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Casa sustentável brasileira disputa prêmio na Europa


Uma casa em que o sol é a única fonte de energia para todas as atividades cotidianas dos moradores é o resultado de uma parceria entre seis universidades brasileiras. A casa, cuja construção deve começar ainda neste mês, em São Paulo, está entre os 19 projetos selecionados para a Solar Decathlon Europe, competição internacional entre universidades que acontecerá em junho de 2010, na Espanha.

O uso da energia solar e, também, a flexibilidade da construção contribuem para tornar sustentável o projeto das universidades brasileiras, batizado como Casa Solar Flex. Além de estar equipada para converter a luz do sol em energia e calor, a casa é projetada em módulos que permitem diferentes montagens a partir de uma mesma estrutura, adaptando a construção às condições ambientais locais.



A equipe brasileira responsável pelo projeto, chamada Consórcio Brasil, é formada por estudantes e professores de seis universidades do país (USP, UFSC, UFRGS, Unicamp, UFRJ e UFMG). Adnei Melges de Andrade, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da equipe, conta que a ideia de unir as seis instituições de ensino surgiu quando o vice-reitor de relações internacionais da Universidad Politécnica de Madrid (UPM), José Manuel Páez Borrallo, apresentou aos brasileiros a competição Solar Decathlon Europe. “A intenção do professor Páez era a de que uma universidade brasileira se candidatasse. Considerando a complexidade do projeto e o custo financeiro elevado, decidimos de pronto trabalhar em consórcio”, justifica Andrade.

É a primeira vez que uma equipe da América do Sul participa de um Solar Decathlon, competição organizada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos desde 2002. No ano que vem, o evento ocorrerá na Europa também pela primeira vez, fruto de um acordo entre os governos da Espanha e dos Estados Unidos. Na competição entre universidades de todo o mundo, ganha o prêmio a equipe que apresentar a melhor casa auto-suficiente energeticamente, utilizando como única fonte a energia solar.
No projeto da equipe brasileira, a energia irradiada do sol é aproveitada de duas formas, como explica o arquiteto Miguel Pacheco, aluno de doutorado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante do Consórcio Brasil. Por um lado, painéis solares - chamados painéis fotovoltaicos - transformam essa energia na eletricidade usada na casa. Por outro, coletores solares convertem a energia captada do sol em calor, que é usado para aquecimento da água doméstica utilizada, por exemplo, para banhos e na cozinha.
Além dos painéis em toda a superfície de cobertura da casa, foram projetadas placas solares móveis na fachada, como informa Yuri Kokubun, aluno de arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante da equipe. De acordo com o estudante, a estratégia foi adotada para otimizar o ganho de energia solar, considerando que a trajetória do sol é mais curta durante o inverno. As placas podem movimentar-se em função da diferença de insolação ao longo do ano ou do dia. Kokubun explica que, no caso de Madri, onde será a competição, elas podem ficar na fachada leste pela manhã e na sul à tarde, acompanhando o sol. Fora da competição (onde haverá uma rede interligada de energia), a auto-suficiência da Casa Solar Flex será garantida por baterias que acumulam toda a energia excedente gerada ao longo do dia. Nos períodos em que a geração for menor que o consumo, a casa utilizará essa energia acumulada. Se a energia solar é renovável e os sistemas precisam de pouca manutenção, por que as residências auto-suficientes não são adotadas em larga escala? Para Andrade, da USP, a perspectiva é que essas casas, com painéis fotovoltaicos, sejam de conhecimento da sociedade, já que o crescimento da população mundial levará a um maior consumo de energia, causando problemas de abastecimento. “Na medida em que os custos de sistemas fotovoltaicos baixem (e têm baixado), e na medida em que eletrodomésticos mais eficientes sejam utilizados e que haja consciência sobre o uso racional da energia elétrica, as casas auto-suficientes poderão ser viáveis em grande escala”, avalia o pesquisador. “Numa sociedade que se preocupa com o ambiente, já começam a surgir incentivos e leis para estimular o uso da energia solar”, completa.
O aproveitamento da energia que o sol irradia para a Terra tem amplo potencial de uso, na opinião de Pacheco, da UFSC. Ele lembra que o Brasil, por ser um pais tropical e equatorial, tem boas condições geográficas para esse aproveitamento. O arquiteto ressalta que o preço da geração fotovoltaica de energia elétrica diminuiu nos últimos anos, ao mesmo tempo em que cresceu a eficiência desses sistemas. “Para que a adoção em larga escala se torne viável, é necessário seguir o que está sendo feito no Japão, Estados Unidos e União Europeia: política de incentivo à instalação de sistemas fotovoltaicos e permissão para as residências venderem energia em excesso para a rede elétrica”, defende Pacheco, cuja pesquisa de doutorado tem como tema os chamados Edifícios de Energia Zero que, além de gerarem energia, repõem para a rede elétrica toda a eletricidade que importaram dela no período de um ano.
O projeto da equipe brasileira levou em conta também a chamada arquitetura bioclimática que, segundo Pacheco, usa o clima a seu favor para reduzir ao máximo a necessidade de sistemas artificiais de aquecimento e resfriamento. “Isso garante maior conforto ambiental, redução do consumo de energia e poluição e tem vantagens econômicas”, defende o arquiteto.
A casa possui uma estrutura comum - que contém instalações como geradores de energia, ar condicionado, eletrodomésticos e banheiro - à qual são acoplados módulos que permitem montagens diferenciadas. É possível construir modelos diversos de residência que, por exemplo, favoreçam a maior ou menor exposição solar e a escolha de paredes, coberturas e pisos para climas mais frios ou mais quentes, para que a casa se adapte às necessidades ambientais locais. Para exemplificar a flexibilidade do projeto, Pacheco contrapõe Curitiba e Amazônia. No primeiro caso, áreas grandes de janelas onde o sol incide no inverno frio esquentariam a casa, tornando-a confortável. E o projeto garantiria que, durante o verão, as janelas ficassem sombreadas, evitando aquecimento em excesso pela incidência direta do sol. Já na Amazônia, com calor e umidade o ano todo, as janelas seriam sempre sombreadas.
A decisão de projetar a casa em peças modulares levou em conta, também, a competição na Europa, como explica Kokubun, da UFRGS. A Casa Solar Flex será contruída na USP e depois levada para Madri. “Pensamos em uma casa que fosse transportável e de fácil montagem”, justifica o estudante. Ele conta que a situação influenciou, também, a definição do principal público alvo do projeto: o turista.
José Kós, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos coordenadores do projeto, explica que a decisão sobre o público-alvo visa atingir um número grande de famílias, que passariam alguns dias nessa casa e poderiam buscar várias das tecnologias do projeto quando fossem construir suas próximas residências, com o objetivo de gerar menor impacto no meio ambiente. Para Kós, o mais importante é que o sistema informe aos usuários o que acontece na casa: a energia que ela produz e a quantidade consumida por cada equipamento, condições climáticas externas, condições de conforto na casa, temperatura da água armazenada e previsões climáticas, por exemplo. “Com isso, os usuários poderão tomar decisões sustentáveis e avaliar o impacto das mudanças de seus hábitos”, argumenta. Kós esclarece que o objetivo do projeto da Casa Solar Flex não é que ele seja viável em grande escala em curto prazo, mas que algumas soluções já poderiam ser adotadas em muitas residências brasileiras.
Kokubun, da UFRGS, conta que a premissa da sustentabilidade esteve presente em cada pensamento do projeto da equipe brasileira. “Isso pode ser visto em cada detalhe que projetamos para a Casa Solar Flex. Vai desde a escolha dos materiais mais adequados, como a madeira de reflorestamento, até os equipamentos utilizados, com menor consumo energético”, descreve o estudante.
A construção de moradias no país ainda é muito pouco sustentável, na opinião de Kós, da UFRJ. “Não é só o mercado da construção que precisa ser alterado. É imprescindível que os hábitos dos moradores sejam modificados e que, além disso, eles pressionem o mercado, buscando casas mais sustentáveis”, defende. Ele acredita no potencial do desenvolvimento de soluções sustentáveis para residências brasileiras. “Se considerarmos a grande quantidade de moradias construídas anualmente no país, e ainda assim, o elevado déficit habitacional brasileiro, além da energia despendida, os materiais utilizados, os dejetos produzidos e o impacto social de todas as pessoas envolvidas no processo de construção e uso de uma residência, podemos concluir que esta é uma das áreas com maior impacto positivo na direção de uma sociedade mais sustentável”, completa.
Fonte: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3¬icia=583


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