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Pesquisadora nas áreas de sustentabilidade e saúde da habitação. Tem como objetivo projetar e prestar consultoria a clientes com interesse na busca pelo Viver Saudável, uma interação equilibrada entre meio ambiente, pessoas  e o Lar em que habitam.

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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

6 de mai de 2012

Sustentabilidade


O tema sustentabilidade vem ocupando cada vez mais espaço na mídia e chamado a atenção de vários setores, especialmente da construção civil, onde o "carimbo sustentável" é o objeto de desejo das indústrias que produzem os materiais e das empresas que constroem prédios nas cidades, sendo inclusive, utilizado como propaganda para a venda dos mesmos.
Quem ainda não recebeu um panfleto de algum dos prédios Ecolife?
Para alcançar essa certificação no Brasil, é necessário seguir as indicações do sistema Leadership in Energy & Environmental Design (LEED), uma ferramenta criada nos Estados Unidos e que está sendo adaptada para o Brasil pelo Green Building Council Brasil, que fornece diretrizes capazes de mensurar o grau de sustentabilidade dos edifícios.
Implantação do prédio, infra-estrutura do local, acesso fácil, eficiência energética e no manejo da água, além da utilização de materiais considerados sustentáveis são alguns dos itens que são analisados pelo sistema, conferindo pontos para o edifício.
Parece complicado, mas como disse Nelson Kawakami em artigo da revista Finestra, na verdade, a sustentabilidade não cria nada novo, apenas resgata coisas que já existiram, e para ilustrar a idéia, dá como exemplo a boa arquitetura produzida por Rino Levi ainda nas décadas de 1940 e 1950, a qual podemos incluir as realizações de Affonso Eduardo ReidyOsvaldo Bratke, Oswaldo Corrêa Gonçalves, entre outros.
Residência Castor Delgado Perez, projetada por Rino Levi na década de 1950
O uso de ventilação cruzada e elementos vazados contribui com o conforto ambiental da edificação

Apesar de reconhecer que existe um pouco de "moda" no tratamento do tema, Nelson enxerga essa crescente teorização sobre a sustentabilidade como uma busca de conscientização da sociedade sobre os problemas criados a partir da década de 1970, a época do "Brasil Grande" e do "milagre econômico", com a construção de grandes prédios que não faziam referência ao conforto ambiental e empregavam a tecnologia do ar condicionado como única solução.


Edifício sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro (1969-1973)
Algumas curiosidades sobre o edifício demonstram o pensamento da época: o volume de concreto utilizado seria suficiente para a construção de 30 edifícios de 10 andares; a fabricação dos dutos de ar-condicionado consumiram cerca de mil toneladas de chapas de aço galvanizado, etc. Fonte: BASTOS, M.A.J. (2003). Pós-Brasília: rumos da arquitetura brasileira: discurso prática e pensamento. São Paulo: Perspectiva; FAPESP.
Mesmo com a crescente conscientização, Nelson expõe algumas dificuldades atuais, como a obtenção de materiais e serviços sustentáveis *, além da relatividade do próprio conceito de sustentabilidade. Explicando: não adianta um material ser considerado sustentável ele próprio, se terá que ser transportado por quilômetros, queimando combustível e poluindo o ambiente.
Dentre as dificuldades, incluo mais um fator: o custo, geralmente maior, acaba afastando os clientes na hora da compra (exemplo: o custo da madeira certificada pelo FSC - Conselho de Manejo Florestal, órgão que assegura sua origem não predatória, fruto de manejo sustentável, é compreensivamente bem maior)

Resumindo: sustentabilidade não se resume a materiais alternativos ou tecnologias de ponta, mas ela engloba, antes de tudo, um bom planejamento da arquitetura como um todo, uma implantação correta, considerando a incidência do sol, dos ventos, um planejamento adequado da obra, levando em conta os materiais disponíveis no local, etc. Por isso, contrate um arquiteto!
*Por definição, produtos sustentáveis são aqueles que ao longo de todo seu ciclo de vida - da fabricação ao descarte - não agridem o meio ambiente. Algo um pouco utópico demais, mas é interessante notar como várias indústrias já trabalham no sentido de minimizar os impactos de sua produção, além de adotarem sistemas de reutilização de materiais e resíduos, como por exemplo a Amanco, a Roca Brasil (produz as marcas CeliteIncepa e Logasa) que reutiliza resíduos industriais no processo de fabricação das louças e a Tintas Coral e a Suvinil que empregam garrafas PET na produção de esmaltes e vernizes, reduzindo o problema do descarte inadequado do material.

Abaixo, algumas opções de materiais "sustentáveis" (seja por contribuírem com a racionalização das fontes de energia e de água, ou pela possibilidade de serem reutilizados após o fim de seu ciclo de vida ou reciclados por meio de processos industriais) que se encontram disponíveis no mercado:

Tijolos de solo-cimento: composto de terra, cimento (de 5 a 12%) e água, o tijolo de solo-cimento é mais ecológico porque sua produção, através de prensagem hidráulica, ocorre sem a queima de madeira e o consumo de energia (presentes na fabricação dos tijolos cerâmicos convencionais).

Cimento ecológico: leva entre 35 e 70% de resíduos de altos fornos das siderúrgicas. Esse material, nocivo ao meio ambiente, fica inerte ao ser transformado em cimento e torna o processo de produção do cimento menos agressivo ao meio ambiente, especialmente no que diz respeito à emissão de CO2 para a atmosfera.

Telhas com aparas de tubos de creme dental, da Ecotop ou telha de Tetrapak (caixinhas do tipo longa-vida), da Reciplac.

Telhado verde: melhora o conforto térmico e acústico da construção, devolvem o verde às cidades, diminuem a velocidade de escoamento da água das chuvas e, por isso, ajudam a combater as enchentes.

Piso produzido com resíduos de pneu, da Verdeal.

Cerâmica Invenchiatto Orgânica, da Lepri, que utiliza resíduos de lâmpadas fluorescentes.

Pisos drenantes, como os da linha Ekko, da Castelatto (foto) e o Megadreno da Braston, que contribuem para manter a permeabilidade do solo.


Marmoleum: piso fabricado com materiais naturais como óleo de linhaça, farinha de madeira, resina, pedra de cal, juta e pigmentos naturais. Disponível em diversas cores.



Tintas à base de água são uma boa opção. Marcas como Sherwin-Williams, Eucatex, Renner, Suvinil e Lukscolor já possuem em seus portfólios até esmaltes à base de água, em substituição aos aditivos químicos.


Válvulas de descarga especiais, como os modelos Hydraduo da Deca ou Válvula de Descarga Square Salvágua da Docol: possuem duas teclas que ao serem acionadas despejam dois volumes de água diferentes, um para líquidos e outro para sólidos, racionalizando o consumo de água.



Torneiras com arejadores, que permitem a passagem de ar juntamente com a água, restringindo a vazão sem perder o conforto. Os registros reguladores de vazão também podem ser usados, controlando ainda mais o fluxo.
Torneiras acionadas por sensor ou só um toque: geralmente, são programadas para fechamento após seis segundos de funcionamento, o que permite uma redução do consumo de até 70%, além de serem mais higiênicas, ótimas, especialmente para espaços comerciais.

Sistemas de aquecimento solar para água.

Outros materiais podem ser encontrados no Catálogo Sustentável, um site que armazena informações sobre produtos e serviços avaliados a partir de critérios de sustentabilidade e selecionados pela equipe de especialistas do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (GVces).

Fonte: Arquitetando Oficina de Projetos