A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Imagem do Edifício Kadosh, da RKM Construtora. O primeiro edifício a receber o Selo Casa Saudável.
O Selo Casa Saudável mostra os parâmetros para que uma construção que não atinja a saúde das pessoas. Para entender de onde vem este certificado, é importante se familiarizar com a geobiologia. Também conhecida como a biologia da construção, é o estudo de como o espaço impacta a saúde humana – e como podemos utilizar desse pilar para melhorar um lugar e nosso organismo. Na prática, ela reúne tudo o que afeta o nosso bem-estar, que está diretamente ligado à nossa saúde.
“No começo do século houve uma grande procura pelos conceitos sustentáveis e suas aplicações. O que acabou girando muito dinheiro em cima de publicidade e marketing sobre o assunto trazendo o nome – e a cor verde. mas nenhum benefício de fato ao meio ambiente”, comenta o presidente do Instituto Brasileiro de Geobiologia, Allan Lopes. “Como o conceito de sustentabilidade veio se deteriorando com o tempo, tivemos uma decisão para nortear uma construção verdadeiramente saudável”, completa. “É a introdução de um conceito no Brasil que já existe há muito tempo no exterior”, comenta o especialista.
A geobiologia está preocupada com o conforto a longo prazo e as consequências que o meio pode trazer para o seu organismo. Veja algumas dicas de como colocá-la em prática na sua casa.
Iluminação
A iluminação deve ser o mais natural possível. A luz natural provinda do sol é responsável pela produção de Vitamina D, cuja função é a absorção de cálcio e fósforo.
Ter um ambiente bem iluminado também traz uma ação bactericida. Lugares escuros e úmidos proliferam fungos e bactérias, tornando o espaço insalubre.
Já durante a noite, é recomendável retirar aparelhos como computadores e celulares do ambiente. “Mesmo quando o aparelho está desligado, em modo de espera, aquele pequeno sinal de led já atrapalha”, conta Allan. O led, principalmente o vermelho, dá a informação para o nosso corpo de que ainda está de dia.
Tendo como padrão a natureza, o nosso organismo foi feito para morar nas cavernas. A luz é a informação que diz para a gente que está de dia. Então é ela quem determina a nossa produção de vitamina D, entre outras substâncias, que estimula a gente a produzir.
À noite, é importante que tudo esteja escuro para que os hormônios noturnos sejam sintetizados. É dormindo que produzimos melatonina, por exemplo, o hormônio que regula o sono e regenera a pele. Se temos luz no ambiente, há uma pausa nessa produção e uma confusão no nosso organismo, prejudicando a qualidade do sono, a sintetização dos hormônios, vitaminas, e a nossa disposição.
Qualidade do ar
Podemos observar algumas formas de contaminação do ar. Entre elas a química, que se dá por meio de toxinas presentes, como benzeno, tolueno, entre outras. A origem destas substâncias é variada, podendo vir dos materiais de construção, como tintas e vernizes; dos mobiliários, que podem liberar substâncias de colas e materiais sintéticos.
Essas substâncias presentes em acabamentos e mobiliários normalmente são chamadas pelo nome genérico de Composto Orgânico Volátil (COV, ou em inglês VOC, Volatile Organic Compound). A cola, por exemplo, é manipulada e você sente o cheiro de longe.
A atuação destas toxinas em geral no nosso organismo pode ser desde uma simples irritação na pele ou nas mucosas (boca, olhos, nariz) até severas complicações respiratórias, alergias e outros sintomas.
Existem empresas que tendem a diminuir e colocar em zero. E já começou a confecção do Selo para produtos. Mais de 60 estão sendo analisadas no momento. “Como o projeto começou em setembro, as empresas ainda vão receber o certificado”.
Ventilação
A ventilação também é um aspecto fundamental. Se a casa ficar sempre fechada, os níveis de poluição interna do ar sobem. Mesmo em São Paulo, onde o ar é muito carregado, é preciso abri-las para ventilar.
O especialista explica que quando fechamos as janelas e o espaço não tem ventilação, a produtividade cai. Estamos trabalhando e gastando mais energia para produzir.
Som
Dividindo a qualidade do som em três níveis, temos aquilo que é ilegal que traz perda da qualidade auditiva; o desconfortável, que interfere na nossa capacidade de concentração; e o saudável, que interfere na nossa irritabilidade.
No trabalho, às vezes precisamos falar mais alto, existem grandes barulhos e nosso estímulo auditivo interfere na nossa irritabilidade – afetando diretamente a nossa saúde. “Quando o corpo não sabe o que fazer, assim como na situação dos exemplos acima, ele se protege e ‘fica nervoso’. Nossa pressão aumenta, assim como a tensão muscular”. Nosso corpo, assim como a natureza, vive um ciclo – que temos que manter em equilíbrio!
Para saber mais sobre este projeto e consultar um especialista, acesse o site do Selo Casa Saudável. E mãos à obra!
Leia mais em: Revista Claudia

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