usos: revestimentos de paredes (convencionais, de madeira ou de terra), relevos artísticos, coberturas e também como estruturas. Fonte:  http://www.ecocentro.org/   Telhado em Calfitice Externo Telhado em Calfitice Externo

Casas Sustentáveis

Diversos modelos e ideias ou projetos de casas sustentáveis bem legais! Divirta-se e apreciem os modelos sem moderação! Captação de água e circulação de ar que mantém a temperatura agradável.  Ideias para aplicar em casas já construídas! Telhado verde! Tendência e obrigatoriedade em alguns países! Este modelo apresenta novas tecnologias! Lâmpadas com energia eólica! Captação de água e armazenamento. Fonte: Bioconservation

Política de Privacidade e Cookies

Política Privacidade A sua privacidade é importante para nós. É política do Arquitetura Sustentável respeitar a sua privacidade em relação a qualquer informação sua que possamos coletar no site Arquitetura Sustentável , e outros sites que possuímos e operamos. Solicitamos informações pessoais apenas quando realmente precisamos delas para lhe fornecer um serviço. Fazemo-lo por meios justos e legais, com o seu conhecimento e consentimento. Também informamos por que estamos coletando e como será usado. Apenas retemos as informações coletadas pelo tempo necessário para fornecer o serviço solicitado. Quando armazenamos dados, protegemos dentro de meios comercialmente aceitáveis ​​para evitar perdas e roubos, bem como acesso, divulgação, cópia, uso ou modificação não autorizados. Não compartilhamos informações de identificação pessoal publicamente ou com terceiros, exceto quando exigido por lei. O nosso site pode ter links para sites externos que não são operados por nós. Esteja ciente de qu...