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Pesquisadora nas áreas de sustentabilidade e saúde da habitação. Tem como objetivo projetar e prestar consultoria a clientes com interesse na busca pelo Viver Saudável, uma interação equilibrada entre meio ambiente, pessoas  e o Lar em que habitam.

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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

14 de abr de 2011

O jardim subiu no telhado

Plantar jardins ou mesmo capim no teto das casas não é exatamente uma idéia moderna. Os telhados verdes existem há milhares de anos. Povos tradicionais da América Central já usavam essa técnica para criar isolamento térmico em suas casas. Na Europa, a tradição também vem do século XIX. Nos países nórdicos, colocar plantas sobre o teto era a forma de garantir o calor da casa antes da invenção dos aquecedores. Com o desenvolvimento das cidades e das tecnologias modernas de calefação, as cabanas com telhados cobertos por feno desapareceram. A antiga tecnologia verde foi considerada obsoleta. Mas, com a urgência das mudanças climáticas, os arquitetos de hoje buscam todas as formas possíveis de reduzir o consumo de energia. E o mundo está resgatando – com adaptações – os métodos ancestrais.
Na Alemanha, há bairros urbanos inteiros que voltaram a ganhar os tetos verdes. Já há mais de 1.500 empresas especializadas nesse sistema no país. Quem tem área construída e não capta água da chuva leva multa. Quem constrói um telhado verde e maneja a água que cai sobre a própria casa recebe um subsídio do governo. Os dados de 2001 mostram que o país ganhou em 20 anos 14 milhões de metros quadrados de tetos verdes. Nos Estados Unidos, existem 500 empresas especializadas em construções com telhados verdes. A Ford, em Michigan, instalou um telhado verde em toda a extensão da fábrica e tem economizado 30% de energia com refrigeração.
     
ESTILO REVISITADO 
O prédio da Prefeitura de São Paulo (à esquerda) tem um jardim há 50 anos. Agora, a Prefeitura de Chicago, (centro) e o Trump Tower Center, em Nova York (à direita), adotaram a técnica

A primeira vantagem do sistema é que a camada de terra e de matéria orgânica viva (das plantas) funciona como isolante térmico. Em locais quentes, as plantas no telhado mantêm frescor e, em locais frios, guardam o calor. Nos países frios, a calefação é o principal gasto de energia. A vegetação no teto também regula o escoamento da água das chuvas.
Normalmente, toda a água que cai sobre os telhados normais vai direto para o sistema de drenagem público. “A água e a falta de planejamento urbano acabam causando enchentes e sobrecarregando os rios,” afirma André Soares, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, em Goiás. A água que sai do jardim suspenso, além de regar as próprias plantas, pode ser recolhida em um reservatório e usada para descarga de banheiro e lavagem de quintal.
No Brasil, o holandês Yojan Van Legen, autor do livro Manual do Arquiteto Descalço, tem construções com telhado verde há mais de 15 anos. Ele coordena o Instituto Tibá, de tecnologia intuitiva e bioarquitetura, no Rio de Janeiro. Seus projetos estão virando objeto de estudo dos arquitetos. Soares, de Goiás, também pesquisa a técnica há dez anos. “O telhado verde é sexy. Ele ameniza a temperatura da casa, tem utilidade pública e ainda é bonito.”
Um grupo de arquitetos da empresa Triptyque está finalizando um projeto de prédio de quatro andares em São Paulo que tem não apenas o teto verde, mas as paredes também. “Nossa idéia nunca foi fazer um prédio com excelência ecológica”, diz a arquiteta Carol Bueno. “A idéia é criar um local para o bem-estar e que trabalhe as necessidades do mundo moderno. Entre elas, a escassez de água.” Segundo os arquitetos, as paredes têm fissuras com terra onde serão plantadas 5 mil mudas.
A instalação dos telhados verdes exige cuidados. Primeiro, é preciso se certificar que a estrutura da casa agüenta o peso da terra, das plantas e da água que se acumulará ali. A maioria dos tetos verdes tem apenas uma fina camada de terra e plantas de pequeno porte, como arbustos. Mas, em construções com estrutura mais forte, pode haver uma camada maior de terra e plantas maiores, como árvores e palmeiras. O teto do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo, tem há meio século pés de café, coqueiros, eucaliptos e pau-brasil.
O ponto mais crítico é fazer uma boa impermeabilização, para que a água do solo não se infiltre no teto da casa. No Instituto Tibá, Legen usa um produto natural: sumo de cactos. “Nossa técnica é baseada na dos astecas, mas nós misturamos cimento ou cal”, afirma. Por cima, ele coloca uma camada de areia e depois alguns centímetros de terra. “Quando encontram a areia, as raízes param de crescer.”
VEGETAÇÃO 
Carol Bueno e seus colegas da Triptyque. A empresa projeta um prédio com plantas nas paredes
A empresa paulista Cidade Jardim, inaugurada no ano passado, usa técnicas mais modernas. “Para impermeabilizar, colocamos uma camada de polipropileno de alta densidade”, diz o agrônomo Sérgio Rocha, dono da empresa. “Com isso, garantimos o sossego de que a água não causará infiltração.” Ele adotou um sistema alemão para que parte da água fique acumulada em pequenas valas da estrutura, servindo de irrigação para as plantas. O sistema não é barato. O gasto para substituir telhas por uma laje devidamente impermeabilizada fica em torno de R$ 150 por metro quadrado. Por isso, Rocha diz que as prefeituras deviam estimular o sistema. Afinal, elas reduzem os riscos de enchentes.
Os telhados verdes têm benefícios adicionais. Ao crescer, as plantas absorvem do ar o gás carbônico, principal responsável pelo aquecimento global (é o que se chama de “seqüestro de carbono”). A vegetação também filtra o ar poluído das cidades. E a superfície com plantas absorve menos calor do sol que os tetos de cimento ou telhas. Uma área urbana bem arborizada pode ficar até 3 graus centígrados mais fresca que uma região com cimento e asfalto. Os novos jardins suspensos ainda ajudam a preservação da fauna. “Com a criação desses hábitats, os animais das regiões verdes no entorno das cidades começam a interagir com os bairros outra vez”, afirma Marina Portolano, ecóloga do Tibá. “Os telhados com plantas podem até servir de local para pouso de aves migratórias, que em outra situação não teriam onde descansar.” 
Fotos: Gaber Palmer/Alamy/Other Images, Rogério Albuquerque/ÉPOCA, divulgação e Tuca Vieira/ÉPOCA