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Pesquisadora nas áreas de sustentabilidade e saúde da habitação. Tem como objetivo projetar e prestar consultoria a clientes com interesse na busca pelo Viver Saudável, uma interação equilibrada entre meio ambiente, pessoas  e o Lar em que habitam.

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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

26 de dez de 2010

Governo do Rio testa asfalto ecológico

O governo do Rio de Janeiro começou a testar asfalto sustentável como alternativa para aumentar a segurança nas estradas e espera adotar a iniciativa em todo o estado. O asfalto ecológico, como está sendo chamado, deixa a pista menos escorregadia em dias de chuva e tem maior durabilidade. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) informou que, além do esforço ecológico, a ideia é ter uma produção de asfalto de melhor qualidade e com baixo custo.
Para testar o novo tipo de pavimentação que usa uma mistura com pneus triturados, a primeira estrada brasileira a receber 35 quilômetros desse tipo de asfalto será a RJ-122, conhecida como Rio-Friburgo, rodovia que liga os municípios de Guapimirim e Cachoeiras de Macacu, na região metropolitana do Rio. O diretor de Obras do DER-RJ, o engenheiro Ângelo Pinto, afirmou que cada metro quadrado de asfalto ecológico retira do meio ambiente o equivalente a um pneu usado.
“Além de conseguir gastar [na fabricação do asfalto] uma quantidade muito grande de pneus, esse pavimento com alta viscosidade, elevado percentual de borracha, permite uma redução de ruído muito grande”, explica o engenheiro. Ele destaca que a mistura garante uma massa asfáltica com alto coeficiente de atrito, aumentando a performance dos carros. Com isso, é possível reduzir o número de acidentes nas pistas.
O diretor afirma que a obra será concluída no segundo semestre do ano que vem e a expectativa é que o piso tenha a durabilidade de 20 anos, o dobro em relação a recapeamentos comuns. Segundo Ângelo Pinto, a utilização dessa tecnologia vai depender da conveniência, logística e disponibilidade de pneus em cada obra, que segue a orientação dos secretários municipais. Entretanto, ele afirma que “é uma tendência que [o asfalto ecológico] seja usado cada vez mais em rodovias”.
Segundo o DER-RJ, outras pesquisas com polímeros à base de borracha estão sendo feitas para aumentar a segurança e o conforto dos condutores nas estradas.
Uma usina móvel foi instalada em Cachoeiras de Macacu para produzir o material, que foi inventado em 1960, no Arizona (Estados Unidos), mas só foi liberado para uso em escala industrial após a quebra da patente do produto, em 1998, afirma a Agência Brasil.

Casa em Berlim poderá produzir a sua própria fonte de energia e recarregar carros elétricos

O projeto é da ILEK, da Universidade de Stuttgart, na Alemanha 
Foto: Divulgação

O Instituto de Estruturas Leves e Design Conceitual (ILEK), da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, criou uma residência que poderá produzir energia o suficiente para alimentar a própria casa e recarregar veículos elétricos. O projeto foi liderado pelo professor Werner Sobeke.
A ideia foi ganhadora do concurso Casa com Mais Energia e Mobilidade Elétrica promovido pelo Ministério Alemão de Transportes, Obras e Desenvolvimento Urbano. A grande vantagem do projeto é que ele pode ser construído em qualquer lugar, pois pode ser facilmente montado e desmontado, e ainda pode servir de matéria prima para um novo edifício.
Os materiais de construção são sustentáveis e os designers criaram controles inteligentes que direcionariam a energia produzida, pelas matrizes solar e térmica, para os carros elétricos ou para alimentar outros prédios locais. Eles também esperam que a criação sirva de exemplo para a construção de futuros prédios.
A residência tem dois andares e uma tela de vidro que expõe como os sistemas de energia trabalham, porém, o vidro não restringe a privacidade dos moradores. Existem paredes dispostas de forma estratégica para permitir o conforto das pessoas.
A casa está prevista para ser exibida em meados de 2011, em Berlim.



15 de dez de 2010

Piso de Bambu para Isolamento Acústico

Para Arquitetos com foco em Sustentabilidade recebi por e-mail este piso de Bambu e achei nota dez, por isso aí vai a dica e o site do piso de bambu.
Ao invés de assentar o piso diretamente no contra-piso, utilizam um sistema de amortecimento, composto de adesivos elásticos e uma manta especial que isola o piso do contra-piso, devidamente preparado, sem que a aderência seja comprometida.


Apesar do conceito ser simples, a montagem deste sistema junto com a instalação do piso, requer uma técnica e habilidade que a equipe de instalação da BamStar está preparada e capacitada para executar.
Fonte: Bamstar

14 de dez de 2010

Arquitetos produzem casa inspirada na natureza

A casa residencial foi construída pela Undercurrent Architects
 / Foto: Divulgação

O design do telhado lembra as folhas que caem no outono e o do seu interior, um tronco de árvore. As paredes de vidro fazem com que a casa e o jardim se confundam em uma coisa só. Esse é o projeto para uma residência privada da Undercurrent Architects, chamado de “Casa Folha” (Leaf House).

O telhado é em forma de folhas / Foto: Divulgação

“O projeto desenha as imagens da natureza e expressa isso através das estruturas, criando links entre o interior e exterior”, disse a Undercurrent.
No seu interior, o design lembra um tronco de árvore
/ Foto: Divulgação

Localizada em Sydney (Austrália), a construção é uma união de design inovador e sustentável. Foram utilizados estratégias para economizar energia, como iluminação com baixo consumo, técnicas para retenção de água da chuva e sistema de refrigeração e aquecimento solar passivo - aquecimento solar sem a utilização de bombas.
As camadas curvas que formam o telhado servem para maximizar o volume interno, e promover um interesse visual de quem olha de cima, além de suavizar o visual da construção.
Outra vantagem é que a disposição de como as “folhas” foram colocadas permite a visão do mar e o controle da entrada de luz do sol - entra pelos espaços entre as “folhas”. Além disso, as paredes ondulantes de vidro suavizam os reflexos de luz, principalmente à noite.

As paredes são de vidro, o que confunde a casa com o jardim
/ Foto: Divulgação

De acordo com a empresa, especializada em áreas urbanas comprimidas e regeneração de áreas industriais degradadas, a combinação de design ambiental e materiais de alta e baixa tecnologia resultam nessa construção harmônica, sensível e engajada com o meio ambiente.

A casa fica em Sydney, na Austrália / Foto: Divulgação

A criação dos designers Didier Ryan e German Perez Tavio precisou utilizar métodos improvisados para alcançar a elevada complexidade técnica com as restrições de custo.

Assista ao vídeo da produção da casa.



Groove lança case de bambu para iPhone 4

Os cases da Groove são feitos de bambu / Foto: Divulgação
A Groove criou um estojo feito de bambu para aqueles que já realizaram o sonho de possuir um iPhone 4 e agora o querem proteger de qualquer arranhão, poeira ou simplesmente decorá-lo. O case é enfeitado com desenhos a laser.
  
Os desenhos são feitos à laser / Foto: Divulgação

A arte, além de original, pode ser totalmente exclusiva. É o consumidor quem acessa o site, escolhe a cor da moldura, escolhe o desenho e espera receber via correio. São três tipos de bambu e sete de molduras e o desenho pode ser enviado pelo consumidor, com certas restrições: não é permitido a gravura de nada que viole as leis de marca registrada, como brasões de times ou logomarca de empresas.

Os estojos de iPhone 4 possuem abertura para não atrapalhar
o funcionamento do aparelho / Foto: Divulgação

A vantagem de usar o bambu é que essa é uma planta que cresce muito rápido, é rapidamente renovável e ainda diminui o uso de madeira. Além disso, os bambus possuem certificado FSC e, de acordo com a Groove, ao comprar o produto, o consumidor toma uma posição contra a exploração do trabalho no terceiro mundo.
 
A embalagem do case também é de bambu / Foto: Divulgação

Outra vantagem é a embalagem também ser feita de bambu. Após transportar o case até a sua casa, a sujestão é reaproveitá-la e torná-la um porta-retrato.
São três tipos de bambu e os desenhos podem
ser personalizados / Foto: Divulgação
O case da Groove pode ser comprado no site oficial e os preços variam entre R$ 50,00 e R$ 150,00.
Fonte: Ecodesenvolvimento





12 de dez de 2010

Telhados Verdes: eles vieram pra ficar

Telhado verde ondulado - hotel em Stavanger, Noruega 
foto: JDS Architects

A modalidade começa a ser difundida pelos Estados Unidos e, na Europa, já entrou no estágio da experimentação com novas possibilidades de formas e designs. Além de melhorar a absorção da água da chuva, promover um melhor isolamento acústico e diminuir a concentração de poluentes na atmosfera, um estudo da Universidade de Columbia demonstrou que ao revestir a cobertura de um prédio com uma camada de terra e plantas é possível diminuir em até 84% sua absorção de calor.
Formados em cima de uma membrana impermeável – em contato com a estrutura do teto – , uma camada de drenagem, terra e uma cobertura vegetal, os telhados verdes têm temperaturas muito próximas às do ambiente. Isso ocorre porque as plantas evaporam grandes quantidades de água, resfriando o edifício e atuando como verdadeiro antídoto contra a formação de ilhas de calor urbanas, o aquecimento excessivo gerado pelas construções e asfalto das cidades. Já os tetos convencionais podem atingir temperaturas de 80oC às 13h, mesmo fora do alto verão.

Em Amsterdã, o telhado verde pode ser usado como terraço,
foto: Divulgação

Apesar de custar quase três vezes mais que o convencional, o número de telhados verdes está aumentando nos Estados Unidos. No ano passado, foram implantados em Chicago quase 56 mil metros quadrados de cobertura vegetal em prédios. Breve, esse número vai mais que decuplicar, atingindo 650 mil metros quadrados, pois a cidade tem outros 600 projetos na manga. Washington adicionou mais de 17 mil metros quadrados em 2009, e pretende alcançar a meta de ter 20% de telhados verdes até 2020.
Já em Nova York, a prefeitura criou subsídios para incentivar seus habitantes a recorrer ao telhado verde, e já é possível notar uma Manhattan mais esverdeada. Aprovada em 2008, a lei permite abatimentos em impostos no valor de até U$ 100 mil por ano. E o investimento vale a pena. No James Farley Post Office, edifício com a maior cobertura vegetal da cidade, o escoamento de água da chuva foi reduzido em 75% no verão e 40% no inverno desde que o telhado foi instalado. Isso porque as camadas de plantas e terra absorvem grande parte dessa água, evitando que ela sobrecarregue o sistema de drenagem da cidade e contribua para eventuais enchentes. Além disso, como a cobertura vegetal resfria o prédio no verão e funciona como isolamento térmico no inverno, estima-se que ela promova uma economia de U$30 mil ao ano com gastos de energia.

Na Polônia, telhados verdes quase de se confundem com a paisagem natural
foto: Divulgação

Na Europa, essa tecnologia tem sido utilizada há quase 30 anos. Em algumas cidades, como Stuttgart, na Alemanha, e Copenhagen, na Dinamarca, a utilização de cobertura vegetal é obrigatória para a maioria das novas construções. E já tem gente experimentando com novas formas e designs. Na Noruega foi construído um hotel com telhado verde ondulado em que os hóspedes podem subir para tomar um ar ou fazer exercícios. Em Amsterdã há um prédio residencial com essa mesma ideia, só que cada apartamento tem a sua própria saída para o terraço. Além disso, a construção foi toda planejada para aproveitar ao máximo a luz natural. E no interior da Polônia foram feitas casas com extensos telhados verdes que quase de se confundem com a vegetação local, diminuindo o impacto da arquitetura na paisagem natural.

Fonte: Inverde Via: OEcoCidades

9 de dez de 2010

Urbanização é o maior desafio para saúde pública, aponta OMS

Atualmente, mais de 60 milhões de pessoas se mudam para as
cidades todos os anos/Foto: Paul Beattie


Prefeitos de todo o mundo e líderes nacionais debatem o tema saúde urbana desde segunda-feira, 15 de novembro, em Kobe, no Japão. O encontro mundial convocado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) busca comparar programas e desenvolver políticas referentes ao assunto nas grandes cidades.
Segundo a OMS, o processo de urbanização é o maior desafio para a saúde pública. Atualmente, mais de 60 milhões de pessoas se mudam para as cidades todos os anos, sendo que mais da metade da população mundial (cerca de 3 bilhões) é urbana.
A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, afirmou que serviços de transporte seguros, investimentos em áreas públicas e a redução da poluição do ar são algumas das medidas para melhorar a saúde em cidades. Ela citou como exemplo Xangai, na China, onde uma lei antifumo foi introduzida em março para criar ambientes livres de tabaco.
O encontro dos prefeitos em Kobe termina nesta quarta-feira (17).


Com informações da Rádio ONU

Curitiba é a cidade mais sustentável da América Latina, revela índice

Jardim Botânico de Curitiba. Cidade foi destaque na edição
 latino-americana do GCI/Foto: whl.travel

A capital do Paraná, Curitiba, obteve no domingo, 21 de novembro, a distinção de metrópole mais verde entre outras 17 da América Latina, segundo um estudo sobre meio ambiente apresentado pela empresa alemã Siemens e a unidade de estudos da revista britânica The Economist. As informações são da Folha de S.Paulo.
Habitada por 1,7 milhão de habitantes, Curitiba foi a única das cidades analisadas que conquistou um resultado "muito acima" da média quanto a implantação de normas ambientais, de acordo com o Green City Index (GCI), ranking apresentado no marco da Cúpula Climática Mundial de Prefeitos (CCLIMA), realizada no México.
Seguida dela, no segundo dos cinco níveis, ficou outro grupo de cidades como a capital da Colômbia, Bogotá, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Resultados "aceitáveis" na classificação foram obtidos pela colombiana Medellín, Cidade do México, Puebla e Monterrey, Porto Alegre, Quito e Santiago do Chile, situadas no terceiro nível. "Abaixo da média", o quarto nível em termos ambientais, ficaram Buenos Aires e Montevidéu, enquanto a mexicana Guadalajara e Lima, capital do Peru, estiveram um nível mais abaixo, "muito abaixo" da média.
O novo índice considerou as variáveis de eficiência energética e emissões de dióxido de carbono (CO2), uso do solo e edifícios, tráfego, resíduos, água, situação das águas residuais, qualidade do ar e agenda ambiental de governo. O GCI pretende ser um indicador que ajude a conscientizar as autoridades municipais sobre as necessidades de desenvolver políticas sustentáveis, explicaram os responsáveis pelo estudo.
"A ferramenta permitirá às cidades aprender mais de suas respectivas situações e fomentará a troca sobre estratégias eficazes partindo de uma base objetiva", explicou à Folha Pedro Miranda, executivo da Siemens e diretor do estudo. Segundo Leo Abruzzese, diretor global da Unidade de Inteligência de The Economist, o índice demonstra que as cidades que seguem uma colocação integral "alcançam resultados muito notáveis".
A metodologia do GCI foi empregada pela primeira vez com cidades europeias há um ano, em outro estudo apresentado pela Siemens e The Economist, com o apoio da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Banco Mundial (BM). À época, o resultado ficou conhecido em Copenhague (Dinamarca), durante a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima, realizada em dezembro de 2009.





Ladeira acima: Conheça as cidades que driblaram a geografia em nome das bikes

Das soluções simples às mais complexas: o que não faltam são
alternativas às ladeiras / Foto: Hector

Conhecida pela suas colinas íngremes, a cidade de São Francisco, na Califórnia, tem até uma ladeira como um dos seus principais pontos turísticos, a Lombard Street. Mas a geografia acidentada não impediu que o governo local instituísse uma meta audaciosa: fazer com que 20% dos deslocamentos diários sejam feitos de bicicleta até 2020.
A cota, que hoje é de cerca de 10%, terá que dobrar na próxima década, e para isso, o governo pretende fazer altos investimentos e modificar drasticamente o sistema de tráfego local.
No plano do novo sistema ciclistico da cidade, as ruas mais planas e rotas mais diretas foram privilegiadas. Onde a ladeira for impressindível, as ciclovias serão mais largas, para ajudar quem precisar descer e empurrar a magrela. Alguns pontos contarão ainda com elevadores para bicicletas, onde os ciclistas poderão rolar suas bikes ladeiras acima.
Quem já utiliza a tecnologia desde 1993 é a cidade de Trondheim, na Noruega. Assim como em São Francisco, os ciclistas escandinavos também sofrem com o relevo acidentado – o que não impede 18% da população de utilizar a bicicleta diariamente como meio de transporte.
Para vencer as ladeiras, os ciclistas só precisam inserir o cartão de acesso na máquina que controla o "elevador” e colocar um dos pés no suporte metálico. Automaticamente um sistema guiado por trilhos empurra a pessoa ladeira acima a uma velocidade que varia entre 4 km/h e 5 km/h.

Veja como funciona:

Soluções baratas

Para as cidades que não podem arcar com os custos de tanta tecnologia, existem opções mais simples e baratas. A primeira delas, sugerem especialistas, é dar preferência a trechos que cortam vales e seguem o fluxo dos rios.
É o caso da cidade baiana de Salvador. Dividida entre Cidade Alta e Cidade Baixa, a capital é uma das sedes de Copa do Mundo de 2014, e possui planos de multiplicar a malha cicloviária de 18 km para 140 km até o evento.
Uma pesquisa realizada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) mostrou que o excesso de ladeiras é a terceira maior causa de preocupação dos soteropolitanos quando o assunto é utilizar a bicicleta como meio de transporte. Para amenizar o problema, a malha projetada utiliza as avenidas de vale da cidade, como Paralela, Bonocô e orla, informou o coordenador do projeto, Itamar Kalil.
A adaptação pode ser útil para outras capitais que também sofrem com a topografia. É o caso da cidade mineira de Belo Horizonte. Uma pesquisa do Pedala BH, órgão ligado à prefeitura, mostrou que apenas 35% da cidade tem declividade entre 0% e 10%, tida como apropriada para os ciclistas. A declividade considerada ideal (entre 0% e 5%) só está presente em 15% da cidade.

3 de dez de 2010

A melhor resposta para a pergunta: e o bambu?

O poste dá a luz em cima.. a mulher dá a luz em baixo… e o bambu? O bambu a gente usa pra fazer escolas! Pelo menos em Bali, Indonésia, isso se tornou possível graças aos designers-ambientalistas John Hardy e Cynthia Hardy. Com a criação, a dupla quer dar exemplo para a vizinhança e mesmo para a comunidade internacional sobre como é possível viver apoiado na sustentabilidade.
Na instituição, afiliada à Fundação Meranggi e a PT Bambu, as crianças começam seus estudos ambientais, aprendendo a construir com bambu. Plantar, colher, cozinhar o arroz, e assim aprendem de onde vem os alimentos e como cultivá-los. Também estudam música e artes plásticas.
O prédio em si é uma maravilha arquitetônica, possivelmente a maior estrutura de bambu do mundo. Construído a mão por carpinteiros em duas espirais, a escola levou apenas três meses para ficar pronta, segundo informa o GreenProphet.
As salas de aula não tem paredes então a brisa passa livremente. Quando chove, os funcionários e as crianças cobrem o telhado com uma bolha feita de bambu e de borracha natural.

Estão no currículo da escola temas como ecologia, meio ambiente e artes. Assim, o foco é tornar os pequenos alunos de Bali e de outros países, verdadeiros líderes em sustentabilidade.


Para complementar a vocação ecológica do empreendimento, a escola usa energia obtida por painéis solares e dois vórtices de água, que geram 8.000 watts de eletricidade. As calçadas são feitas de pedras vulcânica retiradas a mão – sem asfalto ou petroquímica.

Fonte: Eco4planet




Casas terão etiquetas para baixo consumo de energia

A Casa Eficiente da Eletrobras Eletrosul, em Florianópolis (SC): um dos nove
empreendimentos que receberam a certificação de eficiência energética para residências.

Você sabia que morar em um prédio eficiente em energia pode reduzir de 30% a 40% a conta de luz no fim do mês?
A Eletrobras e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) lançaram nesta segunda-feira, dia 29 de novembro, em São Paulo, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia para residências e edifícios multifamiliares.

A etiqueta será concedida pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), que já emite outras duas certificações semelhantes voltadas para eletrodomésticos e edifícios comerciais, públicos e de serviço. Mas dessa vez, os consumidores estão sendo munidos de mecanismos para escolher um novo lar levando em conta o seu desempenho energético.

A adesão ao programa é voluntária e serão avaliados os empreendimentos nele inscritos o desempenho térmico durante o inverno e o verão, e aos sistemas de aquecimento de água, iluminação e refrigeração, onde serão atribuídos a eles uma nota que varia de “A” a “E”. A média ponderada das categorias determina a nota final do prédio.
“A necessidade da redução do consumo de energia nas edificações é um aspecto presente tanto nos projetos de novos edifícios como também na discussão de políticas públicas”, afirma Solange Nogueira, gerente da Divisão de Eficiência Energética em Edificações da Eletrobras/Procel Edifica. No Brasil, a energia elétrica dos edifícios corresponde a cerca de 45% do consumo, sendo que as residências são responsáveis por mais de 22% desse total, destaca o portal Ambiente Energia.
Ao todo, nove empreendimentos receberam a certificação. Um deles foi a Casa Eficiente da Eletrobras Eletrosul, em Florianópolis (SC), que possui soluções de eficiência energética como geração de energia fotovoltaica. O empreendimento é atualmente a sede do Laboratório de Monitoramento Ambiental e Eficiência Energética, responsável pela realização das avaliações técnicas das edificações do programa Procel Edifica.





Projeto quer Postos de Gasolina e Lava-Rápidos captando água da chuva

Lava-Rápidos e Postos de Gasolina podem ser obrigados a captar água da chuva 
Foto: Monica Di Blasio

Se o Projeto de Lei 7849/10 do deputado Francisco Rossi (PMDB-SP) for aprovado, postos de combustíveis e estabelecimentos de lavagem de veículos serão obrigados a captar água da chuva para reaproveitar, o que seria uma ótima forma de economizar água limpa.
Segundo a proposta, o sistema deverá ser instalado em até 180 dias após a publicação da lei. Rossi ressalta que o objetivo é evitar o desperdício. “A lavagem de veículos com água tratada é um exemplo de despreocupação com a escassez desse recurso natural”, afirma para a Câmara dos Deputados.

Tramitação

O projeto tramita em conjunto com o PL 1616/99, do Executivo, que regulamenta o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, previsto na Constituição. As duas propostas serão analisadas por uma comissão especial, juntamente com outros nove projetos que tratam de assunto semelhante.
Fonte: Eco4planet



3 de nov de 2010

FALANDO DE AFONSO EDUARDO REIDY

Citação
AFFONSO EDUARDO REIDY

conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/
 
Affonso Eduardo Reidy
(1909 – 1964)
 
histórico do arquiteto      Pioneiro da linha modernista, Affonso Eduardo Reidy juntamente com Lucio Costa e Oscar Niemeyer, transformou a paisagem arquitetônica brasileira. Nascido em 1909, em Paris, naturalizou-se brasileiro. Estudou arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro entre 1926 e 1930, tendo como influência Walter Gropius, Mies Van der Rohe e Le Corbusier.
 
Affonso Eduardo Reidy em visita à obra em 1950, fonte Livro Affonso Eduardo Reidy, Ed. Blau
 

A partir de 1932, ingressou, através de concurso, no quadro de funcionários públicos do Rio de Janeiro, na época Distrito Federal. Devido a este fator, seus trabalhos foram desenvolvidos especificamente para obras públicas, colaborando inclusive com o urbanista Alfredo Agache na elaboração do Plano Urbanístico do Rio de janeiro, atuando no planejamento da Esplanada do Castelo (1938) e posteriormente, no projeto do Ministério da Educação e Saúde, no Centro da cidade.

Sua obra foi marcada pela preocupação com o melhor aproveitamento do espaço, considerando especialmente a natureza e a paisagem dos locais onde seriam implantados os projetos. Sua carreira no serviço público coincidiu com a entrada do Presidente Getúlio Vargas no poder e estendeu-se até 1964, quando ocorreu o Golpe Militar que, abafou aos poucos as artes em geral no nosso país.
 
“Affonso Eduardo Reidy lutava por uma arquitetura social e econômica. Toda a sua obra foi realizada nesse sentido. Não se conhece um só projeto seu que não fosse para a comunidade. Não projetou palácios nem prédios suntuosos, pois era cônscio da responsabilidade social da arquitetura. Foi sempre um arquiteto sóbrio e revolucionário no que fez.”  (Carmen Portinho) (1)
 
Reidy exerceu suas atividades como arquiteto no período entre 1929 e 1964. Durante essa fase de nossa história, ocorreram a Revolução de 1930 e o Golpe Militar de 1964. Nesta época a arquitetura brasileira pôde ser desenvolvida de forma a contribuir para o crescimento do país. Sua morte em 1964 livrou-o da frustração de ver suas idéias e suas obras serem abandonadas pelo novo Regime instaurado.
 
projetos executados
 
Albergue da Boa Vontade, 1931       Construído durante o governo Provisório de Getúlio Vargas, a obra tinha por finalidade abrigar durante o período noturno, homens de rua. Reidy ganhou o concurso promovido pela Prefeitura e seu projeto passa a ser considerado um dos pioneiros da nova arquitetura no Rio de Janeiro.
 
“Os nossos arquitetos tivera, com o concurso para o anteprojeto de um albergue noturno, a oportunidade de revelar os seus conhecimentos nos assuntos modernos de arquitetura,... Em toda parte os arquitetos procuram resolver os problemas de arquitetura proletária dentro de princípios humanos. (...) O albergue noturno tem uma dupla finalidade: de socorro aos necessitados e ao mesmo tempo uma escola natural de higiene. Os arquitetos modernos não aconselham o albergue noturno como um edifício que apenas resguarda o sem-trabalho das vigílias ao relento. Os planos arquitetônicos desses edifícios obedecem a fins educacionais e humanos.” (2)
 
No projeto do Albergue da Boa Vontade, Reidy adota um partido bastante geométrico para a época. O acesso principal consiste numa grande abertura que permite ao usuário total ligação entre o espaço urbano e o pátio interno do edifício. A planta é simétrica, destacando-se apenas a área onde está localizada a dispensa, onde foi adotada forma arredondada. As janelas foram colocadas de forma horizontal por toda a fachada, além da utilização de laje plana na cobertura, uma inovação no Brasil.
   
Conjunto Habitacional do Pedregulho, 1947        No projeto percebe-se nitidamente a preocupação de Reidy com o homem. Enfoca os espaços abertos e as áreas além da unidade habitacional. Defende que “habitar não se resume à vida no interior de uma casa (3).  Propõem a composição entre a moradia e o espaço externo, instalando serviços complementares às famílias na mesma área do edifício principal.
O complexo foi construído no Morro do Pedregulho em São Cristóvão, Rio de Janeiro, em 1947, pelo Departamento de Habitação Popular do Distrito Federal e destinava-se a atender à demanda habitacional de funcionários públicos do Estado. O projeto paisagístico é de Roberto Burle Marx e os painéis artísticos de autoria de Candido Portinari, Burle Marx e Anísio Medeiros. 
 
  Affonso Eduardo Reidy - Pedregulho - croqui da fachada principal
 
O projeto como um todo reúne várias áreas e edifícios distintos, num mesmo espaço. Sua idéia era atender às necessidades tanto de moradia, quanto de saúde, educação e lazer. O Conjunto Habitacional do Pedregulho apresenta-se da seguinte forma:
O projeto compreende quatro blocos residenciais. O bloco A, tem 260 metros de extensão, e possui 272 apartamentos de diferentes tipos. Está situado na parte mais elevada do terreno e segue a forma sinuosa do morro localizado atrás dele. Duas pontes ligam o acesso a um pavimento intermediário que é parcialmente livre, composto por colunas grossas, no qual as crianças podem brincar nos dias chuvosos e nos horários de muito sol. Nesta mesma área, serão instalados os serviços de Administração e Serviço Social, a escola maternal e as escadas coletivas que darão acesso aos demais pavimentos.
Nestes pavimentos residenciais, de 50 em 50 metros estão localizadas as escadas. Os dois pavimentos inferiores possuem apartamentos de apenas um andar, os demais apartamentos, são duplex de um a quatro quartos.
“A solução duplex foi adotada para a maioria dos apartamentos por ser aquele que oferece maior rendimento, pela possibilidade de atingir, sem elevador, a quatro pavimentos, e permitir, mediante maior profundidade do bloco, o mínimo de testada, aumentando desta forma o número de unidades do bloco.” (3)
 
 
Os outros dois blocos, de 80 metros cada aproximadamente, possuem duas ordens de apartamentos duplex, com 56 apartamentos de dois, três e quatro quartos. Além destes blocos destinados à residência, o complexo possui uma escola primária, lavanderia comunitária e cooperativa.
A idéia de Reidy para o projeto da escola do complexo do Pedregulho era de não apenas atender às crianças moradoras do Conjunto, mas também, a comunidade do bairro como um todo. O projeto inclui ginásio de esportes, piscina, vestiários e campos de jogos ao ar livre.  O lado do ginásio que é virado para a piscina é guarnecido por largas portas basculantes que, quando abertas, transformam num só ambiente toda a área de esporte. As portas em posição horizontal atuam como marquise.
O Posto de Saúde destina-se especificamente a atender aos moradores do conjunto. O mercado, outro elemento do projeto, possui acesso de serviço, estacionamento para carga e descarga de mercadorias e acesso público. O edifício tem o teto central rebaixado facilitando a circulação de ar. A lavanderia proporcionaria aos moradores, serviço de lavagem mecânica facilitando o serviço doméstico.
Pensando na circulação, o arquiteto optou em seu projeto pela total separação entre pedestres e veículos. O pedestre tem a oportunidade de circular entre todos os elementos construídos, sem precisar atravessar ruas. Todos os blocos possuem estacionamento para veículos.
A preocupação de Reidy com a insolação e a ventilação, fez com que projetasse os blocos sob pilotis, proporcionando áreas abrigadas e ventiladas ao mesmo tempo.
 
Affonso Eduardo Reidy - conjunto Habitacional do Pedregulho, painéis de Portinari e Burle Marx
 
“Aproveitando as linhas acidentadas do terreno, o imponente volume do Conjunto Habitacional Pedregulho encontra-se equilibrado com a flexibilidade do desenho, avocando formas ondulantes do relevo local. As curvas do prédio principal respondem às curvas da encosta, segundo uma dialética formal, realçando sobremaneira as suas linhas. Foi a primeira grande obra projetada por Reidy onde impôs, com excelente arquiteto que era a característica de buscar soluções integradas que atendessem ao ponto de vista social. Foi o primeiro conjunto construído no Brasil com uma visão de programa e concebido atendendo às possibilidades formais do concreto armado.” (Carmen Portinho, 1999)
 
Conjunto Residencial Marquês de São Vicente, 1952       
“Este conjunto residencial está sendo construído em terreno situado para substituir uma “favela” existente no local, com aproximadamente 955 barracões, abrigando 5.262 pessoas em péssimas condições de higiene e sem nenhum conforto. Essa “favela” resultou da degradação progressiva de um “parque proletário”, construído em 1942 pela Municipalidade, em madeira e em caráter provisório, para abrigar os egressos das favelas que vinham sendo extintas, naquela época, em outros bairros centrais. Essa população é constituída na sua grande maioria (70%) por famílias de trabalhadores com profissões estáveis e filiados ao Instituto e Caixas de Aposentadoria. Havia sido previsto, então, o prazo máximo de seis anos, findo o qual seriam os respectivos moradores transferidos para habitações definitivas.”(4)
 
O terreno onde foi implantado o projeto do Conjunto Residencial São Vicente, no baixo da Gávea, no Rio de Janeiro, configura-se de forma irregular, medindo 114 mil m2. Deste total, metade é plana e o restante estende-se pela encosta, atingindo o ponto mais alto do morro, com desnível de 60m. A encosta está voltada para o norte, tendo à sua frente o morro do Corcovado e à esquerda os morros Dois Irmãos; à direita a Lagoa Rodrigo de Freitas, aos fundos a praia do Leblon. O terreno é atravessado pelo rio Rainha. 
 
 
Para a implantação do projeto, foram feitas obras de canalização do rio Rainha e construída uma avenida de ligação do bairro do Leblon ao da Gávea. Para isso, foi necessário cortar a montanha, construindo um túnel sob ela (Túnel Dois Irmãos). No projeto, novamente são estabelecidas diferenciações entre circulação de veículos e pedestres. Os acessos por veículos são feitos perifericamente, onde também foram dispostos os estacionamentos.
 
Mais uma vez, Reidy utiliza-se da forma serpenteante no edifício residencial, colocado ao longo do morro, sobre o túnel. Mantém-se o andar livre, entre os pavimentos que abrigam os apartamentos. São projetados 748 apartamentos de vários tipos, assim como, creche, escola maternal, igreja, jardim de infância, escola primária, administração e serviço social. A taxa de ocupação é de 11,4% do total do terreno. Para a concepção estética do projeto, são utilizados pilares em V no andar intermediário.
 
“Quanto ao projeto do Conjunto da Marquês de São Vicente, na Gávea, também construído pelo Departamento de Habitação Popular sob minha coordenação, sua construção demorou mais tempo do que Pedregulho, porque seria muito maior. (...) Eram para ser construídos no terreno vários blocos, e só construíram um, justamente aquele curvo, como é hoje, assim mesmo interrompido diversas vezes. Estávamos sob o governo de Carlos Lacerda, (de) cuja orientação quanto à moradia popular eu discordava. Não tive outra alternativa a não ser pedir a minha aposentadoria e, logo depois, o Reidy também se aposentou, de modo que não tivemos mais nada com o andamento da obra...
Como o Pedregulho, o Marquês de São Vicente seguia a mesma filosofia, ou seja, os apartamentos seriam alugados e não vendidos aos funcionários da Prefeitura. Aí, antes mesmo de concluído, os políticos deixaram de lado os assistentes sociais que selecionavam os pretendentes e foram distribuindo apartamentos a torto e a direita. Como não podia deixar de ser, a coisa acabou degringolando.” (Carmen Portinho, 1988)
 
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1953       O projeto do MAM no Rio de Janeiro ocupa uma área de 130 m de extensão por 26 m de largura. Não possui colunas, oferecendo total liberdade para arrumação das exposições. Tem pé direito variável, em algumas áreas com oito metros de altura e em outras, com 6,40m ou 3,60m.
 
 
O corpo principal do museu, referente ao bloco para exposições, é constituído de quatorze pórticos em concreto armado, espaçados de 10 em 10m, vencendo um vão de 26m entre os apoios. Os montantes da estrutura bifurcam-se a partir do solo formando um V e entre eles foi montada a estrutura dos pavimentos. As fachadas que sofrem maior incidência solar, receberam quebra-sol móvel de alumínio.
 
 
MAM Rio de Janeiro - foto beatriz brasil, 2007 
 
Na construção do museu houve uma grande preocupação em utilizar materiais em seu aspecto natural, tirando partido de suas cores e texturas, com predomínio do concreto, alvenaria de tijolos, alumínio e vidro. Reidy recebeu severas críticas, inclusive pela diretoria do MAM, com relação à escolha dos materiais e acabamento. Nesta obra, o arquiteto optou como de costume, por adotar a racionalidade, selecionando os materiais pessoalmente.
 
“O terreno era só água, o desmonte do morro de Santo Antonio prosseguia... Ora, já tínhamos feito sondagens e verificamos que, pelo tipo de terreno, teríamos que fincar estacas de 16 a 20 metros de profundidade.”
 
  Affonso Eduardo Reidy-MAM - RJ - croqui da fachada norte, perfil do teatro à esquerda
 
  Affonso Eduardo Reidy-MAM - RJ - esquema dos blocos do Museu, 1. galeria de exposições, 2. bloco
 
“Para se ter uma idéia do tipo de terreno, para fiscalizar os trabalhos ou fincar as estacas, eu, os engenheiros e técnicos, íamos de bote por toda aquela água... Em Juno de 1955, (...) foi cravada a última estaca. (...) As obras  foram reiniciadas no princípio de agosto do mesmo ano, começando-se os trabalhos pelo Bloco-Escola. Procederam-se, então, os serviços de rebaixamento de lençol d’água, no trecho correspondente ao subsolo e a execução da estrutura. (...) As obras entraram em ritmo acelerado. ...O Rio caminhava para ter seu Museu de Arte Moderna, cuja divulgação do projeto arquitetônico obteve enorme repercussão no Brasil e no exterior através de publicações especializadas”. (Carmen Portinho, 1998)
 
Affonso Eduardo Reidy-MAM - RJ - fachada posterior, varanda - fonte Livro Affonso Eduardo Reidy
 
Affonso Eduardo Reidy-MAM - RJ - planta do 2o. pavimento, fonte Livro Affonso Eduardo Reidy, Arquiteto.
 
Affonso Eduardo Reidy-MAM - RJ - planta do 1o. pavimento e do subsolo, fonte Livro Affonso Eduardo Reidy, Arquiteto.
  Affonso Eduardo Reidy-MAM - RJ - planta do pavimento térreo, fonte Livro Affonso Eduardo Reidy.
 
“Pensado para dialogar com a paisagem - a horizontalidade da composição para fazer frente ao perfil dos morros cariocas -, as fachadas envidraçadas, trazendo para o interior o paisagismo de Burle Marx, o projeto de Reidy apresenta-se racionalista e plástico a um só tempo. Não há distância entre a estrutura e a aparência final. Os vãos livres têm um fim prático: a liberdade de composição oferecida ao espaço expositivo, o convite ao jardim no plano térreo. Do cuidado com o concreto aparente à escolha dos granitos e pedras portuguesas, o projeto ganha o parque.” (5) 
 
Sede do Instituto de Previdência do Estado da Guanabara/IPEG, 1957     
“Este edifício será a sede de uma instituição destinada a conceder pensão e auxílios de assistência social aos beneficiários de seus contribuintes.” (Memorial para construção).
A partir do plano de urbanização da Avenida Presidente Vargas vários terrenos tornaram-se disponíveis para novas construções. O edifício do IPEG está situado num terreno de esquina, com sua fachada principal voltada para a Avenida Presidente Vargas e lateral, para a Avenida Norte Sul. A face oeste, que recebe grande insolação no período da tarde, recebeu sistema de brise-soleil parcialmente removível, constituído por placas horizontais e verticais.  Comissão de Arquitetura e Engenharia responsável pela execução do projeto, 1959 (6)
 
A estrutura do edifício foi toda composta em aço, proporcionando rapidez na construção e redução nas seções das colunas nos primeiros pavimentos. Possui vinte e dois pavimentos, uma sobreloja e um subsolo. Foi a primeira vez que foi utilizado esse tipo de estrutura na construção de um prédio no Rio de Janeiro.
 
Ministério da Educação e Saúde, 1936      Não poderíamos deixar de mencionar o edifício do Ministério da Educação e Saúde situado na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro que foi elaborado pela equipe composta por Lúcio Costa, Carlos Leão, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira, Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, com projeto paisagístico de Burle Marx e consultoria de Le Corbusier.
 
Ministério da Educação, Rio de Janeiro - projeto conjunto, Lucio Costa, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e outros.
 
O edifício apresenta as seguintes características: fachadas livres da estrutura funcionam como simples vedação; todo o esforço concentra-se nos pilares internos; instalação no piso de rede para telefones, luz e demais equipamentos utilizados na época, dentre outras. O partido adotado desenvolveu-se verticalmente, assim, parte do terreno ficou livre afastando o edifício dos demais já existentes. Foi criada uma grande praça no pavimento térreo realçando a construção. Nas fachadas foram utilizados os brise-soleis como forma de conter a insolação. Este elemento foi proposto por Le Corbusier e constituiu-se numa série de placas adaptadas à fachada de forma móvel assim elaboradas:
 
“O sistema empregado no edifício do Ministério da Educação e Saúde consiste em lâminas verticais fixas de concreto ligadas aos pisos e placas horizontais basculantes de Eternit, armadas em ferro...
As básculas serão constituídas por placas duplas de cimento-amianto, cujas propriedades isotérmicas são conhecidas. Plasticamente, procuramos encontrar solução que, pela sua unidade, proporção e pureza, se destacasse das construções vizinhas. Isso poderá observar quem vier pela Av. Beira-Mar, de onde o prédio ora em construção se destaca no conjunto não apenas pela sua altura, pois é pouco mais alto que os que o cercam, mas pela pureza de sua forma, que o contraste com o ambiente mais acentua.
Nesse conjunto, pintura e escultura tem cada qual o seu lugar, não como simples elementos decorativos, mas como valores artísticos autônomos, conquanto fazendo parte integrante da composição, que enobrecem e completam.”(6)
   
Affonso Eduardo Reidy mesclou em seus projetos, a influência intelectual de Lucio Costa e da utilização de elementos introduzidos por Le Corbusier, como os “5 pontos para uma nova arquitetura”.
Apesar desta influência, suas obras são valorizadas pelo modo como foram desenvolvidas e adaptadas à realidade dos locais onde foram construídas. Reidy utilizou um pequeno número de elementos que se repetem em cada um de seus projetos sendo utilizados de acordo com a função de cada um deles, adaptando ao sítio e ao programa elaborado. Seu repertório vai gradativamente sendo aperfeiçoado de acordo com o tipo de projeto e adaptando-se às relações formais e funcionais, assim como entre todos os elementos do entorno.
Sua maneira de projetar enfocando resolver o maior número possível de temas arquitetônicos e de tratar os problemas como se fossem únicos e precisassem de soluções especiais, além de seu domínio da escala urbana, produziu obras modernas totalmente integradas à cidade tradicional.
  
(1)     Carmen Portinho. Engenheira Civil. Estudou sobre habitação popular na Inglaterra. Em 1947, assumiu a Diretoria do Departamento de Habitação Popular da Prefeitura do Rio de Janeiro. (1903-2001)
(2)     Arquiteto Nestor B. de Figueiredo. Presidente do Instituto Central dos Arquitetos, 1931.
(3)     Affonso Eduardo Reidy. Ed. Blau. Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Pp.92.
4) Levantamento para implantação do Conjunto. Affonso Eduardo Reidy e Carmen Portinho, s/d)
(5) Centro de Memória do Museu de Arte Contemporânea do RJ
(6) Memorial descritivo do projeto publicado pela Revista Arquitetura e Urbanismo, 1939.