A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Projeto alia meio ambiente e responsabilidade social/Foto: Divulgação
É quase inevitável não se surpreender quando as velhas panelas retorcidas, afinadas por colherinhas, emitem o som limpo e harmônico digno de qualquer violino. A flauta transversal, que executa perfeitamente um Mozart, surgiu de nada menos do que uma calha de chuva com chaves compostas de moedas. Muitos dos meninos que tocam esses instrumentos não chegaram nem aos 20 anos, mas a música que produzem é de gente grande.
Trata-se da Orquestra de Instrumentos Reciclados, parte do projeto paraguaio Sonidos de la Tierra (Sons da Terra, em português), que utiliza a música e a reciclagem para trazer perspectiva de vida à jovens de baixa renda do país. A orquestra é o grupo de músicos mais conhecido do projeto, uma vez que já tocou em mais de 80 concertos, tanto no Paraguai como no exterior.
Além de ensinar as crianças a dominar o instrumento musical, o programa oferece oficinas especiais em que eles aprendem a fabricar os próprios instrumentos com materiais reciclados.
Trajetória
Com a filosofia de que quem toca Mozart durante o dia não quebra janelas à noite, Luis Szarán, de 56 anos, regente premiado internacionalmente e diretor da Orquestra Sinfônica de Assunção, criou o projeto em 2002, visando alcançar crianças de baixa renda, principalmente os meninos que vivem na rua.
A utilização de instrumentos reciclados foi consequência. Um dia, segundo o maestro, um pai oriundo de um bairro vulnerável queria que o filho participasse do projeto de todo jeito. Mas não havia instrumentos musicais disponíveis. Assim, ele trouxe uma velha panela e fez dela um violino. De início, conta Szarán, todos riram, mas depois experimentaram o instrumento e perceberam que era possível uma criança ter com ele suas primeiras lições.
Com a ajuda de cerca de cem patrocinadores internacionais, mais de 12 mil jovens de comunidades vulneráveis do país foram beneficiados pelo Sonidos de la Tierra. Aproximadamente metade dos meninos selecionados permaneceram no projeto e aprenderam um instrumento musical. Nem todos seguiram depois a profissão de músico. Porém foram reconduzidos à vida, concluíram a escola e foram procurar emprego.
Fonte: Portal EcoD
Que coisa mais linda!
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