A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Você deve se lembrar do vídeo produzido pelo “Movimento Gota d’água” – nós falamos sobre ele aqui. O governo até tentou rebater, mas de forma bem superficial. Agora um grupo de estudantes da Unicamp resolveu fazer uma filmagem similar, mas pró-Belo Monte, apontando possíveis equívocos dos contra-Usina. Veja o vídeo e vamos analisar.
Seguindo razoavelmente a sequencia apresentada no vídeo, começo concordando que de fatonenhuma forma de geração de energia é 100% limpa, mas desviar o leito de um rio, escavar milhões de toneladas de terra e alagar áreas gigantescas, em meio à floresta, não é o que eu chamaria de energia limpa.
Custo
Sequer entrarei no mérito de serem 19 ou 30 bilhões de reais. Nossa analise financeira considerou 20bi como referência (número apresentado na tabela comparativa do site oficial da construção). Sim, o dinheiro é nosso, e não era de se esperar algo diferente, afinal, nossa usina, nossa energia, nosso desenvolvimento. O que se questiona é usar o dinheiro em algo que pode ter tantos problemas, mas vamos em frente.
Capacidade
A capacidade da Usina é de 11 mil MW, e considerando as secas, estima-se que em médiaproduzirá 40% disso. Ok, nenhuma novidade, o já citado quadro comparativo (abaixo) considera essa informação.
Área alagada
Parece que usar o Google Earth não dá a precisão necessária, afinal, existe o fator relevo. Os tais 1.100Km² diferem das principais fontes de informação (sejam pró ou contra Belo Monte), registrando entre 500 e 600Km². Independente do tamanho, nos assusta a posição de que “tudo bem”, afinal floresta virgem já vem sendo desmatada ilegalmente na Amazônia. É justificar um erro baseado em outro – não faz o menor sentido.
Terceira Maior do Mundo
Belo Monte será a terceira maior do mundo em potencial energético, mas receber esse bonito título não serve de justificativa para nada, assim como não serviria para o maior prédio do mundo, a maior ponte do mundo… Entrar para um ranking ou para o Guinness Book não isenta obra alguma de ser analisada econômica, ambiental e socialmente.
Frases
Citar frases específicas costuma ser injusto, mas algumas acabam chamando a atenção. Que tal: “A gente podia ainda usar a construção da nova usina como uma maneira de resolver todas as questões sociais da população local.” Sim, podia. Com e sem usina.
Outro trecho interessante vai de encontro com as informações da famosa tabela, que você viu mais acima: “As duas [energia solar e eólica] não são tão interessantes em relação ao custo-benefício, mas são caríssimas. Não geram retorno proporcional.” Ok, elas são mais caras, mas tanto assim? E aliás, pesquisa e escala de produção, como dissemos, não seriam suficientes para reduzir ainda mais essa diferença?
Parece que há desinformação e conclusões precipitadas de todos os lados. Se há algo com que concordamos na fala do Prof. Sebastião de Amorim é:
Vamos encarar de frente (sic) os grandes desafios do século XXI. Informe-se, participe deste grande debate nacional.
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