A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Kingsgate House em Londres é modelo em arquitetura sustentável
Foto: George Rex/Flickr/CC
O Secovi-SP (Sindicato da Habitação), em parceria com o CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), acaba de lançar o Programa de Ecoeficiência em Condomínios, cuja meta é fazer levantamentos sobre o estágio do consumo médio de água, luz e gás de áreas comuns em edifícios residenciais na capital paulista, criando o primeiro banco de dados do tipo. A iniciativa é das vice-presidências de Sustentabilidade, de Tecnologia e Qualidade, e de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato.
A partir da coleta dos dados, condomínios poderão comparar o seu consumo com outros semelhantes e verificar se seus gastos estão na média, abaixo ou acima. Neste caso, será possível investigar a existência de problemas como vazamentos, mau uso dos recursos ou desperdícios, e adotar medidas corretivas. Só para se ter uma ideia da participação desses itens nas despesas ordinárias mensais de um condomínio residencial regular, estima-se que a conta de luz represente entre 10% e 12% e água, de 12% a 15%.
A adesão de síndicos, além do apoio das administradoras, é fundamental para o sucesso do Programa, cuja primeira etapa consiste exatamente no levantamento de dados. Eles poderão preencher o formulário no site com as informações de consumo do seu condomínio dos últimos 12 meses. Basta se cadastrar e iniciar o preenchimento, seguindo as instruções. A coleta será feita até o dia 31 de outubro.
Razões para participar
Há motivos de sobra para participar desse levantamento. Primeiramente, há uma crise hídrica sem precedentes, a qual obrigou a adoção de providências emergenciais com vistas ao uso racional dos recursos.
Além disso, a elevação de tarifas de água e energia estão preocupando os cidadãos, haja vista que os porcentuais aplicados estão bem acima do reajuste da renda da maioria dos condôminos.
Mensalmente, o Secovi-SP realiza relevante estudo para acompanhar a evolução das despesas em edificações residenciais: o Índice de Custos Condominiais (Icon).
As informações serão analisadas e consolidadas pelo CBCS, formando a primeira base de dados para comparações anuais. Os resultados serão publicados no próprio site do Programa
No mês de julho, o item "Tarifas" do Icon - referente a água, energia e gás - registrou uma variação de 24,22% no acumulado do ano (janeiro a julho de 2015). De acordo com o Índice, de janeiro a julho de 2015, a variação acumulada da conta de energia foi de 36,6%, a de água, 22,81%, e a de gás, 5,85%.
Participação dos síndicos
Considerando-se os primeiros sete meses dos últimos cinco anos, a conta de energia só sofreu aumento significativo em 2014 (de 11,22%). E em 2013 houve decréscimo de 9,81%. A conta de água permaneceu estável praticamente todos os anos, exceto em 2013, quando houve aumento de 2,4%. Já a despesa com gás apresentou altas em 2011 (5,17%), em 2012 (10,09%), em 2013 (6,48%) e 2014 (3%) - a exceção foi em 2010 (-0,5%).
Segundo Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, o Programa de Ecoeficiência em Condomínios será muito útil para os condomínios. "Para que o Programa seja bem-sucedido, contamos com a participação dos síndicos, que terão uma ferramenta para o controle de gastos das referidas contas e para a elaboração de medidas corretivas e preventivas, favorecendo a saúde financeira dos empreendimentos, além de contribuir para a preservação dos recursos naturais, que são finitos."
As informações serão analisadas e consolidadas pelo CBCS, formando a primeira base de dados para comparações anuais. Os resultados serão publicados no próprio site do Programa. "Esta iniciativa irá permitir que cada vez mais pessoas acessem informações e referências atuais sobre o consumo de energia nas áreas comuns de suas moradias e, com isso, poderá estimular a conscientização sobre a necessária mudança de comportamento para o uso racional e a possível adoção de novas tecnologias e fontes alternativas de energia em empreendimentos residenciais", explica Roberto Lamberts, conselheiro e coordenador do Comitê Temático Energia do CBCS.
"Ao comparar o seu consumo real com a referência, o participante poderá identificar oportunidades de melhorias e ganhos não somente econômicos, mas, também, que envolvem as esferas da educação social e da preservação ambiental", conclui Lamberts.
Uma segunda etapa consistirá no fornecimento de dicas e orientações sobre medidas que podem ser adotadas, com vistas à redução das despesas condominiais.
Como participar
Síndicos devem acessar o site (www.ecoeficienciaemcondominios.com.br), efetuar o cadastro e informar os dados. Todas as informações têm caráter confidencial.
As administradoras podem colaborar no fornecimento de informações necessárias para o preenchimento do questionário.
Fonte: EcoD
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