A arquitetura tem um papel importante na maneira como vivemos. Os ambientes em que moramos, trabalhamos e descansamos influenciam nossa rotina, nosso conforto e a forma como nos relacionamos com o mundo. Mas será que, para viver melhor, precisamos consumir mais energia, instalar mais equipamentos e utilizar cada vez mais recursos? Essa é uma reflexão importante quando falamos em arquitetura sustentável. Criar espaços que proporcionem qualidade de vida não significa necessariamente construir mais, investir em tecnologias sofisticadas ou seguir as últimas tendências. Significa, antes de tudo, compreender as necessidades das pessoas e planejar ambientes que funcionem de maneira eficiente, saudável e equilibrada. Uma arquitetura consciente busca o equilíbrio entre conforto, funcionalidade, respeito ao meio ambiente e uso responsável dos recursos disponíveis. 1. O conforto começa nas escolhas do projeto Um ambiente confortável não depende apenas de móveis bonitos ou equipamentos modernos. E...
Uma geladeira não é um produto acessível para milhões de famílias carentes em todo o mundo – o eletrodomésticos é um dos mais caros e, além do preço, o equipamento também precisa de acesso à eletricidade. Além disso sua produção e uso geram impacto ambiental negativo.
Uma solução está em um material simples, usado muitas vezes em filtros de água: a argila. Sem usar eletricidade, estas geladeiras estão sendo fabricados ao redor do mundo, oferecendo uma possibilidade acessível e ecológica para quem precisa refrigerar alimentos, mas não tem condições de pagar por uma geladeira elétrica ou acesso à rede de eletricidade no local onde vive.
A água evapora e leva junto o calor
A Ecoplanet é uma geladeira feita com lama e areia, 100% ecológica e capaz de garantir temperaturas baixas sem o uso de eletricidade. Desenvolvida por uma empresa mexicana chamada Depresa, o equipamento foi criado para as famílias que moram em regiões carentes onde não há eletricidade, para que os alimentos possam ser conservados por mais tempo.
A aparência é de um grande jarro de cerâmica e seu funcionamento ocorre por princípios físico-químicos: são dois recipientes de argila, separados por uma grossa camada de areia e terra. O equipamento é colocado a meia sombra e, quando a água da areia evapora, a temperatura da estrutura cai, garantindo alimentos frescos e conservados por muito mais tempo.

Desde 2015 os produtos da empresa são comercializados e recentemente foram incluídos em ações públicas de desenvolvimento social para garantir uma melhor qualidade de vida para famílias carentes ou que vivem em áreas rurais do México.
No vídeo abaixo, é possível ver como é a fabricação de geladeiras semelhantes no Marrocos:
Na Índia, o artesão Mansukhbai Prajapati, criou um refrigerador que não precisa de eletricidade para funcionar motivado por dificuldades financeiras que estava enfrentando.

Batizado de MittiCool, o refrigerador feito de argila consegue deixar os alimentos frescos por três dias, graças à uma câmara de água na parte superior do produto. Quando evapora, a água escorre pelas laterais da parede de cerâmica da geladeira, que têm 4 tipos diferentes de argila, fazendo com que os mantimentos continuem frescos. Ainda existe uma torneira na parte frontal, com água para ser consumida.
A temperatura da MittiCool pode ficar em torno de 8° C e o equipamento pode fazer uma grande diferença para quem não têm acesso à eletricidade e nem condições de ter uma geladeira comum.

Cada MittiCool é vendida pelo equivalente a R$ 135, o que garante o acesso a pessoas que não podem pagar por uma geladeira comum, além do fato de não precisar de energia – outro custo ou recurso não disponível para todos.
Veja abaixo um vídeo (em inglês) sobre as geladeiras de argila indianas:
Fonte: Ciclo Vivo


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