A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
A Casa_63, localizada em São José dos Campos, interior de São Paulo, será a primeira da região do Vale do Paraíba a gerar energia solar num sistema integrado à rede concessionária.
Idealizado pelo escritório Civitas do engenheiro civil Daniel Secches, o projeto possui sete painéis solares fotovoltaicos da empresa Solar Energy, que geram cerca de 200 kwh/mês, suficiente para o consumo de uma família de quatro pessoas.
A residência teve o medidor de energia trocado pela EDP Bandeirante para um modelo bidirecional. A partir de então, passa a ser contabilizado o quanto a residência produz de energia solar e o quanto ela consome da concessionária, devendo, dessa forma, zerar a conta de energia do imóvel.
Foto: Divulgação/Civitas
A cobertura verde foi outra técnica adotada pelo escritório. A opção deu maior conforto térmico à casa e garantiu maior área permeável, ajudando assim a mitigar o impacto das chuvas. Contudo, a maior vantagem segundo Secches, é o ganho em espaço de lazer e em área útil da casa. “Se analisarmos que o terreno onde construímos custa em média R$ 1.000/m2 ao ganhar uma área de ‘quintal’ de 80m2, ganhamos aproximadamente R$ 80 mil”, diz o engenheiro civil em entrevista ao CicloVivo.
As águas da chuva coletadas na cobertura verde são armazenadas em um reservatório e reutilizadas na irrigação automatizada do jardim e na limpeza.
Foto: Divulgação/Civitas
Uma das metas do escritório era gerar somente uma caçamba de entulho em toda obra. Para isso, adotaram a estrutura metálica, mais leve, eficiente e prática de ser aplicada. As lajes também são metálicas, do tipo ‘Steel Deck’, o que reduziu a quantidade de mão de obra e desperdício de material usado na concretagem tradicional.
Foto: Divulgação/Civitas
Como técnicas passivas, o engenheiro adotou a ventilação cruzada. A residência de 377m2 conta com uma área central com pé-direito duplo que possibilita o efeito chaminé, retirando o ar quente da casa e o uso de grandes aberturas.
Foto: Divulgação/Civitas
Além dessas ações, a empresa também reutilizou aproximadamente seis caçambas de entulho no aterro da casa e deixou toda a tubulação elétrica e hidráulica aparente, para facilitar a manutenção, evitando quebra-quebra e geração de resíduos. A residência possui aquecedor de água solar e equipamentos economizadores de água.
Segundo Secches, a Casa_63 foi construída em seis meses e custou exatamente o mesmo que outra residência do mesmo padrão no mesmo condomínio. Para o engenheiro, a principal motivação para construir de forma sustentável é a de não aceitar o método construtivo tradicional e o tanto de desperdício que ele proporciona. “Cada caçamba de entulho, mais do que o impacto no meio ambiente, representa dinheiro jogado no lixo, afinal alguém pagou por tudo aquilo que esta sendo jogado!”
Foto: Divulgação/Civitas
Foto: Divulgação/Civitas
Fonte: CicloVivo - Por: Mayra Rosa
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