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Pesquisadora nas áreas de sustentabilidade e saúde da habitação. Tem como objetivo projetar e prestar consultoria a clientes com interesse na busca pelo Viver Saudável, uma interação equilibrada entre meio ambiente, pessoas  e o Lar em que habitam.

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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

23 de set de 2015

Arquitetura Sustentável


A arquitetura sustentável procura se apropriar de todos os meios possíveis para evitar o choque ambiental que pode ser provocado por uma edificação. Ela é um projeto em constante desenvolvimento, através de incessante inventividade e recursos tecnológicos que permitem, assim, o aprimoramento da realidade do dia-a-dia.
Casas na Noruega, com grama nos telhados. Foto: Lukasz Janyst / Shutterstock.com

Ela consiste em projetos que buscam novas formas e um renovador aproveitamento do espaço; competente utilização da energia e de sua preservação; emprego de construções anteriormente existentes; pormenorização da matéria-prima usada na edificação; e a defesa dos circuitos naturais durante a realização de obras em uma determinada localidade.

Esta modalidade de arquitetura nasceu na década de 70. Segundo seus parâmetros, uma obra só pode modificar o ambiente que a envolve em mínima escala. Para tanto, os responsáveis pela edificação devem usar em grande parte material de procedência natural, zelando por um emprego lúcido dos bens indispensáveis para a iluminação e a renovação do ar. Assim, atinge-se o objetivo de diminuir os gastos nesse campo.

É importante também verificar cuidadosamente a origem da matéria-prima, exigindo-se certificados de proveniência de cada material; ela deve ser adquirida junto a negociantes legítimos, que também compartilhem do desejo de reduzir os danos ao meio ambiente e a emissão de gases poluentes.

A preocupação em preservar a Natureza durante um processo de construção passa igualmente pela preocupação com o uso de materiais ecologicamente apropriados, os quais são fabricados com o mínimo prejuízo ao ambiente. Entre eles podem ser citados os blocos de terra comprimida, o adobe, tintas não tóxicas, reciclados, madeira acompanhada do respectivo certificado ou de ciclo renovador de pouca duração.

Além de tudo, resta ainda a devida atenção ao procedimento dos profissionais que detêm a permissão para implantar a obra em questão, e à forma como eles lidarão com os restos produzidos pela edificação, para que o espaço ao redor não seja negativamente afetado. O planejamento sustentável aproveita prioritariamente os bens produzidos na região, pois assim não há altos custos com o transporte do material e reduz-se igualmente a emissão de gás carbônico.

Há de se calcular, também, a quantidade de água que será utilizada, pois ela deve igualmente ser racionada através de um planejamento inteligente, com o emprego de inovações tecnológicas como a reutilização de água, emprego de água da chuva, de torneiras e chuveiros equipados com temporizadores ou sensores. Outro elemento essencial é o aquecimento solar da água ou a adoção da energia eólica.

Algumas providências são ideais para quem se preocupa com a preservação ambiental. Situar a residência e as janelas de acordo com a trajetória do sol no horizonte e o rumo do vento, é uma delas. Outra precaução que se pode implementar é a utilização de vidros duplos, os quais permitem que o espaço seja adequadamente iluminado durante o dia, sem que o ambiente se torne muito quente; desta forma há uma ampla redução dos custos energéticos. As construções que seguem todos estes procedimentos são recompensadas com um selo, na proporção das medidas acolhidas pelos construtores, que torna o imóvel bem mais valorizado e qualitativo,
Fonte: Infoescola

18 de set de 2015

Foto: CicloVivo
Uma tira de plástico na qual é impressa uma espécie de tinta orgânica, capaz de produzir energia solar. Essa tecnologia, considerada o futuro do setor, vai chegar ao Brasil pelas mãos de um instituto de pesquisa mineiro, o CSEM. O produto é maleável e pode ter várias cores e formatos. Por isso, tem aplicações que vão até onde a imaginação – ou o sol – é capaz de alcançar: fachadas de prédios, vidros de carros, coberturas de estádios, mochilas. É difícil estabelecer um limite para tais possibilidades. A tira orgânica deve ser lançada no mercado do país em 2015. “Tenho a sensação de que algo único está acontecendo”, diz Tiago Maranhão, presidente do CSEM. “Essa é uma das poucas vezes em que o Brasil não precisa ficar a reboque dos outros.” A fabricação das fitas é resultado de um arranjo raro no país. Uniu dinheiro público e privado, pesquisa científica de base e o interesse em criar algo com apelo comercial. Entenda, em cinco pontos, o porquê do sucesso da iniciativa.
1050 quilômetros quadrados. Espalhados em uma área como essa, o equivalente a 2,76 baías da Guanabara, as fitas impressas com tintas orgânicas supririam toda a demanda doméstica nacional (um terço da total) por energia"

Vai dar briga com o silício? 
A nova e a velha tecnologias solares ainda não competem

Hoje, a tecnologia de tintas orgânicas (OPV, na sigla em inglês) não concorre diretamente com os painéis solares, feitos com silício. Eles servem a fins distintos. Os painéis tradicionais cobrem grandes áreas em usinas. Os OPVs são empregados na geração pulverizada de energia, em fachadas de prédios ou vidros de carros. Se alguém construísse hoje uma usina com OPV, ela seria mais cara do que com os painéis tradicionais. Mas isso pode mudar nos próximos anos. A curva de barateamento do OPV tende a ser radical. O seu processo de produção é simples e barato (trata-se de uma impressão), algo que favorece a queda do valor à medida que a escala aumenta.
O nome CSEM veio do Centre Suisse d’Electronique et Microtechnique, mas as duas instituições são independentes. O centro suíço não produz a tinta orgânica"
(FOTO: AGÊNCIA NITRO)
TÉCNICO DO CSEM MANIPULA MATERIAL PLÁSTICO, ONDE FOI IMPRESSA A TINTA ORGÂNICA QUE PRODUZ ENERGIA

1. A ORIGEM 
O CSEM FOI CRIADO EM 2006 COM O DINHEIRO DE TRÊS PARCEIROS: A FIR CAPITAL, UM FUNDO MINEIRO, O BNDES E O GOVERNO DE MINAS GERAIS. AO TODO, ELES INVESTIRAM R$ 70 MILHÕES NO CENTRO DE PESQUISAS

2. POR QUE FUNCIONA?
NO CSEM, AS PESQUISAS TÊM DE GERAR PRODUTOS COMPETITIVOS. CASO CONTRÁRIO, SÃO ABANDONADAS. “SABEMOS O TAMANHO DO NOSSO CHEQUE”, DIZ TIAGO MARANHÃO, PRESIDENTE DO CENTRO

3. COMO A TINTA FOI DESENVOLVIDA?
A PESQUISA COMEÇOU EM 2006, COM A CRIAÇÃO DO CSEM. ELE OPTOU POR NÃO TRABALHAR COM TECNOLOGIAS QUE PRECISASSEM CRIAR DO ZERO. A TINTA JÁ É USADA EM PAÍSES COMO JAPÃO E ALEMANHA. O MÉRITO DO INSTITUTO MINEIRO FOI DOMINAR O PROCESSO DE PRODUÇÃO, ENVOLVENDO CIENTISTAS DE TODO O MUNDO

4. QUAL É A TECNOLOGIA EMPREGADA?
É A OPV, ABREVIAÇÃO DE ORGANIC PHOTOVOLTAIC, UM PAINEL SOLAR ORGÂNICO. SUA PRINCIPAL VANTAGEM COMPETITIVA É A PRODUÇÃO BARATÍSSIMA. ELA CONSOME 20 VEZES MENOS ENERGIA DO QUE A FABRICAÇÃO DE UM PAINEL TRADICIONAL, DE SILÍCIO

5. COMO IRÁ PARA O MERCADO? 
O CSEM NÃO TEM FINS LUCRATIVOS. É UM CENTRO DE PESQUISAS, QUE ACABA DE CRIAR A SUA PRIMEIRA EMPRESA: A SUNEW. ELA VAI EXPLORAR O OPV. A PARTIR DE MEADOS DE JULHO, UTILIZARÁ UMA IMPRESSORA COM CAPACIDADE PARA FABRICAR 400 MIL METROS QUADRADOS DO PRODUTO POR ANO. SERÁ A MAIOR FABRICANTE DE OPV DO MUNDO


16 de set de 2015

Eletrofitas: o que são e como funcionam?

Por Weruska Goeking

Quebrar uma parede nova e recém pintada para aumentar o número de tomadas ou de pontos de iluminação não é uma prática agradável, embora às vezes seja necessária. Foi pensando nesse tipo de situação que o administrador de empresas John Davies desenvolveu no Brasil a Eletrofita, um conceito semelhante a um produto conhecido e utilizado nos Estados Unidos e na Europa como Undercarpet que usa cabos planos e paralelos para a condução de eletricidade.
O Undercarpet é admitido pelo NEC (National Electrical Code – norma americana de instalações elétricas) e chegou a ser citado em 1990 e 1997 pela ABNT NBR 5410, mas a falta de utilização do produto em território nacional levou à sua retirada na versão de 2004 da mesma norma nacional. A Eletrofita teve patente requerida em 2003, mas só entrou no mercado há dois anos.
Davies afirma que já ouviu falar da utilização do Undercarpet no mercado americano, mas que não encontrou nenhum produto parecido no país quando precisou de uma solução prática para sua instalação, por isso desenvolveu seu próprio produto utilizando policarbonato e adesivos como o papel siliconizado. “Obviamente há muitos cabos chatos e planos em outros países, mas é uma coisa que não foi explorada”.
 

Os componentes de um sistemas Eletrofitas podem custar mais que os de uma instalação usual (eletrodutos, caixas, condutores isolados), contudo, não há gastos com pedreiro para quebra, reconstrução e acabamento da parede.
De acordo com Davies, a vantagem da Eletrofita, além de descartar a quebra de paredes, é a maior dissipação de calor e eficiência em caso de sobrecarga, além de não oferecer nenhum risco maior que o uso de fios e cabos comuns. O produto é indicado para instalações internas, principalmente em pré-moldados, divisórias, paredes de gesso acartonado (dry wall).. “Não é um produto para substituir os fios em toda a instalação, é um complemento para locais mais difíceis, onde não se pode usar fios comuns e onde não se pode, ou não se quer, quebrar”, completa.
Amostras das Eletrofitas foram enviadas em 2007 pela empresa e analisadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) comparando-as com o fio comum e, nos itens cabíveis, foram consideradas de acordo com as normas NBR 5410, NBR NM 247-3, NBR NM 280 e NBR 8661.
O consultor e engenheiro eletricista Hilton Moreno acredita que usar condutores planos isolados e protegidos mecanicamente por uma chapa ou outro material mecanicamente resistente, como é o caso do Undercarpet ou da Eletrofitas, pode ser uma opção na instalação, desde que o sistema seja exaustivamente ensaiado. “O tipo de solução apresentada é perfeitamente adequado e pode até ser algo seguro, desde que devidamente normalizado, bem produzido e bem instalado”, ressalta.
A correta instalação é apontada pelo engenheiro eletricista Paulo Barreto como ponto principal para a obtenção do melhor desempenho possível para este tipo de produto. “No Brasil temos problema com mão de obra barata e precária, o que não acontece na Europa, que possui serviço especializado”, compara.
Como este tipo de produto ainda é pouco conhecido no mercado nacional, trazemos um passo a passo mostrando sua correta instalação. Confira a seguir.

1º passo - Destacar e cortar a isolação de policarbonato.


2º passo - Encaixar o conector de três saídas deslizando-o lateralmente.


3º passo - Conectar com a rede e destacar o papel protetor ao aplicar o lado adesivado à superfície, acompanhando a linha traçada, garantindo assim o alinhamento desejado.


4º passo - Aplicar a tela de fibra de vidro TFV-100 para proteção mecânica, evitando trincas na massa.


5º passo - Conectar a tomada externa.


6º passo - Recobrir com massa e pintar.


7º passo – Instalação pronta.


Fonte: O Setor Eletrico

11 de set de 2015

Engenheiro cria sistema caseiro de captação de água da chuva e recebe da Sabesp conta zerada

O engenheiro Fábio Dugaich montou seu próprio sistema de captação da chuva |
 Montagem/Arquivo PessoalPost

Boa parte do Brasil está sofrendo com as consequências da crise hídrica. A cada dia surgem mais notícias sobre a dificuldade que diversas cidades estão enfrentando, além das previsões de que a água pode acabar de vez e em bem pouco tempo. Mas hoje não vamos reportar sobre a situação complicada por que passa a região Sudeste.

O Brasil Post conversou com o engenheiro mecânico Fabio Dugaich que, em plena crise, recebeu a conta de água da Sabesp zerada.

Não, ele e a família não ficaram o mês inteiro sem tomar banho. Dugaich implantou um sistema muito simples de captação e limpeza da água da chuva, e em 17 meses já economizou o equivalente a 17 caminhões pipa de 15 mil litros, em uma casa onde vivem quatro pessoas.


Tudo começou quando...

Durante suas férias em 2013, Dugaich testou encher uma piscina de plástico de 7,5 litros com água coletada da chuva, por uma tubulação improvisada. A velocidade com que ele conseguiu completar a tarefa foi impressionante: durou apenas três dias. A partir daí, surgiu uma ideia que iria ajudar o bolso do engenheiro e o meio ambiente.

“Eu mesmo arquitetei. O sistema é muito simples, funciona naturalmente por gravidade, não é automatizado. Pode ser montado em qualquer casa”, explica o engenheiro.

A água coletada no sistema é utilizada para praticamente tudo: tomar banho, escovar dentes, lavar roupas, lavar louças. “Substituímos integralmente a água fornecida pela Sabesp, ou seja, só não usamos para cozinhar e ingestão humana e animal, pois a água não é potável. De resto, utilizamos para tudo!”, explica Dugaich.

Resultado? A conta de água da família chegou zerada:


Ao descrever sua reação quando abriu o envelope da conta, Dugaich não esconde a felicidade: “Foi uma sensação de vitória! Tive certeza de que minha família não ficaria sem água numa crise hídrica de qualquer magnitude."

O sistema funciona assim...

Os materiais utilizados no sistema são basicamente: reservatório, bomba elétrica, filtro e tubulações plásticas para a condução da água – todos facilmente encontrados em lojas especializadas em piscinas. Sobre os produtos, ele conta que “são muito acessíveis, não têm restrições de compra e são muito baratos.”

Fábio explica que são quatro passos para o tratamento da água: a coleta, o tratamento biológico, o ajuste do PH e a decantação da sujeira. Os processos podem parecer um pouco complicados, mas o engenheiro garante: nada é impossível na prática.

Para se ter ideia do rendimento, em uma única chuva forte e persistente, Fábio consegue coletar cerca de 4.574 litros. Isso corresponde, para uma família de quatro pessoas como a dele, água para 11 dias.

Detalhe: a estrutura de coleta de Dugaich ocupa apenas cerca de 37% do telhado da casa. “Imagine se utilizássemos a metragem total? Forneceríamos água até para dois de nossos vizinhos!”

O custo total para construir o sistema foi de aproximadamente R$ 2.100. No oitavo mês, o dinheiro economizado pela família já havia pago o investimento.

Já são 17 meses com a nova solução. O engenheiro estima que tenha poupado nesse período, em média, 255 mil litros de água.

Alguma dúvida de que o investimento compensa? Veja fotos da reforma de Dugaich:

 
 

Minha Observação: De acordo com um estudo apresentado no 7° Simpósio Brasileiro de Captação e Manejo de água de Chuva em 2009,  a principal fonte de contaminação por microrganismos na água de chuva é a partir de fezes de pássaros e os organismos mais freqüentemente isolados são Salmonela spp e Campylobacter spp [4](Fewtrell e Kay, 2007). 
Acho muito interessante captar a água de chuva, mas talvez essa água devesse ser tratada antes de chegar as torneiras para ser utilizada no banho. 

Fonte: Brasil Post

10 de set de 2015

Cinco projetos sustentáveis recomendados pela ONU

Por Constanza Martínez Gaete via Plataforma Urbana. Tradução Archdaily Brasil.

© MY2200, via Flickr

Semana passada, a ONU, através de seu Programa para o Meio Ambiente, publicou um informe sobre a necessidade de se desenvolver infraestruturas sustentáveis nas cidades. Os resultados mostraram que infraestruturas “inteligentes” dispostas em zonas urbanas trazem benefícios econômicos e ambientais. No obstante, a parte mais interessante do informe é a descrição detalhada de 30 projetos de várias partes do mundo com modelos e sistemas que podem ser imitados. Vários destes casos estão centrados em inovações que ultimamente tem chamado atenção, tais como o exitoso teleférico em Medelín, a conversão de uma rodovia urbana em parque para pedestres em Seul, e a preocupação com o clima em Portand. Mas existem outras ideias que vale a pena conhecer melhor.

A seguir apresentamos cinco casos citados pelo parecer da ONU.

© MY2200, via Flickr

Masdar : A cidade “carbono zero” no deserto.

No sul de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, estão sendo construída Masdar, uma cidade que não emitirá emissões de carbono, de modo a compensar as emissões causadas pela exploração de combustíveis fósseis que ocorre na região. Os edifícios serão envoltos por painéis solares e serão implantados na angulação mais eficiente para captar a energia do vento. O sistema de transporte será em vias exclusivas para veículos particulares que funcionarão com energia elétrica. A água pode ser reciclada e os resíduos serão utilizados como fertilizante e fontes de energia.

© MY2200, via Flickr

Frente a todos estes benefícios que outorgaria a cidade, críticos duvidam das ambições do projeto e seu verdadeiro impacto ambiental, uma vez que consideram a ideia “muito enigmática”. No entanto, o relatório da ONU considera Masdar "um exemplo de como garantir o investimento em uma visão sustentável".

© Uchegod, via Flickr

Vias exclusivas para ônibus públicos em Lagos

Lagos, na Nigéria, pode ser uma das maiores novas cidades da África, apesar de até há pouco tempo atrás não contar com um sistema de transporte organizado. Em resposta, as autoridades colocaram em prática o sistema “BRT-Lite”, com o propósito de diminuir o trânsito e proporcionar um modo de transporte alternativo aos às classes mais pobres. Devido ao orçamento que não permitia construir pistas exclusivas para os ônibus, os projetistas utilizaram marcações sobre as pistas existentes para oferecer ao menos alguma diferenciação entre as diferentes vias. De acordo com o informe, estima-se que o sistema “BRT-Lite” transporta cerca de 25% dos passageiros da cidade em apenas 4% do número total de veículos.

Cortesia de vaxjo.se

Växjö: Livre de combustíveis fósseis

Växjö, uma cidade com 82.000 habitantes no sul da Suécia, começou em 1996 um programa livre de combustíveis fósseis cujo objetivo é eliminar as emissões deste tipo de combustível até 2030. A iniciativa conseguiu teve muita aceitação quanto à calefação das casas, tendo em vista que há alguns anos atrás a cidade subsidiou a conversão dos edifícios antigos aquecidos com combustíveis de petróleo para o sistema que utiliza biomassa. Hoje em dia, cerca de 90% do combustível para calefação vem da combustão de madeira. No entanto, as emissões do transporte foram mais que um desafio, segundo o informe da ONU. Enquanto que as autoridades da cidade trataram de persuadir os habitantes a adquirir carros de baixo consumo – oferecendo subsídios de compra e estacionamento gratuito – o objetivo é que os habitantes optem pelo transporte coletivo.

© Morio, via Wikimedia Common

Incentivos para reciclagem - Curitiba

A cidade de Curitiba é conhecida por seu sistema de ônibus com vias exclusivas, mas algumas de suas medidas de sustentabilidade mais impressionantes foram originadas em programas de gestão de resíduos. Grande parte deste êxito se deve ao fato da comunidade ter recebido incentivos para reciclar, já que as autoridades entregaram passagens de ônibus em troca de bolsas de resíduos, produtos de hortifruti e materiais para reciclagem. Ao centrar as campanhas de publicidade nas crianças, a cidade espera fomentar a conservação no futuro. Embora ainda haja um problema com catadores de lixo informais, estas iniciativas de gestão de resíduos estenderam consideravelmente a vida dos aterros em Curitiba.

© bangkokdave, via Flickr

As mudanças no trânsito em Bangkok

Após a construção da sua primeira rodovia em 1981, Bangkok descobriu a lei fundamental do trânsito nas estradas: mais quilômetros destas significam mais tráfego. Finalmente, depois de anos de luta contra o problema, a capital da Tailândia passou a adotar um sistema de metrô, que no final de 2011 já havia meio milhão de passageiros diários e quatro linhas em construção. As residências se deslocaram juntamente com o transporte, segundo informe da ONU, cada vez mais voltado às camadas populares. A transição não é um completo êxito, mas a importância do transporte público para o futuro da cidade é mais clara que nunca.
Fonte: ArchDaily

9 de set de 2015

A eficiência dos fogões ecológicos


fogao-ecologico-ecod.jpg
Silvanete, de Exu (PE): forno sob medida
Foto: Elka Macedo/ONG Caatinga

Para a maioria das pessoas, cozinhar é uma tarefa simples. Fogão, gás, quase tudo à mão. Mas essa não é a realidade para a maior parte das famílias das zonas rurais no Nordeste do Brasil, onde 85% das famílias utilizam a lenha. Além da necessidade de manejo adequado na extração da lenha, a preparação de comida nesses fogões causa danos à saúde, devido ao alto índice de emissão de fumaça.
É por causa desta realidade que os projetos Fogões do Araripe: Eficiência Energética na Propriedade Familiar, realizado pela ONG Caatinga na mesorregião do Araripe, e Fogões Geoagroecológicos = - Lenha - CO2 + O + H2O + Vida, desenvolvido pela ONG Agendha (Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia) na mesorregião de Xingó, têm um papel muito importante.
Os dois projetos são realizados em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio do Departamento de Combate à Desertificação (DCD), Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) e Fundo Socioambiental da Caixa. Segundo o diretor do DCD, Francisco Campello, uma mulher precisa dedicar em torno de 18 horas semanais na busca de lenha para o preparo dos alimentos, expostas em algumas situações a violência e riscos de morte por acidentes. “Os principais objetivos dos projetos são tornar o uso de lenha sustentável, além de evitar problemas de saúde, melhorar a qualidade de vida destas famílias e conservar a paisagem”, explicou.
A implantação desta tecnologia tem trazido diversos benefícios para as famílias que residem na zona rural
Campello destaca que a lenha representa 70% da energia para o preparo dos alimentos no Semiárido. A utilização de fogões rústicos e pouco eficientes provoca uma série de impactos à saúde das pessoas, principalmente em virtude da fumaça e fuligem que se acumulam no interior das residências (de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a exposição à fumaça é a quarta causa de morte nos países em desenvolvimento como o Brasil).
“A fumaça causa danos à saúde da mulher, como glaucoma, problemas na coluna, pressão e enfisema pulmonar. Além de tornar o ambiente domiciliar saudável, os fogões geoagroecológicos apresentam uma alta eficiência energética. Também é feito um processo de orientação e um planejamento de gestão ambiental para a coleta sustentável da lenha, que é um biocombustível sólido renovável e de baixo custo”, explica.
Vantagens
A lenha utilizada nos fogões rústicos contribui ainda, de forma significativa, para o desmatamento da Caatinga. Estudos realizados pelo MMA demonstram que o consumo domiciliar foi consideravelmente maior que a soma do consumo industrial e comercial.

A demanda principal nessa região da Caatinga é por fogões a lenha mais eficientes e menos danosos à saúde humana e ambiental, considerando que boa parte da população utiliza fogão a lenha tradicional, sobretudo nas regiões periurbanas e rurais.
Menor consumo
A agricultora Silvanete Lermen, da Serra dos Paus Dóias, em Exu (PE), conta as principais diferenças que percebeu no processo de construção dos fogões geoagroecológicos. “O forno foi feito de acordo com o tamanho da minha forma. Eu acompanhei toda a construção. O fogão consome realmente menos lenha e foi feito dentro da minha realidade, por isso pedi que ele fosse mais alto, porque aqui a lenha às vezes é mais grossa. Ele diminuiu bastante a emissão da fumaça”, afirma.

Os fogões possuem uma chaminé externa, permanente, que não estraga com facilidade
Nesse contexto, a difusão de tecnologias sócio-ambientalmente sustentáveis como os fogões à lenha de maior eficiência energética, além do benefício ambiental devido à economia de até 40% de lenha (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis), também melhora a qualidade de vida da população vulnerável. “Esse fogão é melhor do que o fogão a lenha que a gente usava. Aqui não fica nada preto, nem a parede e nem as panelas, e não tem mais fumaça dentro de casa”, conta Maria Iraci, do Sitio Primavera, em Bodocó (PE).
Como funcionam
Os fogões geoagroecológicos permitem a substituição de lenha de grossa por gravetos (galhos finos das árvores), que podem ser catados nas florestas e/ou colhidos através da poda, sem haver necessidade de derrubada através por corte raso.

Maurício Lins Aroucha, criador desta tecnologia socioambiental sustentável e coordenador técnico do projeto da Agendha, explica que se pode utilizar também resíduos agrícolas (manivas de mandioca e macaxeira; pés, palhas e sabugos de milho; catembas, palhas, cascas e cocos de diversas palmeiras; e “outros restos de roçados”), bem como resíduos florestais (lascas, cascas, raízes, serragem e pó de serra). “Isso contribui para a manutenção das coberturas florestais e para a conservação e utilização sócio-ambientalmente sustentável da biodiversidade e dos solos”, destaca.
Os fogões possuem uma chaminé externa, permanente, que não estraga com facilidade, levando a fumaça para fora da cozinha e têm um sistema de isolamento térmico que evita o aquecimento acima da temperatura ambiente. Tudo isso ajuda a prevenir a instalação de doenças respiratórias.
Os projetos, no valor de R$ 6,3 milhões, estão relacionados à eficiência energética e ao uso sustentável dos recursos naturais
Para o técnico Diolando Saraiva que acompanha as construções, a implantação desta tecnologia tem trazido diversos benefícios para as famílias que residem na zona rural. “O fogão ajuda na questão ambiental por conta da utilização de menos lenha, se comparado ao convencional, e a parte mais importante é a retirada da fumaça de dentro das casas o que resulta na melhoria da saúde e qualidade de vida das famílias”, destaca.
Na construção dos fogões é utilizada uma metodologia participativa num processo de capacitação das comunidades beneficiárias e dos pedreiros (mestres fogãozeiros, aptos para construir novos fogões nas comunidades). Além da construção dos fogões, foram feitas capacitações com as famílias agricultoras participantes dos projetos sobre: a Caatinga, manejo sustentável da lenha e da biodiversidade, e práticas agroecológicas de combate à desertificação.
Saiba mais
No âmbito dessa parceria entre MMA, FNMA e Caixa, foram desenvolvidos sete projetos, abrangendo: melhoria tecnológica dos fornos industriais para os polos gesseiros e ceramista, promoção ao manejo florestal comunitário em 15.000 ha e construção dos fogões geoagroecológicos para uso caseiro e de pequenas unidades de beneficiamento de alimentos.

Os projetos, no valor de R$ 6,3 milhões, estão relacionados à eficiência energética e ao uso sustentável dos recursos naturais. Mais de 1.400 unidades de fogões já foram montadas nas regiões da Chapada do Araripe (situada entre os Estados de Pernambuco, Piauí e Ceará); na Messoregião de Xingó (em 12 Municípios de Alagoas, da Bahia, de Pernambuco e de Sergipe); e no Vale do Jaguaribe (Ceará).
(Por Marta Moraes, do Ministério do Meio Ambiente)
Via: EcoD

8 de set de 2015

Construções de Bambu

Estudos indicam que o produto é opção viável para exploração no Brasil. Uso, porém, depende da criação de linhas de produção em escala comercial
Reportagem de Giuliana Capello

La Catedral Alterna Nuestra Señora de La Pobreza, de Simón Vélez, Colômbia

Na China, ouro verde. No Brasil, madeira dos pobres. Se no gigante asiático o bambu é largamente empregado há milênios - dos hashis (pauzinhos usados como talheres) às estruturas das construções - em terras brasileiras, apesar da abundância, o uso ainda é muito restrito. Na maioria das vezes, o produto atua como figurante em cercas, mobiliário e peças de artesanato. Mas um grupo de pesquisadores de diferentes entidades está trabalhando para mudar esse cenário. É o caso da Ebiobambu (Escola de Bioarquitetura e Centro de Pesquisa e Tecnologia Experimental em Bambu), em Visconde de Mauá (RJ). Fundada em 2002, a escola tem por meta disseminar as técnicas construtivas que utilizam o bambu e outros materiais considerados naturais ou ecológicos, como terra e fibras. "Acreditamos que o bambu é uma opção mais sustentável às madeiras de reflorestamento, auto-renovável e de rápido crescimento. O eucalipto, por exemplo, leva seis anos para ser cortado e o bambu só três anos. Além disso, não é necessário ser replantado", afirma Celina Llerena, arquiteta e diretora da Ebiobambu. Enquanto espécies arbóreas demoram até 60 anos para atingir 18 m, o bambu - considerado uma gramínea - demora apenas 60 dias para chegar a essa altura. A generosidade dos comprimentos dos bambus permite construções mais espaçosas e com grandes pés-direitos. 

Casa Corico - Ebiobambu

Parte do estímulo à pesquisa vem do sucesso obtido em países vizinhos. "Na Colômbia e no Equador, construir com bambu faz parte da cultura local, ao contrário do Brasil", compara Eduardo de Aranha, arquiteto, urbanista e pesquisador da Unicamp. Segundo Aranha, na Colômbia, por exemplo, existem programas de habitação popular com base no bambu. Para o doutor Antonio Ludovico Beraldo, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, arquitetos e engenheiros como Simón Vélez, Oscar Hidalgo Lopez e Jorg Stamm impulsionam a fama colombiana. Na Colômbia, por exemplo, o arquiteto Simón Vélez projetou uma igreja toda de bambu. "Além de excelentes profissionais, a Colômbia tem a vantagem de ter matéria-prima abundante, da espécie Guadua angustifolia, mão-de-obra qualificada e equipamentos desenvolvidos especialmente para trabalhar com o material", complementa Beraldo. Situação semelhante ocorre em países como China, Japão e Índia, onde o uso do bambu está consagrado. 

La Catedral Colômbia

Somando-se as experiências, o mercado mundial do produto movimenta cerca de US$ 14 bilhões por ano, segundo o INBAR (International Network for Bamboo and Rattan). Na avaliação do INBAR, o bambu é uma solução viável e sustentável para combater o déficit habitacional: as casas de bambu são de baixo custo e mínimo impacto ambiental, fáceis de construir, duráveis, flexíveis, adaptáveis socialmente e resistentes a terremotos.
Embora tradicionalmente o bambu seja mais explorado no meio rural, o material tem sido cada vez mais empregado nas edificações urbanas. Em Hong Kong e na Colômbia, é possível encontrar grandes edifícios em construção cercados por gigantescos andaimes de bambu. Outras aplicações temporárias também são freqüentes, como em fôrmas e no escoramento de lajes. "Para aplicações usuais de colunas de cerca de 4 m de altura, colmos de bambu são perfeitamente adaptados para desempenhar essa função", garante Beraldo. 

Imagem: Bambuando

À esquerda, projeto de habitação popular no Peru; à direita, ponte em parque na cidade de Armenia, Colômbia, de Jorg Stamm

                                  Concha de espetáculo no parque de Armenia, Colômbia

No Brasil

Embora o País tenha reservas naturais do material e condições de plantio, o bambu ainda não é muito utilizado aqui. Segundo um levantamento feito pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), só no Estado do Acre 38% das florestas são compostas por bambuzais naturais. "E temos grandes áreas de bambu também na região do parque de Foz do Iguaçu e às margens de alguns rios do Pantanal", diz o professor Beraldo. As pesquisas, no entanto, estão apenas no início. Calcula-se que das cerca de 1.300 espécies desse tipo de gramínea existentes no mundo, 400 delas são encontradas no Brasil. "O número é impreciso porque ainda faltam levantamentos nessa área", afirma Marco Antonio dos Reis Pereira, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp, em Bauru. 

Imagem: Ebiobambu

Ensaios feitos na universidade mostram que os mais indicados para uso estrutural são bambus pertencentes aos gêneros Guadua (conhecido no Brasil como Taquaruçu), Dendrocalamus (denominado Bambu gigante ou Bambu balde) e Phyllostachys pubescens. "Esses são os que apresentam melhores propriedades físicas e mecânicas e por isso são os mais adequados", diz. Celina Llerena explica que os colmos dos bambus têm uma fração fibrosa estrutural que representa até 70% de sua massa. Tal característica confere aos colmos elevada resistência mecânica à tração, compressão e flexão. Além disso, as estruturas são leves, resistentes e flexíveis. "Uma fita de bambu, quando comparada a uma de aço de iguais dimensões, tem maior resistência à tração", argumenta. 

Bambu Gigante

Bambu Phyllostachys pubescens

Bambu Taquaruçu

Para ela, as desvantagens do material dizem respeito, entre outras coisas, à falta de divulgação das técnicas construtivas e de mecanismos de crédito oficiais para introdução de uma cultura de plantio em áreas degradadas, criando sustentabilidade para a comunidade local, assim como material para ser usado em construções ou como laminados. Apesar disso, Celina ressalta que o bambu, se colhido e tratado corretamente para aumentar a durabilidade (veja boxe sobre preservação), "pode substituir plenamente a madeira e ter o mesmo resultado". Alguns cuidados, no entanto, são fundamentais. "O bambu precisa estar afastado do chão no mínimo 40 cm, sobre uma bolacha de barra chata e fina de ferro, aço, bronze ou sobre bailarinas para, assim, não ter contato com a umidade que sobe do solo." Beirais grandes, complementa a arquiteta, evitam a incidência das intempéries, reduzindo gastos com manutenção. 


Laminados de bambu

Há duas principais formas de usar o bambu: in natura e laminado. Como no Brasil não se tem cultura para utilizá-lo na forma em que se apresenta na natureza, "há pesquisas para usar bambu laminado colado, ou BLC", explica Marco Pereira. De acordo com Pereira, os testes já indicam sinais positivos. O material é versátil e pode ser aplicado como piso, forro, vigas, painéis, elementos estruturais. O laminado de bambu está sendo pesquisado também no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). Márcio Nahuz, engenheiro florestal e pesquisador da Divisão de Produtos Florestais do IPT, orientou uma dissertação de mestrado sobre o assunto. "O piso laminado de bambu é extremamente estável, tem apelo estético e ecológico, é diferente e tem a vantagem da alta produtividade, já que o material se reproduz muito rapidamente", explica Nahuz. 


Laminados de Bambu

O problema é que ainda não existe um mercado estabelecido para o bambu, com áreas de plantio, fornecedores e empresas que processem o material. Márcio Araújo, diretor do Idhea (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica), concorda com Nahuz. Especialista em materiais ecológicos, Araújo acredita que o bambu, apesar do potencial para a construção civil, ainda está longe de ser visto com apreço pelo mercado. "Enquanto o bambu for considerado um material alternativo ou marginal, e não uma opção de mercado, continuará restrito a um pequeno grupo que buscou se especializar nesse segmento", diz. "Os pesquisadores estão fazendo o que lhes cabe, mas sem chegar à escala comercial, o avanço não acontecerá", conclui.

Técnicas de preservação do bambu

O bambu apresenta baixa durabilidade natural por causa da presença do amido, que atrai fungos. Para prolongar a vida útil do bambu, existem algumas técnicas



Observação da idade para o corte: esse é o procedimento mais simples de ser efetuado. Os colmos maduros (com mais de três anos) geralmente são mais resistentes aos ataques de fungos e de insetos, além de apresentarem melhor desempenho mecânico. O maior problema refere-se ao desconhecimento da idade dos colmos, já que a marcação anual, na maioria das vezes, não é feita regularmente.


Cura na mata: os colmos de bambu são cortados e deixados para secar na própria touceira, geralmente apoiando-se a base inferior do colmo em uma pedra. Quando as folhas secam e caem, o colmo já pode ser utilizado. Essa técnica, denominada avinagrado na Colômbia, facilita a degradação do amido e da seiva presentes no colmo, aumentandoa durabilidade


Tratamento por imersão: os colmos podem ser imersos em água (parada ou corrente), ou em soluções preservativas. Em alguns casos os colmos devem ser recém-cortados. Em outros, pode-se utilizar colmos secos ao ar. Quando feito por aspersão, apresenta pouca eficiência, já que a absorção do produto é feita apenas pelas extremidades do colmo


Tratamento pela fumaça e pelo fogo: os colmos recém-cortados são colocados em fogo rápido. Também se pode desenvolver um tipo de defumador que, em bambus alastrantes, provoca o escurecimento dos colmos, tornando-os muito atraentes para fins ornamentais. Aparentemente, o efeito do calor e da fumaça alteram ou degradam o amido, tornando o colmo mais resistente ao ataque do caruncho. Para aplicações em escala comercial devem ser projetadas instalações específicas para esse fim (de preferência com recuperação dos produtos químicos eliminados)

Tratamento sob pressão: o uso de pressão torna o processo mais eficiente. O método mais recomendado para colmos recém-cortados é o Boucherie modificado. Bambus secos podem ser tratados em autoclaves (utilizadas para preservação da madeira). Nesse caso, os diafragmas devem ser perfurados para que o colmo não rache durante a fase de vácuo. É necessário também fazer um tratamento preventivo para que, durante a secagem, os colmos não sejam atacados pelo caruncho.

Fonte: Antonio Ludovico Beraldo, da Unicamp

Características mecânicas do bambu

1) Compressão 

Peças curtas de bambu podem suportar tensões superiores a 50 MPa, superando a resistência dos concretos convencionais. Além disso, o concreto tem densidade superior a 2 e o bambu apresenta 1/3 desse valor. Desse modo, se for considerada a resistência em relação à densidade (resistência específica), o bambu mostra-se mais eficiente do que o concreto.

2) Tração paralela às fibras 

O módulo de elasticidade do bambu situa-se em torno de 20.000 MPa, cerca de 1/10 do valor alcançado pelo aço. Cabos de bambus trançados oferecem resistência similar ao aço CA-25 (2.500 kgf/cm2). O peso, no entanto, é 90% menor.

3) Flexão estática 

O bambu apresenta rigidez suficiente para que possa ser utilizado em estruturas secundárias, na forma de treliças e vigas. Na Colômbia, Equador e Costa Rica foram desenvolvidos importantes projetos estruturais com o Guadua angustifolia



Fonte: Antonio Ludovico Beraldo, Unicamp

Escola oferece cursos sobre construção com bambu

Fundada em 2002 pela arquiteta Celina Llerena, a Escola de Bioarquitetura e Centro de Pesquisa e Tecnologia Experimental em Bambu (Ebiobambu) visa pesquisar e disseminar conhecimentos referentes à aplicação de técnicas e materiais naturais e ecológicos, especialmente o bambu. 

A Ebiobambu, localizada em Visconde de Mauá (RJ), reúne profissionais que, além dos projetos arquitetônicos, oferecem cursos e palestras para incentivar o uso do material e formar mão-de-obra especializada. Um ano antes da criação da escola, Celina já fazia coleta de espécies de bambu. 

Hoje ela conta com um campo de propagação da gramínea e um banco genético com mais de 50 espécies diferentes. 

Endereço: Escritório na Rua Benjamim Batista, 7/301, 22461-120, 
Jardim Botânico, Rio de Janeiro. 
Telefone: (21) 2266-2197. 
Site: www.ebiobambu.com.br, e-mail: ebiobambu@ebiobambu.com.br.

Pavilhão de meditação


Localização: Vale das Flores, Visconde de Mauá (RJ)
Área coberta: 146 m2
Área útil: 80 m2
Área de varanda: 39 m2
Vão livre interno do octógono: 11 m
Espécie de bambu utilizada: Phyllostachys pubescens (Moso) 

Características da espécie: bambu tipo alastrante de altura média de 20 m. O diâmetro dos colmos chega a atingir 15 cm. Nativo da China - mas encontrado no Brasil - tem colmos resistentes e retos, sendo bastante adequado para construção.
Projeto e execução: arquiteta Celina Llerena/Ebiobambu 

Conexões entre as peças: as ligações são feitas com barras rosqueadas ou ferro não encruado (rosqueado na ponta) de 5/16. Nas conexões principais, no entanto, é feito preenchimento com cimento, areia e cal. Todas as peças usadas são bambus roliços da espécie Phyllostachys pubescens, com diâmetro médio de 10 cm. Nenhum desses componentes é pré-fabricado.

Pintura: segundo Celina Llerena, para realçar o material utiliza-se um impregnante - stain - que penetra nas fibras, tem ação fungicida e é fácil de reaplicar, já que não exige novo lixamento. 

Caixilhos: para inserir elementos como portas e janelas, a arquiteta recomenda deixar frestas de 1,5 cm de cada lado dos caixilhos. Assim, coloca-se o alizar, vedando-se com espuma de poliuretano.

Impermeabilização: nas junções com as fundações, o bambu é mantido afastado do chão a uma altura de, no mínimo, 40 cm sobre uma bolacha de barra chata e fina de ferro, aço ou bronze para evitar contato com a umidade e beirais grandes ajudam a evitar a incidência direta de sol e chuva.

Fundação

Para a fundação, diz Celina, utilizou-se tubo de concreto, "que é barato e não requer nenhuma fôrma". O concreto é do tipo ciclópico. "Nesse estágio da construção, utilizam-se dois ferros de 5/16 ou 3/8" (dependendo da espécie de bambu escolhida), que estão infincados até o terceiro nó e depois concretados."

Cobertura 

O pavilhão tem forro de esteiras de palha comum coladas em placas de laminado melamínico furado. Por cima, uma subcobertura com alumínio e ripas de madeira, podendo ser usado qualquer tipo de cobertura, seja capim, sapé ou outras. 

Resistência à compressão 

A exemplo das madeiras, o bambu seco (s) apresenta maior resistência do que o bambu verde (v), sendo que a base tende a ser a região de menor resistência. 

DG = Dendrocalamus giganteus
GV = Gigantoclhoa verticillata 
GA = Guadua angustifolia 
Fontes: Ebiobambu - Inbar   Via: Techne Pini

6 tipos de casas ecológicas e menos agressivas

6 tipos de casas ecológicas e menos agressivas

Casas naturais estão ganhando popularidade em todo mundo, com as mais variadas formas, tamanhos e feitas com os mais diversos tipos de materiais não agressivos ao ambiente. Construções feitas com bambu, COB ou adobe, e até feitas com materiais reaproveitados, nos mostram que as nossas edificações não precisam necessariamente oferecer um grande impacto no ambiente. Portanto, aspectos como origem do material e sua quantidade existente estão sendo levados em consideração pelos novos construtores.

Já contamos aqui diversas histórias de pessoas que fizeram moradias mais sustentáveis e baratas, e não se arrependeram nem um pouco das empreitadas. Para você se inspirar e talvez começar seu projeto, ou mesmo tornar a sua casa um pouco mais ecológica, preparamos 6 modelos de casas naturais que estão conquistando muita gente.
01 – COB

O Cob é um material de construção divulgado recentemente pelos movimentos de sustentabilidade e construção natural, ele é composto por argila, areia e palha, similar ao adobe. A mistura é a prova de fogo e altamente resistente a abalos sísmicos. Seu custo é quase nulo e é geralmente usado para fazer um tipo de arquitetura mais artística e escultural, por conta de sua fácil manipulação.

02 – Adobe

Os tijolos de adobe são um dos materiais construtivos mais antigos do mundo. Sua composição consiste em uma mistura de água terra e fibras orgânicas dispostos em formas para secagem ao sol. O material oferece vantagens como baixo consumo energético na fabricação, é um excelente isolante térmico e acústico, não é tóxico e tem matéria prima abundante.

03 – Pedra

As pedras também são um material abundante no planeta e são usadas desde que o homem começou a edificar. As construções erguidas com pedras são geralmente muito resistentes a intempéries climáticas e oferecem um custo reduzido.

04 – Bambu

Atualmente o bambu é considerado um dos materiais mais sustentáveis do mundo. Isso porque é encontrado em abundância e sua reprodução no ambiente é extremamente veloz. Além disso, é um material muito resistente e flexível que proporciona grande versatilidade ao construtor.

05 – Madeira

O uso da madeira em construções é um assunto bastante discutido por especialistas, pois se precisamos arborizar mais, pode ser contraditório um incentivo a seu uso. Contudo, a madeira é um recurso renovável e já existem diversas áreas de produção sustentável que comercializam madeira plantada em áreas de reflorestamento onde a extração é realizada de maneira não agressiva. Outra opção é reaproveitar madeira já utilizada em obras. Assim, a quantidade de resíduos é reduzida e a necessidade de corte de novas árvores diminui.

06 – Materiais reaproveitados

Outra tendência de construção ocorre por meio do uso de materiais descartados. Esses materiais podem ser os mais diversos e a construção varia de acordo com o que se consegue reunir. Portas, madeiras, janelas, ou mesmo concreto e tijolos reaproveitados podem se tornar novas construções que vão das mais simples à grandes projetos.

Imagens via: Wikipédia / Home Reviews /Bamboo decoration / Jerome M. O’Connor / Dean McLellan