A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Preocupação vem do fato do setor imobiliário ser responsável pelo consumo de 41% de energia
Marcos Casado
O selo LEED está presente em 132 países desenvolvendo o mercado de construções sustentáveis. Trata-se de um selo que comprova a sustentabilidade de um empreendimento por meio da comprovação de uma série de critérios que visam a redução dos impactos ambientais durante a obra e operação. Como o próprio nome já sugere, Leadership in Energy and Environmental Design, um desses critérios é a eficiência energética. Essa preocupação vem do fato de o setor imobiliário ser responsável pelo consumo de 41% da energia elétrica gerada.
Em um empreendimento que adote medidas sustentáveis, o consumo de energia tem uma redução média de 30%. Para atingir esse patamar, mitigar os impactos no meio ambiente e obter o selo LEED, as empresas devem pensar de forma verde já em seus projetos, desde a implantação até a escolha de envoltórias, sistemas, equipamentos e materiais eficientes. O Green Building Council Brasil, organização que fomenta a indústria da construção sustentável no país, tem acompanhado a evolução dos fabricantes de produtos para atender essa demanda.
O mercado tem hoje uma série de tecnologias que podem ser empregadas nos projetos a preços pouco ou nada superiores aos convencionais que não trazem economia de energia. No caso de produtos com um custo inicial superior, há o retorno desse investimento durante a operação com a economia de energia. Para atender o critério de eficiência energética do LEED o primeiro cuidado deve ser reduzir o consumo. Após a redução de tudo o que for possível, deve se pensar na geração ou compra de energia de fontes renováveis e, posteriormente, na garantia de que durante a operação haja uma boa gestão desses recursos.
Como exemplos de soluções que podem ser adotadas em uma obra visando a eficiência energética, podemos citar: utilização de recursos naturais como a ventilação e a iluminação natural; uso de equipamentos eficientes como lâmpadas, motores, geradores, elevadores eficientes, equipamentos de ar condicionado, escritório e linha branca; aquecedor solar e geradores eólicos e fotovoltaicos; sensores de presença para acionamento e desligamento automático; entre outros.
No setor elétrico brasileiro temos ainda alguns desafios. Para que o setor elétrico possa colaborar de maneira efetiva com o movimento, temos ainda que adaptar normas e regulamentações para facilitar e promover cada vez mais a possibilidade de compra e geração local ou externa de energia de fontes renováveis como eólica, fotovoltaica, etc. Como já vem acontecendo com a energia eólica, o aumento da demanda fará que cada vez mais tenhamos preços competitivos nessas fontes. Outro desafio é abrir a compra dessas fontes para os pequenos consumidores. Além da redução do consumo e da diminuição dos impactos ambientais, algumas medidas podem também trazer vantagens para a melhoria da qualidade ambiental interna.
O aproveitamento da iluminação natural e vistas externas, por exemplo, promove um melhor bem estar aos usuários por trazer a conectividade do interior com o exterior, diminuindo a irritação nos olhos e o descanso natural da retina, sem a necessidade de consumo de energia artificial.
Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que um maior controle individual de iluminação promove ganhos de 6,7% de produtividade, maior controle de temperatura traz ganhos de 3,6% e a renovação do ar, controle de umidade e filtros eficientes reduzem em média 42% os sintomas de gripes, resfriados e outros males respiratórios. Os números do movimento de construções sustentáveis nos mostram que a demanda por esses materiais deve aumentar ainda mais em um curto espaço de tempo.
Hoje o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de empreendimentos em processo de certificação LEED. Nos três últimos meses o USGBC recebe o registro de mais de um projeto por dia útil do Brasil. Porém, a construção sustentável representa 1% do mercado de construção civil. Em países onde o conceito já é usado há mais tempo este percentual já é de 10%, mostrando o quanto podemos crescer. A construção sustentável veio para ficar, talvez um pouco tarde, mas com o engajamento de toda a sociedade, revendo nossas ações e atitudes, certamente alavancará a formação de uma nova cultura baseada na visão sistêmica preconizada pela sustentabilidade.
Marcos Casado - Gerente técnico do Green Building Council Brasil
Fonte: Portal EA
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