A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Foto: Erman Akdogan
A base de qualquer construção é a estrutura. E se estamos falando em construção sustentável, não poderíamos deixar de fora elementos como cimentos, tijolos e vigas de sustentação.
As alternativas sustentáveis são aquelas que geram menores impactos ambientais tanto no processo de fabricação quanto no transporte, utilização e descarte final. Assim, sejam eles feitos de materiais reciclados, naturais ou simplesmente pensados de forma a gerar menos danos ao meio ambiente, o que importa é planejar bem antes de começar a construir.
Quando o assunto é parede, três linhas de materiais se destacam: os blocos de entulho, os tijolos de solo-cimento e os tijolos de terra.
Blocos de entulhos
Foto: Tadeu Pereira
São materiais livres de matéria orgânica e que reaproveitam o entulho como base para sua fabricação. Esses resíduos coletados em outras obras (como cerâmicas, telhas e tijolos) são moídos, misturados a areia e cimento e transformados em blocos novos.
Esses materiais são vendidos inteiros, em meio blocos ou canaletas e podem ser estruturais (que podem levar ferragens no seu interior) ou não.
Tijolos de terra
Foto: aldoflickr
Existem diversos modelos de tijolos que utilizam o solo em sua composição. Entre os mais tradicionais está o pau-a-pique. Apesar de não ser estrutural e de precisar de uma grade de madeira para ser erguido, esse material está em alta no mercado graças à possibilidade de ser rebocado, emboçado e pintado.
Para produzir a terra-palha são utilizadas matérias-primas naturais e renováveis, como capim, palha de trigo, solo argiloso e água. Por conta disso, esse material apresenta uma baixa densidade e alto isolamento termo-acústico. Para montar uma parede com esse material é indicada construção de uma estrutura de madeira.
A grande estrela da arquitetura de terra, porém, é o adobe. Esses tijolos, feito com terra crua, água e palha, é bastante leve e permite um alto conforto térmico dentro do ambiente. O adobe também costuma ser bastante resistente, barato e pode ser preparado no próprio local da obra.
Tijolo de solo-cimento ou Bloco de terra comprimida
Foto: Monteiro Tijolos
O bloco de terra comprimida (BTC) ou tijolo de solo-cimento é um tijolo composto por terra (areia argilosa), água e um pouco de cimento (entre 8 e 10% da sua composição) e comprimido em prensas mecânicas. Ele é bastante parecido com o adobe e, em geral, não requer massa de assentamento.
Além de dispensar o rejunte, o tijolo de solo-cimento utiliza menos ferro e concreto nas vergas, cintas e grautes e não requer o uso de madeira, estribos, arames e pilares. São vendidos inteiros ou pela metade (para evitar o desperdício).
Outros materiais
Ainda existem outras alternativas para quem pensa em construir uma casa de bem com o planeta. Blocos de pedra, madeira certificada, bambu e até garrafas de vidro e PET já foram usadas em construções sustentáveis. Cimentos ecológicos e vigas sustentáveis também já podem ser encontrados no mercado da construção civil.
Foto: Bambupue
Apesar de tantas opções sustentáveis, a arquiteta do escritório Primamatéria, Ivone Rocha, alerta: “é preciso pensar de forma inteligente na racionalização da construção e assim gerar o mínimo de entulhos e de desperdícios e melhorar o conforto ambiental do local, e isso você consegue com vários materiais, apesar de ser mais fácil com os naturais”.
A escolha do material depende da demanda e de algumas características do projeto, como o estudo de ventilação e iluminação naturais, o clima local e o terreno onde a construção será erguida. “Isso tudo é discutido com o cliente”, conta Ivone.
A arquiteta informa ainda que a depender do projeto, diferentes materiais podem ser misturados e usados em diversos ambientes de uma mesma edificação. “Em um sobrado, por exemplo, você pode usar o pau a pique na base e blocos de terra-palha, que são mais leves, na parte de cima”, explicou.
Foto: Danilo Fiuza
Tendência
“O mundo todo está preocupado com essas questões ambientais e as pessoas estão começando a tomar atitude e buscar tecnologias que resolvam os problemas que nós mesmos criamos”, observa Ivone.
“A gente já vê lojas como a nossa começando a vender mais materiais desse tipo. Os clientes já fazem questão de usar produtos mais sustentáveis porque sabem que isso fará a diferença no consumo de energia, de água etc”.
Além de uma potência de mercado, a construção sustentável é também um campo de trabalho mal explorado, opina Ivone. “Existe muita diferença técnica no uso de cada um desses materiais e você tem dificuldade em conseguir um profissional da construção civil especializado ou treinado”, acrescenta.
Foto: Paolo Rosa
Custo benefício
E para quem se interessou pela ideia, aqui vai uma boa notícia: “uma parede sustentável não é necessariamente mais cara que uma parede comum”, segundo a arquiteta da Primamateria.
Ela lembra que a conta final deve envolver diversos aspectos – e não apenas o valor do metro quadrado. “O cálculo é mais complexo”, diz Ivone, que lembra ainda que mesmo que se gaste mais em alguns materiais é possível economizar em outras partes da obra.
Fatores como o aluguel de caçambas para levar os entulhos, o tempo de reforma e os consequentes gastos com mão-de-obra, o material usado no acabamento, além dos custos com ventilação e iluminação após o término da construção também devem ser contabilizados.
Fonte: Ecodesenvolvimento







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