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Como criar espaços confortáveis e sustentáveis sem desperdiçar recursos

A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...

Você explora o Potencial de Sustentabilidade da sua Casa


A convite do Planeta Sustentável e da equipe da revista Casa Sustentável, os especialistas em arquitetura e design sustentável Newton Massafumi Yamato e Paulo Alves participaram de um bate-papo em SP, em que desmistificaram vários preconceitos, como a ideia de que apenas quem está construindo ou reformando tem a chance de incorporar a sustentabilidade dentro de casa.

Mediada pela jornalista Marianne Wenzel, que é editora da revista Arquitetura & Construção – publicação que produziu o especial em parceria com a revista Casa Claudia –, a conversa esclareceu uma série de mitos em torno da arquitetura e do design sustentável e, ainda, rendeu ideias superinteressantes para aqueles que estão a fim de morar em sintonia com o meio ambiente.A convite do Planeta Sustentável e da equipe da revista Casa Sustentável, os especialistas em arquitetura e design sustentável Newton Massafumi Yamato e Paulo Alves participaram de um bate-papo em SP, em que desmistificaram vários preconceitos, como a ideia de que apenas quem está construindo ou reformando tem a chance de incorporar a sustentabilidade dentro de casa.
Yamato, que é arquiteto especializado em projetos ambientais, foi o primeiro a falar para a platéia e apresentou um material que causou polêmica: a madeira biossintética, fabricada a partir de plástico reciclado. O material foi usado por Yamato para construir o brise de uma casa – apresentada no especial Casa Sustentável – e, segundo o arquiteto, pode ser produzido a partir da reciclagem de sacolinhas, o que levou alguns participantes da platéia a questionar se a opção não incentivaria a produção e o consumo dos sacos plásticos.
“O ideal, claro, é que cerca de 90% das casas sejam feitas de materiais renováveis e, sobretudo, de madeira, mas como ainda estamos muito longe dessa realidade, acredito que a madeira biossintética é uma opção interessante”, disse o arquiteto, que alertou: “Por ser um material novo, ainda não conhecemos profundamente suas características, mas protótipos mostraram que a madeira biossintética é resistente às intempéries e não requer manutenção”.
Em sua apresentação, Yamato ainda deu uma porção de dicas para as pessoas que não estão construindo ou reformando suas casas, mas querem incorporar a sustentabilidade em suas moradias. “Não é preciso grandes mudanças para viver em harmonia com o meio ambiente. Existem vários níveis de sustentabilidade que podem ser explorados em uma edificação”, destacou. Entre os conselhos do especialista, estão:
– colocar plantas em alguns cômodos da casa para aumentar a umidade relativa do ar e deixar o ambiente mais fresco, o que diminui o uso de refrigeradores e ar-condicionados na casa e, consequentemente, aumenta sua eficiência energética;
– manter as cortinas e persianas sempre abertas para aumentar a luminosidade da casa e, assim, diminuir o consumo de energia elétrica;
– cultivar jardins na área externa ou na laje da casa, o que refresca o ambiente e ajuda a combater o aquecimento global e
– adotar pequenos hábitos que estimulem a relação de respeito dos moradores com a natureza, como, por exemplo, ‘aposentar’ os relógios da casa e aprender a ver as horas a partir da posição do sol.
O designer sustentável e proprietário da Marcenaria São Paulo – que produz, apenas, móveis com madeiras brasileiras certificadas –, Paulo Alves, foi o segundo palestrante da noite e aproveitou o discurso de Yamato para dar uma outra dica para quem quer incorporar a sustentabilidade em sua casa. “Podemos cuidar melhor do espaço onde trabalhamos em casa e, assim, sair menos vezes para ir ao escritório”, disse o designer, que completou: “Hoje eu trabalho a 20 cm do meu quarto e posso dizer que a minha qualidade de vida aumentou bastante: eu almoço em casa e uso menos carro, o que diminui minha emissão diária de CO2”.
Paulo contou, ainda, que a atual casa onde mora foi construída em um galpão abandonado, no centro da cidade de São Paulo. Usando um pouco de criatividade e o conhecimento que possui na área de projetos ambientais, o designer transformou a área degradada em uma casa sustentável e aconchegante, com uma grande área verde, que atrai quatro espécies diferentes de pássaros.
Em sua palestra, Paulo defendeu o uso da madeira certificada e lamentou que muita gente ainda deixe de usar madeira proveniente de manejo florestal por achar que se trata de um produto mais caro ou com características diferentes da madeira ilegal, que ainda é mais popular. “Na verdade, a madeira é a mesma, só que tem uma produção controlada”, salientou o designer, que ainda aconselhou: “Entre as certificadas, eu indico a Paricá, que é brasileira, e ainda sugiro que explorem diferentes tipos de madeira em um mesmo móvel. Além de ficar mais bonito, ajuda no processo de manejo sustentável”. Segundo Paulo, é preciso ficar de olho no trabalho dos designers, porque muitos deles deixam de explorar a diversidade madeireira do país por pura comodidade, já que desconhecem as características dos tipos de madeira que são menos comuns nesse tipo de trabalho.

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