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Pesquisadora nas áreas de sustentabilidade e saúde da habitação. Tem como objetivo projetar e prestar consultoria a clientes com interesse na busca pelo Viver Saudável, uma interação equilibrada entre meio ambiente, pessoas  e o Lar em que habitam.

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Muita Luz e Amor,

Celina Lago

10 de fev de 2015

Sanitário seco faz sucesso entre ambientalistas

A privada que não usa água e ainda recicla seu conteúdo virou uma bandeira contra o desperdício
Por: ANDRES VERA
O vaso sanitário como o conhecemos pode estar com os dias contados. Se depender de um grupo de ecologistas que está fazendo barulho contra as privadas atuais, no futuro nenhuma gota de água será desperdiçada e, como bônus, todos terão fertilizante grátis para o jardim. Como? Simples. Vá ao banheiro, faça o que precisa ser feito e, em vez de dar a descarga, carregue uma pá com serragem para despejar no fundo do vaso sanitário. Em condições ideais de umidade e temperatura, essa mistura vai se decompor e virar adubo dentro de um compartimento sob a própria privada. 

"O único problema contra a compostagem humana é o preconceito", diz o escritor e marceneiro americano Joseph Jenkins, de 57 anos, principal porta-voz do "sanitário seco", também conhecido como "sanitário de compostagem" (o nome técnico da decomposição de matéria orgânica para a produção de adubo). Jenkins ficou conhecido como Mr. Humanure (trocadilho com human, "humano", e manure, "excremento"). 

O grande trunfo do sistema é evitar a contaminação da água. É com essa bandeira ambiental que Jenkins vende a ideia do cocô reciclado. Seu livro Humanure handbook: a guide to composting human manure (algo como Manual para compostar excremento humano) faz sucesso entre ambientalistas. 

Depois do livro, algumas iniciativas surgiram nos Estados Unidos para colocar a ideia em prática. Em julho, a ONG Rizhome Collective ganhou uma licença para construir o primeiro banheiro ecológico "oficial" do Texas. Parte da população achou a ideia nojenta. Mas um argumento derrubou a resistência: o sanitário seco economizaria energia gasta no tratamento de água e esgoto. A prefeitura cedeu. Na Califórnia, a empresa McPoop (em inglês, poop é cocô) fez um acordo para montar banheiros secos em eventos públicos. Para convencer a vigilância sanitária, usaram o argumento de que um banheiro químico é a versão moderna da fossa.

E qual é o cheiro do sanitário seco? Supostamente, nenhum. Quando o sistema funciona corretamente, uma reação química entre o nitrogênio das fezes e o carbono da serragem cria uma mistura estável e inodora. Para convencer as pessoas a aderir ao W.C. seco, ativistas fizeram em Chicago, nos EUA, uma experiência. Propuseram o uso do banheiro seco a 35 vizinhos: 22 deles aceitaram. O resultado foi uma "doação" de mais de 7 mil litros de excremento. No Brasil, já existe uma iniciativa: em Pirenópolis, Goiás, o Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado criou um projeto de nome sugestivo: Húmus Sapiens. São banheiros secos, de alvenaria, que custam metade do valor de um banheiro tradicional. 

Nenhuma dessas ideias, no entanto, prenuncia a abolição da descarga. "A maioria das leis sanitárias diz que você deve se livrar dos dejetos humanos", diz Jenkins. "Isso impede projetos em larga escala." Outro entrave é a necessidade, no caso dos sanitários secos compactos, de um compartimento externo para a compostagem propriamente dita. Num apartamento pequeno, a reciclagem de fezes é inviável. Ao menos para quem não quer encrenca com a vigilância sanitária. 

A ideia do sanitário seco é antiga. Em 1869, impressionado com o perigo de contaminação das fossas abertas, o padre inglês Henry Moule criou um sanitário seco parecido com os atuais. Com a invenção da válvula de descarga, no início do século XX, o sanitário seco caiu em desuso. Mas os discípulos de Moule ainda existem. Joseph Jenkins é um deles. Além de escrever, ele vende seus próprios sanitários compactos. Com aparência de um cubo de madeira, custam R$ 350. O assento acolchoado é opcional.

Como funciona um vaso sanitário seco?

Foto: Google Imagens

Vaso sanitário seco não precisa de serviço de desentupimento. Não precisa de serviço de desentupimento. Não precisa de água. Não precisa de rede de esgoto. Não precisa de serviço de limpa fossa. O banheiro seco ou vaso sanitário seco transforma os dejetos humanos em adubo.

Por esses motivos, o vaso sanitário seco é uma ótima solução para quem não possui acesso ao sistema de esgotamento sanitário encanado ou mesmo quem não utiliza fossas.

Breve história do banheiro seco

1597 - John Harringston inventa o banheiro seco;
1775 - Alexander Cummings aprimora o banheiro seco;
1884 - George Jennings inventa o vaso com descarga e encanamento.

Funcionamento do vaso sanitário seco

Basicamente, o vaso sanitário seco funciona da seguinte maneira: Os dejetos caem por ação gravitacional num tanque subterrâneo. Nesta câmara, os dejetos se decompõem e são transformados em adubo.

Atualmente, há vários modelos de vasos sanitários secos com características diversas:

Alguns possuem separador de urina;

Há vasos sanitários secos que são construídos de acordo com o clima da região;

Outros são construídos de acordo com o relevo, de forma a aproveitar as características do solo.

De forma geral, os vasos sanitários secos possuem uma chapa pintada de preto que favorece o aquecimento do solo onde os dejetos serão depositados. Esse aquecimento, aliado a ventilação com saída para uma chaminé é que agilizam o processo de compostagem.

Uma vez que os dejetos se transformam em adubo, o vaso sanitário seco possui uma porta por onde eles são retirados.

A alta temperatura alcançada pelo sistema é que elimina os organismos patogênicos existentes nos dejetos.

É preciso dizer, no entanto, que o banheiro seco não é totalmente uma grande maravilha da humanidade, uma vez que, em vez de água, deve jogar material rico em carbono, sempre que o banheiro for utilizado.

Que tipo de material rico em carbono é esse? Veja alguns, a seguir:

Grama;
Casca de arroz;
Serragem;
Folha seca.
Fonte: Revista Época e Ebah