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Pesquisadora nas áreas de sustentabilidade e saúde da habitação. Tem como objetivo projetar e prestar consultoria a clientes com interesse na busca pelo Viver Saudável, uma interação equilibrada entre meio ambiente, pessoas  e o Lar em que habitam.

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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

13 de jan de 2014

A sustentabilidade do canteiro na visão de cada metodologia

BREEAM, HQE, H&E, GBToII, entre outras, estabelecem procedimentos


Bacia de sedimentação
(crédito: Petinelli)

- Redução da produção de resíduos – exigida apenas pela HQE e LEED for Homes, embora seja fundamental;

- Gerenciamento dos resíduos do canteiro – presente em todas as metodologias. Explicitam ou não aspectos com quantificação dos resíduos (BREEAM, HQE, H&E, GBToII), avaliação dos custos de destinação (H&E), definição de plano de gerenciamento dos resíduos ou a organização da triagem e da coleta (BREEAM, HQE, H&E, GBToII, LEED NC), qualidade da triagem (HQE), rastreabilidade dos resíduos transportados (HQE);

- Valorização da reciclagem e do reuso (CASBEE, H&E, GBToII, LEED NC), sendo que três se preocupam explicitamente com a origem da madeira usada nas construções temporárias;

- Limitação dos incômodos causados pelo canteiro (sonoras, visuais, etc.) (BREEAM,HQE, H&E);

- Limitação das poluições causadas pelo canteiro (solo, água, ar, etc.), incluindo exigências para a proteção do ecossistema local da obra e para se evitar erosões e assoreamentos (todas, exceto CASBEE);

- Limitação dos consumos de recursos demandados pelo canteiro (água e energia) (HQE);

- Criação de instrumentos gerenciais que minimizem os impactos – ideias complementares aparecem em quatro das metodologias: implementação de um Sistema de Gestão do Empreendimento (HQE); criação de um conjunto de procedimentos (mecanismo de comunicação com a vizinhança e de tratamento de queixas; contratação das construtoras levando em conta os aspectos ambientais; realização da etapa de preparação do canteiro e realização de balanço ambiental do canteiro ao final da obra) (H&E); implementação de medidas de controle da qualidade da construção (BREEAM, LEED).

Canteiro de obras
Planejamento e responsabilidade social
 
Aspersão com água de reúso evita propagação de resíduos
(crédito: Divulgação Libercon)

Em 2014 a indústria da construção civil deverá estar adaptada às diretrizes do Programa Brasileiro de Resíduos Sólidos. Na opinião da maioria dos profissionais envolvidos com o segmento não será uma tarefa difícil, ao menos para as grandes construtoras. Seja por aspectos ligados às certificações ambientais dos empreendimentos, ou para resguardar a imagem institucional, a parcela formalizada da construção já trabalha com canteiros mais organizados, com um correto gerenciamento de resíduos, o que inclui o reaproveitamento na própria obra e o direcionamento para reciclagem.

Rogério Hirata, gerente de projetos da Libercon, construtora paulista várias vezes premiada por suas ações sustentáveis, explica que a administração e limpeza do canteiro de obras insere-se numa política mais geral de sustentabilidade. Apesar de ressaltar o incentivo oferecido pelas várias certificações, como o LEED, Hirata faz um alerta: “não podemos esquecer que existe uma resolução do Ministério do Meio Ambiente, que é a CONAMA 307, que já tratava deste assunto há muitos anos, mas nunca ninguém deu muita atenção, nunca foi feito um trabalho em cima disso, em função até da falta de fiscalização. Se você não tem fiscalização, as construtoras e os empreendimentos acabam tratando este resíduo como entulho, como lixo, e grande parte dele vai para os aterros sanitários. A grande questão da separação dos resíduos sólidos no canteiro de obra é justamente não destiná-los a aterros sanitários; você separa para que possa destinar a outras localidades, quando não à própria reutilização dentro da obra, como material inerte, sub-base de pavimentação, calçadas, entre outras aplicações. O conceito seria esse: separar o resíduo para reaproveitar, e assim diminuir o impacto no meio ambiente, nos aterros sanitários, que na grande maioria são ilegais, clandestinos”.

João Vitor Gallo é engenheiro ambiental e consultor da Petinelli. Assim como Hirata, ele coloca a sustentabilidade do canteiro de obras numa perspectiva mais geral. Dentre os vários aspectos, ele destaca “o método construtivo, que deve utilizar técnicas, módulos reutilizáveis e materiais que não geram resíduos na sua produção ou na aplicação. Utilizar matérias com conteúdo reciclado, extraídos e manufaturados próximos à obra, que possuam baixa emissão de compostos orgânicos voláteis e cuja empresa fabricante possua um compromisso com o meio ambiente, com certificações de gestão ambiental e programa de logística reversa”.

Vizinhança deve ser levada em conta

O cuidado com o entorno também deve ser objeto de preocupação dos gestores da obra, “diminuindo ao máximo o impacto na vizinhança, seja com ruídos, pela água que vai para a galeria pluvial ou nos sedimentos deixados na rua pelo rodado dos veículos”. Gallo recomenda que a obra disponibilize um número de telefone para reclamações e sugestões da vizinhança.

A sinalização e o treinamento também merecem atenção. “Prover circulação exclusiva de pedestres e sinalizações instrutivas acompanhadas de treinamento periódico diminuem a incidência de acidentes. Contratar empreiteiras e funcionários registrados, com carteira assinada, vinculados aos seus órgãos de registro, atendendo às normas trabalhistas”, também é obrigatório. Gallo arremata falando sobre a necessidade de “segregar corretamente todos os resíduos gerados, e enviá-los para reciclagem ou reuso, assim como identificar baias sinalizadas com placas e cores, além de coletores em vários pontos da obra”.

Trabalho de proteção de taludes (Libercon)

O gerente de projetos da Libercon usa sua experiência para discorrer sobre o assunto. “Nas grandes obras, a maioria dos materiais vêm em grande quantidade, sobre paletes; isso traz outros problemas, temos de lidar com as caixas, papelão e plástico. Eles são separados e depois destinados a empresas que trabalham com reciclagem. Alguns materiais que não podem ser reciclados, são considerados contaminantes, e neste caso é necessária sua destinação apropriada também para fora da obra, como, por exemplo, latas de tintas e solventes. Temos alguns resíduos que são considerados inertes, que muitas vezes não são destinados para nenhuma outra empresa que vai processar isso, e que conseguimos aproveitar no próprio canteiro de obras. Sacos de cimento, por exemplo: se nós temos uma laje alveolar (aquela que possui o seu miolo com alvéolos) podemos colocar todos esses sacos de cimento distribuídos nestes alvéolos, o que traz uma característica interessante para a laje, um maior conforto acústico e até mesmo térmico. Isso é só uma sugestão, uma ideia que foi proposta em um dos muitos seminários dos quais nós já participamos. Restos de blocos, de materiais que podem ser processados (quebrados, triturados) dentro do canteiro de obra, podem tornar-se a sub-base de uma pavimentação, de uma calçada, do último subsolo, enfim, conseguimos aproveitar esses materiais mais volumosos”, defende.

Os metais são totalmente recicláveis, mas exigem planejamento. “Logo no início, já na estruturação, no planejamento, na preparação do início da obra, quem está com essa preocupação de trabalhar os resíduos, de fazer a segregação, a separação, tem que pensar para quais empresas esses materiais serão destinados; criar essas parcerias de destinação, procurar a transportadora que irá fazer essa coleta periódica, para destinar esses materiais que foram separados para essas empresas que desde o início do processo já estão pré-selecionadas. Há um acordo comercial às vezes entre elas, como ‘eu te dou esse material, e você não me cobra para retirar’. Há todo tipo de arranjo. Há também o caso em que a construtora paga o transporte e muitas vezes consegue reverter, principalmente no caso do aço, que tem um valor agregado alto, algum valor financeiro também”, recomenda Hirata.


Coleta seletiva de resíduos

Na verdade o gerenciamento dos resíduos deve ser planejado de acordo com o volume de resíduos que a obra gerará. A começar pela implantação da central de resíduos. Questões como a localização da central, se em contêineres, numa construção ou num barracão separado por alvenaria, devem estar equacionados. Contrapiso, ou uma lona que proteja o solo desses resíduos, assim como cobertura, são obrigatórios para evitar qualquer tipo de contaminação do solo.

Hirata afirma que a Libercon tem um compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social. “Buscamos parceria com uma empresa especializada no assunto, que é a Obra Limpa, que nos apoiou e nos deu consultoria neste sentido, fazendo uma auditoria externa nos nossos canteiros de obras e treinando nosso pessoal, operários e engenheiros. Em todas as obras da Libercon, mesmo que ela não esteja buscando qualquer nível de certificação sustentável, aplicamos o conceito de separação de resíduos. Já existe uma gama de fornecedores bem grande, de pessoas que trabalham com esse resíduo pós-obra, essas empresas já fazem parte do nosso pool de fornecedores. Enfim, na Libercon o resíduo é tratado como algo que está dentro da cadeia de suprimentos, como se fosse um material que está sendo adquirido”. No início da obra são identificados os parceiros e feito um projeto específico do canteiro de obras, que contempla a consultoria para a obra limpa e calculada a expectativa de geração de resíduos. A tipologia da obra definirá a central de resíduos, assim como o detalhamento da separação.

Planejamento é requisito

Lembrando sempre que o gerenciamento de resíduos é um dos aspectos da sustentabilidade no canteiro de obras, o gerente de projetos da Libercon diz que esta começa com o planejamento, evitando a poluição e o desperdício e pensando no bem estar dos trabalhadores e da vizinhança.

“O que é reduzir ou evitar a poluição no canteiro de obras?”. “Toda obra gera muita poeira”, vai respondendo Hirata à própria indagação, “isso não só prejudica a vizinhança, como os próprios operários. O correto é tratar a questão da poeira da forma adequada: se for uma obra muito extensa, com uma grande área de implantação, a suspensão de poeira é enorme; tenho que prever desde o início do meu orçamento da obra o tratamento através de caminhões pipa, com água reaproveitada da chuva. Isso faz com que essa poeira não fique suspensa no ar. Eu tenho outras ações, como o lava rodas, obrigatório na entrada e na saída, para que as carretas e caminhões que transitam pela obra ao sair não levem essa sujeira toda para as ruas. Para evitar, inclusive, o entupimento das galerias de águas pluviais da região. Outras questões devem ser tratadas, como a poluição sonora, os ruídos dos maquinários. Certa obra que fizemos o vizinho estava muito próximo, muro a muro, e nós, para evitar tanto a questão da poluição visual quanto o ruído, instalamos um grande painel, uma lona dividindo a obra do vizinho, para minimizar o ruído e o impacto visual”.


Proteção de espécies nativas (Petinelli)

Gallo, da Petinelli, realça o papel da organização para a sustentabilidade por permitir encontrar ferramentas e suprimentos necessários com mais facilidade, evitando a degradação dos materiais e motivando os colaboradores para otimizar a produção. Isso inclui a sinalização, que identifica o local de depósito para cada tipo de resíduo facilitando sua posterior reciclagem, ao mesmo tempo que sinaliza áreas de risco. “Um canteiro sustentável é aquele que possui as condições ideais para evitar o desperdício e a perda de materiais, faz o processo construtivo causar o menor impacto possível na sua vizinhança, armazena e acondiciona corretamente cada tipo de resíduo gerado e os encaminha para reuso e/ou reciclagem”, enfatiza.

Sem dúvida que, ao se tratar da sustentabilidade nos canteiros de obras, os materiais são fundamentais. “Vou dar exemplos”, discorre Hirata, “as tintas para empreendimentos sustentáveis são aquelas que possuem baixo índice de COV. As madeiras devem ser certificadas, com o selo FSC, que é um selo de madeira de reflorestamento. Obviamente são materiais que custam mais caro”. Mas o gerente da Libercon diz que o custo, apesar de ser um pouco mais elevado, tende a reduzir-se com os ganhos de escala.

É na estrutura do edifício que, na opinião dele, estão os maiores ganhos. “Uma construção pré-moldada é mais sustentável, pois eu levo o material pronto para obra, que vira uma obra mais de montagem do que construção. Quando eu faço uma obra moldada in loco, existe toda a questão das formas, as construtoras acabam optando por formas em madeira, por serem mais baratas que as metálicas, que podem ser reaproveitadas. Mas de uma forma geral, quando a obra é moldada in loco ela gera mais resíduos, e a ideia é também evitar a geração de resíduos. E quando esta não for possível, que esses resíduos sejam separados e destinados corretamente. Eu posso optar, ainda, por um cimento com escória de alto-forno, por um cimento com um maior índice de materiais recicláveis, assim como o aço. Isso tudo faz parte até do processo de certificação. Para poder comprovar que os materiais escolhidos são materiais mais sustentáveis, existe todo um processo de rastreabilidade. Então na compra de materiais como aço, concreto, que são estruturais, esses índices nos trazem percentual de material reciclado incorporado naquele material. Isso já é premissa, é pedido logo no início da contratação desse fornecedor. Vou comprar o seu aço desde que ele tenha x% de material reciclado incorporado”.


Lava bicas para evitar o entupimento de bocas de lobo
Gallo, da Petinelli, também valoriza o método construtivo escolhido, a qualidade do material utilizado e a instrução e competência da mão de obra como elementos que contribuem para a sustentabilidade nos canteiros. “Blocos pré-moldados, sem o chapisco, sem quebrar tijolos, otimizam o uso dos materiais, que a priori possuem um custo um pouco maior, mas se pagam a partir do momento em que o volume de materiais adquiridos é menor, além da economia com destinação dos resíduos”.

Sobre o aproveitamento na própria obra, o consultor da Petinelli destaca os “resíduos de caliça, provenientes de sobras de processo ou demolição de estruturas existentes no terreno. Normalmente são utilizados como base de aterro para dar resistência mecânica e impedir o movimento de compactação do solo. Existem máquinas compactadoras, que podem ser locadas no próprio canteiro, que transformam blocos em areia e brita; esse material é utilizado em base de pavimentos e a areia em concreto não estrutural”.

Segundo Gallo, a maioria dos resíduos gerados na construção civil são passíveis de reciclagem ou reuso. “O grande volume de embalagens plásticas e papel é facilmente reciclado, assim como as ferragens e metais oriundos das sobras de corte. Atualmente até mesmo o gesso é reutilizado, compondo uma mistura de nutrientes e adubo para o solo, para correção de pH. A sobra de madeira é incinerada em fornalhas de pizzarias, lavanderias industriais e olarias e o cavaco e a serragem em compostagem. No entanto, os resíduos químicos e perigosos, como madeira contaminada, assim como as embalagens de tintas, restos de lã de rocha, estopas e rolos, são os vilões da reciclagem dos resíduos da obra. Esse material é separado em baias e caçambas destinadas à resíduos perigosos e encaminhados a aterros sanitários para tratamento”.

Neste sentido há que se destacar o crescimento da logística reversa que tem ajudado a limitar os resíduos gerados nas obras. “Muito em função da visão ambiental das grandes corporações em reconhecer o valor agregado da matéria prima das embalagens recicladas versus recursos naturais. Nas obras que nós acompanhamos aqui na Petinelli, conseguimos utilizar a logística reversa nos resíduos de sacos de cimento (a partir de uma quantidade mínima) e latas de tinta, além de empresas que se comprometem em receber novamente as sobras de lã de vidro, gesso (drywall) e lã de rocha”.

Rogério Hirata, da LIbercon  e João Victor Gallo, da Petinelli

Fonte: Portal E A