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Terra: Jardins nas alturas - Green Roof

Quando se mudou para a cobertura de um charmoso prédio no Upper West Side, em setembro de 2005, o empresário do mercado financeiro Scott Johnson decidiu construir um jardim na laje de concreto. Em pouco tempo, floreiras com arbustos e tulipas sobrepuseram-se ao cinza, o espaço ganhou cadeiras, mesas e esculturas de metal que balançam ao sabor do vento. Virou o lugar favorito da casa.

"Meu e dela", diz ele, apontando para a cachorra Shiva, que adora brincar com as flores. "Aqui descanso, aproveito o sol da manhã, recebo meus amigos. É tão bonito que freqüentamos mesmo quando está frio".

Charmoso, mas pequeno e privado, o terraço de John-son se alinha à tradicional visão do jardim como espaço de lazer, mas não tem envergadura para assumir o novo papel que os ambientalistas vislumbram nos jardins encravados no topo dos edifícios o de funcionarem como telhados verdes ("green roof"), capazes de reduzir problemas ecológicos urbanos.

Para ser efetivo, o telhado verde requer o plantio de vegetação ao longo de toda a laje. A cobertura ajuda a isolar o prédio e retém água da chuva, proporcionando um resfriamento natural dos edifícios e ajudando a economizar energia. 

Não é pouco em uma cidade que costuma enfrentar temperaturas de verão que superam os 40ºC e sofrer apagões devido ao alto consumo dos aparelhos de ar condicionado. 

A ilha está sempre cinco ou seis graus acima do entorno e acredita-se que, se largamente adotados, os telhados verdes poderiam ajudar a reduzir essa diferença.

A ONG Earth Pledge mantém um projeto chamado Greening Gotham (Gotham é um dos apelidos de NY),dedicadoa incentivar a criação de telhados. Foi no prédio da ONG, entre 1999 e 2000, que se construiu o primeiro, aplicando uma técnica que protege a alvenaria e é leve a principal dificuldade dos jardins suspensos é que ficam pesados demais com terra e podem comprometer a estrutura do edifício.

Mais sofisticado e eficiente, o sistema do "green roof" foi desenvolvido na Alemanha nos anos 1970. É formado por seis camadas. A primeira é um revestimento impermeável colocado sobre a laje, seguido por uma barreira de cobre ou polipropileno. Em cima desta, um tecido para retenção do excesso de água e outros dois que funcionam como filtros de diferentes espessuras e estrutura de sustentação.

O estrato onde crescem as plantas é uma mistura especial de rochas e terra; a irrigação é automática. Gramíneas e flores devem ser resistentes e ter raízes curtas e superficiais. Um jardim de cerca de 200 m2 pode custar perto de US$ 100 mil e demora de dois a três meses para ficar pronto. Se a estrutura do prédio e o bolso dos moradores suportarem, é possível usar mais terra para plantar uma horta ou até frutas.

Pelas contas do Greening Gotham, há cerca de cem telhados verdes em Nova York. "E estamos trabalhando para ver esse número crescer bastante nos próximos anos", frisa Leslie Hoffmann, diretora executiva da Earth Pledge. 

De olho na poluição e no elevado consumo de eletricidade, em 2005, a administração Michael Bloomberg adotou para os edifícios do patrimônio a classificação LEED (Lideran-ça em Energia e Design Ambiental, na sigla em ingles), proposto pelo Conse-lho de Prédios Verdes dos EUA, organização civil dedicada ao planejamento de edifícios sustentáveis. 

Os imóveis ganham pontos conforme a localização, o consumo de água e energia e os materiais empregados. O Departamento Municipal de Edifícios também está analisando um novo código para as construções algumas normas do atual têm mais de cem anos e os "green roof" podem ser incluídos nessa legislação com algum tipo de incentivo fiscal para quem os implementar.

Os telhados verdes modernos são uma onda recente, que nasceu na Alemanha na década de 1960 e foi se espalhando por muitos lugares. A estimativa é que, atualmente, cerca de 10% dos telhados alemães tenham aderido à iniciativa. 

No Canadá, outro adepto, a atuação mais forte é a de Toronto, que começou a discutir o assunto em 2000 e, em 2003, criou uma força tarefa para encorajar e dar apoio à medida. Em Chicago, todos os prédios que passam por grandes reformas são obrigados a construir telhados verdes.

"Nos EUA, chegamos a um certo ponto na questão ambiental a partir do qual não há mais volta. Os jardins podem mudar de acordo com o humor do mercado imobiliário e outras discussões, mas vão prevalecer e crescer", acredita o arquiteto Tom Balsley, especializado em jardins sobre lajes.

De acordo com Leslie Hoffman, do Earth Pledge, não tem sido muito difícil convencer os nova-iorquinos das vantagens trazidas pelos telhados verdes. "Elas são tangíveis, é fácil demonstrá-las para qualquer pessoa. Fizemos muitas simulações em computador para comprovar o poder de retenção da água da chuva e de resfriamento do prédio."

A maior resistência, diz, parte dos engenheiros e empreiteiros mais antigos ou dos incorporadores. "Os benefícios são de longo prazo, então, quem simplesmente constrói para vender não vai senti-los. Mas é a comunidade que se interessa".

Geralmente, a laje é compartilhada por todos os condôminos. Por isso, nos prédios em que os habitantes desejam ter um jardim, primeiro é reunido um comitê de moradores para debater o assunto. Eles passam um questionário entre os apartamentos para saber exatamente o que os vizinhos esperam. As opiniões de quem mora nos últimos andares devem ser ouvidas com mais atenção afinal, se ocorrer mau funcionamento, eles serão os primeiros a sentir as conseqüência. E há os transtornos das obras também. O comitê se responsabiliza por fazer orçamentos e depois apresenta os projetos para votação de todos.

"Faça as contas. Será que conseguiremos voltar a criar espaços abertos no coração da cidade? Construímos parques, mas é muito pouco se compararmos com o potencial que reside no topo dos prédios", empolga-se Balsley. "Dediquei 30 anos da minha carreira a tentar reverter a fuga para os subúrbios, onde acabamos com mais árvores e mananciais. Acredito que os parques urbanos podem ajudar a conter esse fluxo por proporcionarem espaços para recreação, celebrações e interação social. O mesmo pode ser dito a respeito dos milhares de metros quadrados de terreno disponíveis nas alturas, considerando o impacto que eles podem ter em qualidade de vida."

"Faça as contas. Será que conseguiremos voltar a criar espaços abertos no coração da cidade?

Via: Se Liga Brasil                                     Leia Mais: Folha Online

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