A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Embalagens longa vida já foram vilãs do meio ambiente. Hoje não são mais. A empresa Eco-Lógica do Distrito Federal comprova essa realidade. Ela é especializada na fabricação de telhas e placas feitas com os componentes dessas embalagens, cuja principal fornecedora no país é a Tetra Pak.
A tecnologia que separa seus componentes - papel, plástico (polietileno) e alumínio - foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)da Universidade de São Paulo (USP) e já está sendo aplicada em outros países. Ela permite à multinacional destinar corretamente seus resíduos. “Sempre gostei de reciclagem. Todos deviam se preocupar e contribuir para a reciclagem e reaproveitamento de tudo que for possível”, afirma Ivanildo Rezende, diretor da Eco-Lógica.
A fábrica foi fundada há um ano e meio e está localizada em Vicente Pires, uma das regiões administrativas da capital federal. No momento, o empreendimento ocupa área de 450 m² e conta com equipe de quatro funcionários. A história da fábrica começou no dia em que Ivanildo conheceu duas telhas feitas com embalagens longa vida e as colocou à venda.
A Eco-Lógica começou vendendo 20 telhas por semana. Hoje a fábrica comercializa 50 telhas/dia.
Na época, ele comprava e revendia sobras de desmanches de casas e demolições em geral. Ele sabia o quanto as telhas de cerâmica e amianto eram problemáticas, pois se danificavam facilmente, não eram reaproveitadas e iam parar em lixões e aterros. “Quando conheci as telhas Tetra Pak, me apaixonei”, declara o empresário.
O empresário viajou para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais atrás de equipamento que pudesse separar e reciclar as embalagens longa vida. “São necessárias 1,5 mil caixas longa vida para se fazer uma telha”, informa. “Elas são excelentes para substituir as telhas de amianto, condenadas e proibidas em vários países”, comenta.
Ivanildo conta que inicialmente a Tetra Pak não o autorizou a produzir as telhas. “Achei que era só montar a fábrica”, revela. Depois de algum tempo e trâmites, foi aceito e a multinacional o treinou e disponibilizou consultor, que o orientou na montagem do empreendimento. Atualmente existem 30 fábricas como a Eco-Lógica em todo o país, que juntas produzem cerca de 100 mil telhas/mês.
A Tetra Pak fornece a matéria-prima a todas elas, que chega de São Paulo (SP) , custando R$ 250/tonelada. O equipamento chamado Hidrapulper separa o alumínio do polietileno. Nem sempre o frete dos caminhões, que transporta as embalagens longa vida até as fábricas, é cobrado, explica o empresário.
Clientela e benefícios
A clientela das telhas feitas com embalagens longa vida não para de crescer no DF. Inicialmente era composta por home centers, lojas e consumidores de baixa renda. Hoje, projetos arquitetônicos elaborados, que não expõem os telhados, dão preferência ao produto. “ As nossas telhas têm durabilidade de 30 anos, segundo a ABNT, e promovem conforto térmico, reduzindo 50% do calor. Sem falar que ela é antirruído, resistente à chuva de granizo e antichama”, ressalta.
Outra vantagem, que ele faz questão de destacar, é o fato das telhas recicladas não serem descartadas em aterros. “Nossa telha vira telha de novo. Ela vem da reciclagem e pode voltar a ser reciclada muitas vezes”, enfatiza. Ivanildo conta que investiu R$ 500 mil, por meio de empréstimos pessoais. Ele diz que não conseguiu crédito nas instituições financeiras públicas.
Tecnologia nacional
A tecnologia responsável pela segregação dos materiais das embalagens longa vida (20% de plástico, 5% de alumínio e 75% de papel) e fabricação de telhas é 100% brasileira e foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP). Ela é conhecida como tecnologia de plasma. “Esta tecnologia está sendo exportada para outros países”, informa Ivanildo.
A Tetra Pak está presente em 170 países. A telha de embalagens longa vida mede 2,20m X 90 cm e tem ondulação como as telhas de amianto. Uma custa R$ 35 e sua colocação é rápida e mais barata do que as convencionais de cerâmica e amianto, pois são leves, exigem menos estrutura e não se quebram, segundo o empresário.
A Eco-Lógica começou vendendo 20 telhas por semana. Hoje a fábrica comercializa 50 telhas/dia. A empresa está dobrando o turno dos funcionários e vai adquirir mais equipamentos para aumentar a produção. A meta é chegar a produzir 100 telhas/dia, nos próximos meses. Ivanildo faz cursos e recebe consultorias do Sebrae DF. Ele afirma que está muito satisfeito com empreendimento e que aprende muito com os técnicos da instituição. “Nossa meta é crescer no segmento de reciclagem, contribuindo sempre com o meio ambiente”, enfatiza.
Fonte: Centro Sebrae de Sustentabilidade) Via: EcoD
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